Classificação

10
Interpretação
10
Argumento
10
Realização
10
Banda Sonora

Este artigo contém spoilers!

Bem-vindos de volta a este mundo fantástico que é Westworld. Se são como eu e adoram esta série, tenho a certeza de que estavam em pulgas para o regresso daquela que continua a ser, na minha opinião, a melhor série da atualidade.

Este primeiro episódio veio com tudo! Para começar foi escrito pelos criadores e pensadores deste mundo fantástico. Jonathan Nolan e Lisa Joy assumiram o papel de guionistas e deram início a esta nova temporada, sendo que Nolan assinou também a realização do episódio. E por falar em “criadores”, tenham muita atenção a este tema durante a temporada. A relação criador-criação vai ser um dos grandes pontos neste mergulho bíblico que a série promete fazer.

Mas vamos por partes, o episódio começa com um cold open fantástico! Dolores dá uma de T-800 e extermina um ricaço que abusou dela no parque roubando o seu dinheiro. Aqui vemos um ponto chave nesta Dolores. Para além de querer que as máquinas assumam o controlo do mundo, ela vai procurar vingar-se de todos aqueles que abusaram dela no parque. Esta cena inicial, de acordo com a timeline que tenho mais ou menos como certa, acontece logo após Dolores sair do parque e acontece na China, o que nos vem confirmar que os parques se localizam, de facto, numas ilhas lá perto. Como sabem, nesta série é preciso ter em conta quando e onde se passam os acontecimentos.

Três meses depois vemos que tudo está muito avançado no plano de Dolores. Bernard foi considerado o grande culpado pelos acontecimentos no parque e está foragido. A Delos está a ser controlada por Charlotte. Ou melhor, o corpo é de Charlotte, mas quem está no controlo nós não sabemos ainda. Lembram-se que Dolores levou com ela cinco pérolas com a consciência de anfitriões do parque? Quem controla Charlotte? Comecemos com as teorias, mas já lá vamos.

Dolores assumiu uma nova identidade para se infiltrar na Incite. O que é a Incite? Bom, a Incite é uma empresa que basicamente controla tudo na sociedade. Eles controlam as pessoas, controlam o comércio, o trânsito, as apps, tudo o que faz a sociedade moderna, lembrando que estamos em 2058 e o mundo é todo tecnológico. Bom, a Incite é uma empresa que basicamente controla todo o teu rasto tecnológico e consegue prever o futuro das pessoas com base nas probabilidades. Lembram-se do Dr. Strange a prever as possibilidades dos Avengers ganharem a Thanos? Basicamente, a Incite calcula todas as possibilidades e aconselha os seus clientes. Como é que eles fazem isso? Essa é a parte interessante! O criador da Incite, Liam Dempsey, criou um supercomputador onde estão todos os dados das pessoas. Este supercomputador, cujo design lembra muita a Death Star, é considerada uma máquina super hiper mega potente. Para verem, o filho de Liam, Liam Jr., diz a dada altura que o pai desenhou a máquina num fim de semana, mas demorou quinze anos a conseguir criá-la. Liam Sr. morreu e a empresa foi dividida ao meio, mas o filho ficou sem acesso à tal máquina. Uma parte ficou com uns responsáveis da empresa e outra com um tal de “Arquiteto” que não sabemos quem é. A dada altura do episódio, Liam Jr. é informado que a máquina tem uma anomalia. Parece que alguém está a controlá-la. Será a nossa querida Dolores? A verdade é que Dolores consegue mesmo meter mais um dos seus “espiões” junto de Liam Jr. e mais uma vez não sabemos quem poderá ser.

Caleb é o ponto mais novo deste episódio. Aaron Paul, de Breaking Bad, regressa aos ecrãs e traz este novo personagem que, muito sinceramente, já me conquistou. Resumindo, Caleb é um ex-militar cujo melhor amigo morreu em combate e ele regressou a casa. Caleb é refém da tecnologia e a sua vida é uma constante assim como era a de Dolores lá na 1.ª temporada. Aquilo de que mais gostei no Caleb foi precisamente esse contraste com a ideia dos humanos que a Dolores tem. Ela está habituada a homens ricos e abusadores que não sabem o significado da palavra “não” e simplesmente não querem saber do outro. Caleb é diferente. Ele mal consegue arranjar emprego e o dinheiro que consegue é por meios ilícitos. É o tipo de pessoa que nunca conseguiria ir ao parque. Talvez por isso, Dolores tenha acabado o episódio nos braços de Caleb da mesma exata forma como acabara nos braços de William muitos anos antes e ao som da mesma banda sonora.

É isto! Voltaram os enigmas num episódio cheio de coisas boas. Novas personagens, uma fotografia fantástica, e que aproveita esta nova coisa do mundo “real”, com várias cenas filmadas na futurista Singapura. Alia-se ainda uma banda sonora digna de Óscar e, claro, Evan Rachel Wood que, meu Deus, é tão, mas tão boa atriz! Ver esta mulher em cena é toda uma master class!

Para terminar deixo aqui algumas teorias para irmos debatendo:

  •  Quem serão as cinco consciências que Dolores trouxe do parque? Será Ted, Clementine ou alguém com quem não estamos a contar?
  • Quem será este “Arquitecto” misterioso?
  • Será mesmo Dolores quem está a controlar a grande máquina da Incite?
  • Onde anda William?
  • Como é que Maeve regressou? Sendo que sabemos pela cena pós-crédito que ela está num novo parque, chamado War World, inspirado na Segunda Guerra Mundial
  • Caleb é humano ou é um anfitrião? Na Bíblia, Caleb foi um espião e, a dada altura neste episódio, ele diz que não tem medo que lhe apontem uma arma porque inclusive já dispararam contra a cara dele. A verdade é que ele não tem nenhuma marca ou cicatriz, o que nos deixa intrigados
  • Será Caleb um híbrido como John Delos? Lembrando que a mãe do Caleb lhe diz a dada altura que ele NÃO é o filho dela!
  • Serão Caleb e Dolores uma espécie de Adão e Eva deste mundo novo?

Bom, ficam aqui várias teorias para irmos debatendo ao longo das semanas. Espero que gostem desta review. Ao longo das semanas vou tentar estudar o episódio ao máximo para vos trazer tudo o que consiga desvendar para juntos começarmos a entender esta nova temporada. Como isto já vai longo, fica só uma palavra de força para este tempo difícil que todos estamos a passar. Pegando em Westworld, pode ser que este período de batalha nos ajude a sermos mais humanos e menos robôs, percebendo que o mais importante no final de tudo é e sempre será o bem-estar e o respeito por nós e pelo outro. Até para a semana!

Carlos Real