Classificação

8.5
Interpretação
7
Argumento
8.5
Realização
9
Banda Sonora

Temporada: 1

Número de episódios: 10

[Não contém spoilers]

Firefly Lane estreou esta semana, mas só precisei de três dias para ver a 1.ª temporada. Estava com boas expectativas em relação à série, mas também ciente de que estas podiam sair frustradas. No entanto, não precisei de muito tempo, nem sequer do primeiro episódio completo, para perceber que Firefly Lane era aquilo de que andava à procura. Sempre tive um soft spot por histórias de melhores amigas e rapidamente Kate e Tully provaram ser uma dupla fantástica. A trama acompanha as várias fases da sua amizade: na adolescência, no início da idade adulta e no presente, com 40 e tal anos. Os flashbacks de quando Kate e Tully eram miúdas são absolutamente deliciosos, mas também fiquei completamente colada ao ecrã enquanto assistia à versão mais madura destas personagens. Curiosamente, a fase intermédia revelou-se a menos interessante para mim. Talvez porque partilha o seu foco com outras narrativas, quando ficou claro que Kate e Tully são a verdadeira história.

Os flashbacks são muito bons a transportarem-nos para outra época, algo para o qual a banda sonora, que merece louvores, diga-se, contribuiu muito. Roan Curtis e Ali Skovbye, que dão vida às versões adolescentes das personagens de Sarah Chalke e Katherine Heigl, foram extremamente bem escolhidas e têm uma química incrível. O elenco não é muito grande, resumindo-se, essencialmente, aos núcleos familiares das personagens principais, um ou outro interesse amoroso e alguns colegas de trabalho. Também aqui há dinâmicas interessantes e boas histórias para contar, como a da relação complicada de Tully com a mãe. Sem dúvida a minha segunda favorita da série.

No entanto, o melhor da série tem muito a ver com o que me fez sentir. Acho que desde One Tree Hill – que provavelmente será sempre a minha série favorita – não tinha uma ligação destas a uma história, a um par de personagens. Não é muito fácil de explicar, mas é um pouco como se uma série nos fizesse sentir em casa. One Tree Hill durou nove anos e esse sentimento não surgiu logo, mas Firefly Lane, apenas com a 1.ª temporada, conseguiu produzir em mim um efeito muito semelhante. Não quero estar a revelar nada sobre o enredo, portanto digo apenas: se gostas de séries que te conseguem emocionar e fazer rir ao mesmo tempo, que te agarram ao ecrã até ao fim e que te fazem torcer pelas suas personagens e pelas suas relações, esta é a aposta certa para ti.

Melhor episódio:

Episódio 10 – Eu sei o quanto é cliché escolher o último episódio da temporada, mas aqui não havia volta a dar. Os episódios são extremamente equilibrados, não há propriamente nenhum que se destaque dos restantes, o que mostra a consistência da série, mas houve um pequenina coisa que me fez escolher Auld Lang Syne e que se prende com um momento muito comovente da adolescência de Kate e Tully. Já era percetível o quanto aquela amizade significa para elas, mesmo desde o início, mas vermo-nos perante a possibilidade de terem de se separar por acontecimentos externos à sua vontade… Foi o momento da série que mais me comoveu, embora a temporada esteja recheada de emoção e uma sensação muito própria, muito boa, que poucas séries são capazes de me proporcionar.

Personagem em destaque:

Tully Hart (Katherine Heigl) – A Tully Hart de Katherine Heigl é uma verdadeira força da natureza e reúne muitas das características que gosto de ver numa personagem: forte e vulnerável ao mesmo tempo, divertida, com o seu quê de tresloucada, mas com um bom coração. A base da personagem, da sua história, tinha tudo para fazer dela a mais cativante de Firefly Lane, mas acho que Heigl fez mesmo um excelente trabalho. Passei muitos anos a vê-la em Grey’s Anatomy (e nalgumas comédias românticas) e posso dizer sinceramente que não houve um único segundo em que Tully me tenha feito lembrar Izzie Stevens. É preciso talento (que nem sempre existe) para que alguém se consiga distanciar de um personagem que interpretou durante tanto tempo. Heigl consegue-o na perfeição e conseguiu, desde muito cedo, fazer com que eu sentisse uma ligação com a personagem e me importasse verdadeiramente com o que lhe acontecia, uma proeza difícil de alcançar na 1.ª temporada tão curtinha de uma série.

Diana Sampaio