Classificação

9
Interpretação
8
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Promises Broken e For Blood, os últimos dois episódios do primeiro pack da derradeira temporada de The Walking Dead chegam com muita ação e muito suspense, mas com poucos desenvolvimentos narrativos. Se qualquer fã da série agradece alguns minutos de levar a uma taquicardia grave, na última temporada pedia-se mais sumo no que toca à história e menos momentos repetidos facilmente previsíveis ao longo dos últimos dez anos.

Promises Broken levou-nos de volta à Commonwealth e às aventuras que o novo quarteto fantástico anda a viver nesta comunidade distópica. Se há coisa de que The Walking Dead se pode orgulhar ao longo desta década de emissão é o facto de ter conseguido proporcionar excelentes character developments a algumas das personagens e, por mais que custe admitir, Eugene é uma delas. Passou de um estranho cobarde, inconveniente e sem grande utilidade a um traidor odiado, a um verdadeiro membro de Alexandria capaz de fazer o que for preciso pelos amigos. Quase que se pode dizer o mesmo de Yumiko, embora ainda não esteja no mesmo nível. Falta-lhe o salto final para se poder considerar que é uma personagem que realmente contribui ativamente para a narrativa. Ainda assim, desde que está neste arco mais recente, a sua evolução tem sido notável.

Mas voltando à Commonwealth, cujas revelações têm sido fraquinhas ao longo destes oito episódios, à primeira vista pouco mais ficámos a saber no respetivo episódio de The Walking Dead. Parece que tudo está guardado no segredo dos deuses no que toca à líder da comunidade, Pamela Milton, e à forma de atuar das várias classes. Contudo, graças ao olhar atento de alguns espectadores, podem-se tirar algumas conclusões do que se viu em Promises Broken: os cidadãos da comunidade estão longe de estarem contentes e há alguma espécie de golpe de Estado a acontecer pela mão de Lance Horsnby, o “advogado”, e algo não está certo com a secretária de Pamela e a verdadeira identidade de Stephanie. E ambos estão interligados.

Pegando na questão da identidade de Stephanie, os internautas mais atentos repararam que a voz da secretária de Pamela corresponde à que se ouvia no rádio quando Eugene falava com esta mulher da Commonwealth. Quando Eugene come um gelado com a alegada Stephanie, esta mulher estava na rulote e olhou para Eugene com ar de quem o conhece. Quando Yumiko supostamente vai ter uma reunião com Pamela, a secretária pergunta-lhe pelos amigos, para tentar perceber se está tudo bem com eles. Portanto, pode-se concluir que a verdadeira Stephanie é a secretária e a que anda com Eugene provavelmente está undercover a mando de Pamela para tentar sacar informações sobre Alexandria. Por outro lado, a verdadeira Stephanie também pode estar a colaborar com Hornsby para deitar abaixo a liderança de Pamela e tornar as coisas mais acolhedoras na Commonwealth. E, por agora, pouco mais se pode retirar desta parte da história, visto que o tempo de antena a que teve direito não foi assim tanto.

No que toca a For Blood, o ritmo acelerou quer em termos de ação quer em termos narrativos. Bom, mais ou menos. Se por um lado podemos questionar o porquê de todo este arco com os Reapers e mais um fanático religioso, por outro, a resposta sempre esteve lá: é pura e simplesmente uma questão de conveniência temporal. O quarteto fantástico (Eugene, Princess, Yumiko e Ezekiel) está há cerca de duas semanas fora de Alexandria, mais coisa menos coisa. Durante estes dias, os Whisperers foram derrotados, Maggie voltou e todos estão lentamente a morrer à fome. No entretanto, aparecem os Reapers, cuja história cria impasse suficiente para a Commonwealth aparecer às portas de Alexandria que nem salvadora da pátria e aliciar a comunidade a juntar-se à riqueza comum. Pelo menos, assim se espera que seja, porque não há nada de minimamente interessante no grupo de fanáticos, agora liderado pela ex de Daryl, que, claramente, irá morrer. Resta saber às mãos de quem.

Ainda assim, esta primeira parte da 11.ª temporada de The Walking Dead deixou no ar dúvidas suficientes para desejarmos que o dia 20 de fevereiro chegue rapidamente. Certamente que Maggie e Negan não morrem perfurados por infinitas setas, ma quase de certeza que os companheiros dela não terão tanta sorte. Será que é desta que Gabriel morre? Será que Alden já definhou naquela igreja ou sobreviveu? Muitas são as questões por responder e o receio que se começa a instalar à medida que o derradeiro episódio da série se aproxima é: será que vai haver tempo para atar todas as pontas soltas da temporada e dar um fim digno a The Walking Dead?

Beatriz Caetano