Classificação

6
Interpretação
6
Argumento
6.5
Realização
6
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Kung Fu, a nova série da The CW, conta-nos a história de Nicky Shen (Olivia Liang), uma jovem que decidiu abandonar tudo e todos relacionados com a sua vida americana para se juntar a um mosteiro Shaolin totalmente feminino na China. Durante três anos dedica-se exclusivamente a aprender artes marciais até que algo de inesperado (mas previsível) acontece… Nicky volta para casa em São Francisco. Está assim dado o mote de partida para esta série.

O inicio deste episódio piloto de Kung Fu foi promissor, começou com uma boa dinâmica mas foi decaindo ao longo do tempo. Alguns personagens começaram bem, mas pareciam meio desajustados no fim. Também eu comecei entusiasmado, mas no final acabei com um mix de feelings porque, apesar de Kung Fu definitivamente ter valor na maneira como se parece e se mostra diferente de qualquer outro programa atual, ao mesmo tempo e em muitas partes parece-se muito com outros programas.

Por exemplo, o facto de a maioria do elenco ser asiático-americano (tal como o conhecido Tzi Ma) e as evidentes nuances culturais que isto acarreta, a capacidade que teve de misturar dois mundos – o fantástico e o normal – quando Nicky finalmente regressa a São Francisco e traz com ela uma perigosa história cheia de armas mágicas e sociedades secretas são claros pontos a favor e que a diferenciam. Mas depois há muitos clichés que a The CW já nos habituou: clássico triângulo amoroso, conflitos familiares e famílias que correm perigo de vida, a pupila e o seu mestre, entre outros. Houve momentos em que isto me pareceu uma mistura de Arrow com Iron Fist (sim, eu sei que esta última não é da The CW).

As lutas também foram um pouco estranhas e não consigo bem saber se gostei ou não, sinceramente. Por um lado, parece que Kung Fu tinha um orçamento menor que o normal para os padrões da The CW (efeitos são relativamente subestimados e sem grandes efeitos, pelo menos para já), mas existe um lado deliberadamente lento e meio que a desafiar a gravidade que deixa a coisa até interessante. Será um bug ou uma feature? Não sei. Deixo para vocês decidirem.

Estes 40 e poucos minutos tiveram, assim, pontos interessantes, mas, infelizmente, sinto que não vi nada de realmente novo opondo ao que a The CW já nos oferece (coisa que poderia ter acontecido com a premissa apresentada). Vale pelos pontos que referi mas sinceramente não sei se será série para ficar e vencer.

Filipe Tavares