Classificação

9.2
Interpretação
9.2
Argumento
9.3
Realização
9.3
Banda Sonora

Peanut Butter meet Jelly.

The Walking Dead presenteou-nos com mais um episódio de elevado nível, sempre com o suspense no máximo e um ambiente pesado que fez lembrar a 1.ª temporada. Repito que os Whisperers são a melhor coisa que já aconteceu à série em largos anos. O inesperado é sempre o que se pode esperar deste inimigo e a juntar a isso os problemas e os character development de Carol, Negan, Aaron, entre outros, a receita tem todos os ingredientes para ter um bom resultado.

Ghosts é até agora o melhor episódio da temporada e, para mim, um dos melhores da série. Foi impossível tirar os olhos do ecrã durante estes 45 minutos. O coração esteve sempre a palpitar e a ansiedade a espreitar. Parecia que estava a ver um thriller de qualidade e todos os momentos poderiam trazer um desfecho imprevisível. Adorei simplesmente!

Carol foi o holofote deste terceiro capítulo. Já o tinha dito antes, mas realmente esta personagem foi das que sofreu uma maior evolução desde o início da temporada. Depois da saída de Andrew e Lauren, o peso da continuação de TWD caiu sobre os ombros de Melissa, Norman e Danai e tenho a dizer que os três têm feito um trabalho louvável. Em especial Melissa, que foi capaz de dar vida à nova Carol: destemida, forte e indestrutível. Os efeitos da destruição de Hilltop e da morte macabra de Henry e todos os outros continuam a ter repercussões e não será a tomar comprimidos de cafeína para ficar eternamente acordada que Carol conseguirá a sua vingança.

Contudo, esta privação de sono proporcionou das melhores cenas que já vi na série. As alucinações/sonhos foram espetaculares e de cada vez que Carol acordava de uma ficava perplexa por aquilo não ser realmente verdade. A equipa de realização esteve fantástica ao levar-nos a acreditar uma e outra vez no que estávamos a ver e a sentir, de certa forma, que estávamos presos no loop com Carol. Não duvido que tenha mesmo visto aqueles três Whisperers na floresta, até porque um deles acaba morto no fim. Eles trespassaram as fronteiras, mas ninguém vai acreditar nisso. Por outro lado, aquele membro morto será descoberto e receio as consequências que isso terá nos grupos.

Outro dos momentos altos foram as cenas entre Aaron e Negan. Cá venho eu novamente com o dilema sobre Negan. Por um lado, nunca me vou esquecer do que ele fez. Mas, por outro, parece ter-se tornado genuinamente numa pessoa melhor. E, para além disso, com toda a certeza que Negan será uma peça-chave na derrota de Alpha e companhia. It takes a monster to beat a monster. Diria que o melhor seria dar-lhe uma oportunidade e ver como se comporta. Estou curiosa por ver qual será a dinâmica do ex-vilão com Maggie. Acho que essa é uma relação que nunca passará do ódio e ressentimento.

Bom, agora passamos às partes menos positivas. A primeira é a postura de submissão que Michonne apresenta perante Alpha. For real? Já vimos isto demasiadas vezes, com o Governor, com Negan… Enfim, é uma atitude que já não cola. Depois de tudo por que já passaram está na hora de não se subjugarem a nada nem ninguém. A outra foi a chegada non-stop de walkers a Alexandria. Com tantas táticas que os grupos foram adquirindo ao longo dos anos, porquê escolher a mais cansativa e talvez menos eficaz? Por que não fazer como os Whisperers fazem? Ou apenas chamar a atenção dos walkers para outro lado, como já fizeram doutras vezes? São pequenos plot holes que podiam ser facilmente evitados e tornavam a história muito mais factual.

E, para terminar, uma pequena grande desconfiança que eu e muita gente de certeza também tem: Siddiq está a trabalhar para os Whisperers. E creio que ele teve algo a ver com as decapitações de Enid e Henry. Provavelmente Alpha obrigou-o a fazê-lo. Não nos mostrariam aqueles flashes todos nem se focariam tanto em Siddiq se não significassem algo.

Que tal o episódio?

Beatriz Caetano