Classificação

9
Interpretação
8
Argumento
8
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

Temporada: 2

Número de episódios: 10

Breeders está de volta com uma 2.ª temporada, toda disponível na HBO Portugal, e se olharmos para os títulos de todos os episódios já sabemos que nos estamos a meter em algo negativo de certa forma (digo isto por todos os episódios começarem pela palavra “no”). E esta comédia obscura realmente não traz muita coisa positiva ao ecrã, a não ser um guião fenomenal e um elenco espetacular.

As minhas prestações favoritas da 1.ª temporada foram, sem dúvida, dos atores que interpretavam as crianças, que foram aqui trocados por atores mais velhos, pois já não estamos perante pais a lidar com crianças, mas sim com adolescentes e pré-adolescentes. Fiquei triste por não ver os atores de que tanto gostei, mas achei que esta mudança deu uma lufada de ar fresco à série, que se conseguiu reinventar nesta temporada. Obviamente, é muito diferente ser o pai ou mãe de uma criança comparativamente a um adolescente. Novos desafios e novas perdas de paciência, especialmente para Paul, interpretado sublimemente por Martin Freeman (que não quebra o personagem nunca, é incrível!).

Continuamos a ver uma versão não romantizada da parentalidade e, embora no início, pareça que ambos, mãe e pai, já melhoraram bastante os seus respetivos problemas, com o desenrolar da trama, Ally tem uma crise de meia-idade e Paul uma descarga de raiva. Claro que toda a série não é só sobre ser progenitor, mas também é sobre viver como casal, mantendo alguma individualidade. Aqui é onde Ally, sobretudo, mais sofreu com a possível vinda de um novo bebé, uma nova casa e um desinteresse geral pelo seu parceiro.

Em geral, a 2.ª temporada de Breeders foi consistente, ainda que, por vezes, parecesse faltar um ou dois episódios para completar certos arcos, como quando Ally se chateia com Paul por ele não a ouvir em relação a ela não querer ter outro filho. O espectador nunca chegou a ver Paul a não ouvir, pelo que todo o conflito parece vindo do nada.

Não me interpretes mal, acho Breeders uma série fundamental para demonstrar que nem todos os pais ou mães são perfeitos, mas não é por isso que acho que esta imperfeição deva ser aplaudida. Finalmente nesta temporada pudemos ver, por exemplo, os efeitos que o temperamento de Paul teve em Luke, desencadeando nele ansiedade. E, repito, é fundamental algo assim passar na televisão, pois ainda há muita gente confusa em relação ao que é ou não aceitável fazer ou dizer enquanto pai ou mãe de alguém.

No final, temos a certeza de que Paul coloca tudo em perspetiva e se apercebe que ao longo dos anos foi muito tóxico para os seus filhos. O mal já está criado, mas há sempre espaço para melhorar – ou não. Fico curiosa por saber se na 3.ª temporada iremos continuar do sítio onde ficamos ou se daremos outro salto no tempo.

Melhor episódio:

No Connection – Episódio 3 – Escolho este episódio pois foi dos que achei mais engraçados, geniais e reais. Tentar reunir a família num espaço, à volta da televisão, a ver o mesmo programa: ideia simples, mas nem sempre a mais fácil de concretizar. Esta premissa remete-me para algo que li no Twitter: pessoas com relações familiares saudáveis vão para a sala ver televisão com os pais.

Personagem de destaque:

Paul (Martin Freeman) – Não é que goste da personagem em si, mas o ator consegue dar-lhe algo que gera empatia, mesmo nos seus momentos mais sombrios.

Ana Leandro