[Contém spoilers]

Quando perto do final da 3.ª temporada de Revenge, cansada do rumo que a história estava a levar, decidi desistir, não esperava um cancelamento para breve. Pensei que seria daquelas séries que duram e duram e, bem, eu já tinha atingido o nível de saturação, não estaria disposta a prolongar a minha agonia por mais três ou quatro temporadas.

No entanto, a verdade é que Revenge viu o seu fim chegar muito mais cedo do que eu pensava, com a 4.ª temporada. Apesar de ter deixado de ver a série, fui estando sempre a par dos acontecimentos (spoilers everywhere, em especial para quem não consegue resistir-lhes!). Admito que comecei a ficar curiosa, mas acabei por continuar sem pegar na série. Agora, com tanta coisa em hiato, pensei: “Porque não? Já agora, por uma temporada e pouco mais, vejo isto até ao fim”. Assim foi!

Foi e, verdade seja dita, esta última temporada alterou em muito a forma como eu via a série e as próprias personagens. Nunca escondi o meu desagrado em relação a Emily Thorne/Amanda Clarke, a pretensa justiceira que queria limpar o nome do pai enquanto tentava destruir os culpados e magoava inocentes pelo meio. Em oposição, Victoria Grayson era a minha personagem de eleição. De língua afiada, expressão poker face, feitio bitchy, tinha tudo para ser a minha preferida. Não me entendam mal, Victoria não era melhor do que Emily, mas fazia-lhe frente e assumia quem era, não se escondia por detrás de uma máscara de justiceira. Fazermos coisas más pelos motivos certos não tornam o que fazemos correto e, de alguma forma, esse parecia ser o mote de Emily.

Só que com o aparecimento de David Clarke (surprise, surprise, o homem não está morto, afinal de contas!), a história ganha uma nova dimensão. Ao início deu-me um gozo desgraçado! Emily fez todas aquelas coisas para vingar a morte do pai que afinal não está morto. Plot twist! No entanto, pela primeira vez, começo a ver Emily como uma pessoa a sério e não como uma máquina de vingança. Houve muitos danos colaterais na sua espiral vingativa, mas foi o mundo que criaram para ela ao privá-la da infância. À medida que ia passando a gostar mais de Emily, ia deixando de gostar tanto de Victoria, embora ela seja inegavelmente uma presença muito interessante em todo o desenrolar da série. Gostar de uma é sinónimo de gostar menos da outra.

Margaux e Louise foram outras boas surpresas nesta derradeira temporada. Margaux, com o seu adorável sotaque francês, e Louise, que é capaz de animar qualquer festa. As duas trouxeram algo de muito positivo à série. Gostei do que foi feito com Margaux, que tentou, à sua maneira, ser também ela uma justiceira. Só que em vez de usar truques de tortura dignos da CIA e todas essas coisas à Emily, ela procurou a ‘justiça’ através daquele a que se pode chamar o quarto poder, o jornalismo. Tudo o que ela queria era a verdade, tal como Emily (Amanda) queria sobre o seu pai. Só que a vingança acaba por nunca ser o caminho.

O final ideal para mim teria sido sempre que Emily (foi como Emily que a vimos sempre, não consigo chamar-lhe Amanda) e Victoria se destruíssem mutuamente. “Antes de embarcar numa jornada de vingança, cava duas sepulturas”, assim começou tudo. Pensei que seriam Emily e Victoria a ocupar essas sepulturas. No entanto, pelo caminho que a série seguiu nesta última temporada, não é destituído de lógica que Emily tenha conseguido sobreviver à sua maior inimiga. O final feliz é que era escusado, até porque acho que Jack era bom demais para ela, mas são poucas as séries que escapam a um “e foram felizes para sempre”.

Tantas vidas foram destruídas em nome da mentira e outras quando se tentou restituir a verdade. Isto porque ninguém foi capaz de cruzar os braços e desistir realmente desta luta que só acabou ao fim de muitas baixas. No final de contas, foram precisas cavar bem mais sepulturas. No entanto, despeço-me da série satisfeita por lhe ter dado uma segunda oportunidade, porque esta jornada final valeu a pena.

Diana Sampaio