Classificação

7
Interpretação
2
Argumento
5
Realização
8
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Já estamos habituados a adaptações menos boas de animé por parte da Netflix, mas será que Cowboy Bebop conseguiu quebrar essa barreira?

Vamos já falar de um dos pontos positivos, o genérico. São incríveis as semelhanças entre o genérico do mítico animé de 1997 e desta adaptação da Netflix. Conseguimos sentir a nostalgia assim que ouvimos a música e vemos aquelas animações bem ao estilo japonês.

Para quem já conhece o animé original, sabe que a série se centra em três caçadores de recompensas galácticos: Spike Spiegel (John Cho), um artista marcial; Faye Valentine (Daniella Pineda), uma femme fatale imprescindível nesta trama; e Jet Black (Mustafa Shakir), um antigo polícia. A este leque de personagens juntam-se ainda: Vicious (Alex Hassell), antigo companheiro de Spike, e Julia (Elena Satine), o eterno amor de Spike.

Durante estes dois episódios não conseguimos entender o estilo da série. É comédia? Sim, sem dúvida, mas temos ao mesmo tempo elementos noir, western sci-fi e muita ação e kung-fu à mistura. Um emaranhado que é estranhamente agradável nos primeiros episódios, mas que vai claramente saturar ao fim de dez episódios.

A química dos três personagens principais é muito bem trabalhada e desenvolvemos um afeto por eles logo nestes dois primeiros episódios. São mostrados várias vezes alguns flashbacks sobre o passado dos personagens, algo do qual não temos conhecimento no animé original. Acredito que sejam esses mesmos flashbacks que diferenciam tanto esta série da Netflix do produto original, em que os episódios não têm qualquer ligação uns aos os outros, enquanto aqui foi necessário criar um grande fio condutor capaz de interligar histórias.

Não temos um argumento propriamente criativo e inovador, muito pelo contrário. Temos Spike focado em reencontrar-se com Julia enquanto caça recompensas e se defronta com Vicious. Ficou realmente muito aquém das espectativas, mas se pensarmos em adaptações feitas pela Netflix, as expectativas nem estavam assim tão altas.

Miguel Mendonça