Classificação

7.5
Interpretação
8
Argumento
8
Realização
6.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Queres aprender mais sobre o prazer feminino e o complexo caminho para lá chegar? Com a nova série polaca da Netflix, Sexify, surge a tua oportunidade. Pegando num tema atual e ainda tabu em muitas sociedades, apresentado aos olhos de Natalia (Aleksandra Skraba), o Episode 1 deixou-me colada ao ecrã, numa série de comédia e drama, que apesar de não ter um enredo complexo, seduz pelo realismo e sensualidade com que nos é apresentado.

Nos 51 minutos do primeiro episódio conseguimos traçar o perfil das personagens e entender a mentalidade da comunidade universitária em que vivem. “Todos pensam sempre em sexo”, mas poucos se preocupam em explorar todo o potencial de uma relação sexual. Esta questão é não só atual como realista, o que nos permite ganhar empatia pela ação, pelas personagens que com ela lidam, bem como por algumas características das suas personalidades. Apesar de ser um tema já abordado no campo do cinema, considero que nunca é demais explorá-lo, já que ainda há pessoas que não entendem a importância do prazer feminino. Além disto, o tema é aqui tratado de uma forma diferente, mais leve e cómica, não deixando, no entanto, que a sua importância se perca. As personagens principais revelam-se, uma por uma, nas suas vidas privadas e nas suas complicações diárias, o que permite que sejam apresentadas com crescente pormenor.

Natalia, a protagonista, é uma estudante universitária fora do comum: é séria, tímida, não gosta de festas, é interessada na ciência e confiante no potencial do seu projeto inicial, uma aplicação sobre o sono. Nota-se desde o início que é assertiva, determinada e que trabalha na autoestima, repetindo ao espelho para si mesma “Não me olhes como uma vítima. [..] Tenho que te lembrar? Tens um projeto sólido. És a melhor. […] Sê persistente e acredita em ti.”. Mas como ninguém tem uma autoestima de ferro, vemos a frustração revelar-se em Natalia quando lhe dizem que o seu projeto de 3 anos, apesar de muito bom tecnologicamente, não seduz e não é algo que as pessoas procurem, “Dormir é a última coisa de que precisam” (Esperem só até começarem a trabalhar…). Natalia terá agora que encontrar um novo tema de acordo com as necessidades dos colegas.

Paulina (Maria Sobocinska), amiga de Natalia, estuda Quimica, é tímida, tem uma autoestima baixa e, apesar de aparentar ser feliz com o seu namorado de longa data, cedo percebemos que está sexualmente insatisfeita. Conseguimos ver isto na cena em que se envolve intimamente com o namorado e o seu silêncio traduz a sua insatisfação, que logo é confirmada quando pede para trocarem de posição. O namorado pergunta “Não é bom assim?” e ela acaba por mentir, concordando com ele. É visível aqui o conformismo que é comum a muitas mulheres relativamente à ausência de prazer na relação sexual. Ao longo deste episódio, notamos o quanto este aspeto na vida do casal afeta Paulina e a sua vontade de assumir um compromisso maior.

Monika (Sandra Drzymalska) é uma estudante universitária pouco aplicada e desinteressada. Quando o pai deixa de a suportar financeiramente, tem que se desenvencilhar e acaba no quarto ao lado do de Natalia. Esta personagem bastante ativa sexualmente traz-nos a realidade de fingir orgasmos, sem reparar nas consequências que daqui podem advir. E afirma continuar a ser sexualmente ativa porque “Como todos, preciso.”. Há uma certa ironia no facto de esta personagem considerar o sexo “muito importante”, mas mesmo assim continuar a fingir, não explorando formas de atingir o climax. Tanto nesta personagem como em Paulina nota-se uma certa insegurança, não sendo capazes de dizer aos parceiros quando algo não lhes dá prazer.

A forma como as imagens são filmadas capta a atenção do espetador, são sensuais e artisticamente relacionadas com o tema principal. O facto de ser uma série polaca, que foge ao standard das americanas, parece ser o motivo para o seu estilo tão fora do comum que me prendeu do início ao fim. Os efeitos sonoros ao longo do episódio adicionam um toque engraçado e leve à ação, deixando o espetador mais descontraído.

No final deste primeiro episódio foi difícil resistir à tentação de continuar. É fascinante a leveza com que assuntos tão sérios da atualidade e ainda tantas vezes esquecidos nos são apresentados. O piloto desta série polaca é muito promissor e acredito que a nossa protagonista estudiosa não nos vai dececionar com a sua nova investigação e projeto que se debruçará numa importante temática. Estou muito curiosa para saber como se vai desenrolar a história daqui para a frente.

E tu? Já viste o primeiro episódio? Do que estás à espera?

Inês Rodrigues