Classificação

9
Interpretação
9
Argumento
9.5
Realização
10
Banda Sonora

[Contém spoilers]

The Walking Dead continua a surpreender os fãs! O décimo episódio foi uma espiral de emoções e de acontecimentos de deixar qualquer um de boca aberta e de olhos arregalados. O virar da história está prestes a chegar e quase todas as cartas estão em jogo. O pico desta temporada vai ser dos melhores que a série já viu. Disso não tenho dúvidas.

Antes de avaliar os desenvolvimentos e as prestações deste episódio queria ressalvar o quão fantásticos os efeitos sonoros de Stalker foram. Sem eles acreditem que metade das cenas que vimos não teriam o mesmo impacto. Se são daquelas pessoas que nem prestam muita atenção a isso, aconselho-vos a no próximo episódio que virem tentarem perceber os sons e as músicas que vão surgindo nas cenas. Fazem toda a diferença quando são bem aplicados, como é o caso aqui. Numa série destas, o ambiente envolvente deve-se à banda sonora e é tão importante como as caracterizações dos walkers para dar a sensação de realismo.

Vamos então aos acontecimentos. Este episódio fez-me sentir como se estivesse a ver um bom filme de terror. Não um daqueles cheio de jump scares e de cenas propositadas para nos assustar, mas um daqueles em que o suspense é mesmo bem colocado e as cenas mais mexidas fazem-nos ficar em sobressalto. Foi exatamente isso que me aconteceu. A cena de luta entre Daryl e Alpha foi excecionalmente bem coreografada, ainda para mais ambos os atores estavam lesionados, o que requereu algum cuidado especial. Ainda assim, o resultado não podia ter sido melhor. Alpha e Samantha Morgan e Daryl e Norman Reedus trouxeram o seu A game para este episódio assim como a equipa de realização.

Quem não ficou em pulgas a pensar que Daryl ia mesmo conseguir aniquilar Alpha ali naquela margem do rio e de repente quando ela lhe acerta na cabeça e temos a sua perspetiva turvada pelo sangue deu um saltinho do sofá e começou a rezar aos deuses para que ele não morresse? Eu sim! Numa entrevista que Reedus deu à Entertainment Weekly é mencionado que este tipo de técnica (colocar o espectador diretamente na perspetiva da personagem para que sinta o que ela está a sentir) nunca tinha sido utilizada na série antes. Não tenho a certeza se é mesmo assim, mas de qualquer das formas acho que foi uma boa aposta e só abonou a favor deste excelente episódio.

Apesar de Daryl ter tido boas chances de matar Alpha, a verdade é que ela nunca poderia morrer já. Foi o que pensei quando vi a cena. “Então, mas se ela morrer agora como vão ser os próximos episódios? Ela é que é a líder e sem ela duvido que o restante grupo siga Beta para onde quer que seja”. Bom, ela continua a cirandar por aí e Daryl encontra-se minimamente bem graças a Lydia. Toda a cena na estação de abastecimento foi um pouco surreal, mas estranhamente realista. Foi bastante percetível o avançar da deterioração tanto de Daryl como de Alpha, especialmente depois de Daryl ter de tirar a faca da perna para matar aquele walker gigante. Quando Alpha mencionou Lydia o meu primeiro pensamento foi “Ah pois é. Onde andará Lydia? Quem sabe se não aparece, visto que esta cena tem de terminar de alguma forma”. Dito e feito. Foi um pouco óbvio este outcome, mas não haveria muitas mais possibilidades de desfecho.

Passando a Alexandria. As cenas que aqui decorreram com Beta foram, provavelmente, das mais arrepiantes que já vi em televisão. Ele a sair da cova, ao estilo filmes de terror dos anos 80, mas com mais qualidade, e depois a matar aquela gente toda e esperar que eles se transformassem foi brilhante. Mas a melhor sequência foi mesmo na casa de Judith (já agora, foi bom voltar a ver Judith e a ouvir as suas conversas sempre tão pertinentes). Devo dizer que saltei mesmo quando a criança deu um tiro através da porta. Claro que ia acontecer alguma coisa, mas mesmo sabendo isso é impossível não reagir. Só achei que se queriam mesmo matar Beta deviam ter dado mais uns quantos tiros, preferencialmente acima do pescoço.

Laura, a ex-Savior, teve uma morte abrupta e sem espaços para despedidas. Pelo menos é o que os fãs acham. Quando ela se juntou ao lado dos bons duvidei sempre das suas verdadeiras intenções, especialmente quando Negan fugiu, mas a produção nunca explorou essa possível storyline e parece que não estavam muito interessados em que a personagem tivesse outro tipo de adeus. Na cena em questão, quando Beta a atira contra as grades, não é 100% percetível se ela morre ou não, mas a atriz que lhe deu vida despediu-se dos fãs através das redes sociais. Portanto, é de esperar que não a vejamos novamente.

Quanto a Gamma/Mary acho que ela está mesmo recuperada da sua fase de adoração por Alpha, mas como não seria a primeira vez que um mau supostamente vira bom e depois é tudo mentira, parte de mim ainda tem dúvidas. Vejamos o que acontece, mas pelo que tenho visto é provável que a personagem acabe por morrer ao sacrificar-se para salvar alguém.

Para mim, este foi dos melhores episódios de The Walking Dead. E para vocês?

Beatriz Caetano