Classificação

7
Interpretação
8
Argumento
7
Realização

[Pode conter spoilers]

Os primeiros três episódios de El Inocente (em português, Um Estranho Caso de Culpa), disponibilizados pela Netflix para análise, são um turbilhão de emoções, sensações e descobertas inesperadas. Nos últimos anos a Netflix tem apostado na adaptação de vários livros do autor norte-americano Harlan Coben, e tem escolhido diferentes países onde o fazer, como é o caso do Reino Unido, com The Stranger, e da Polónia, com The Woods. Espanha, claro está, não podia ficar para trás. Suspense, ação, e romance são as temáticas que podemos encontrar na nova série da Netflix, a mais recente adaptação de um dos policiais de Coben.

A história tem início com Mateo Vidal (Mario Casas), mais conhecido por Mat, um estudante universitário, que vai a uma festa e, por obra do acaso, acaba envolvido numa luta, em que, acidentalmente, tira a vida a um rapaz, Dani (Eudald Font). Mateo é condenado por homicídio involuntário e passa quatro anos na prisão. A série tem lugar depois do período que passou enclausurado, mas, ainda assim, os flashbacks e as memórias desse tempo são cruciais para o desenvolvimento da narrativa. Mortes acidentais, visitas misteriosas e ligações inexplicáveis ilustram os anos que Mateo passou na prisão.

Olivia Costa (Aura Garrido) é o interesse romântico do protagonista, sendo, também ela, uma parte essencial e central de toda a história. Conhecem-se quando Mat ainda está a cumprir a sua pena e, mais tarde, desenvolvem uma relação séria, que, posteriormente, se vai ver ameaçada por vários sucedidos. Olivia mostrará ser uma pessoa diferente daquilo que aparentava ser e serão vários os segredos que vão ser desvendados ao longo da história. É à conta de Olivia que Mateo recebe uma chamada inesperada e tudo muda. A partir desse momento a sua vida nunca mais será a mesma. Entre ameaças, armas e lutas, Mateo vê-se perdido num mundo do qual pensava ter escapado há muito.

Paralelamente, é-nos apresentada, no segundo episódio, a história de Lorena Ortiz (Alexandra Jiménez) uma investigadora, responsável por um crime que ocorreu num colégio de freiras em Barcelona. Além de seguirmos a sua história de vida ao longo dos 49 minutos de episódio, vamos descobrindo também coisas sobre personagens que ainda não conhecíamos, e que nos deixam boquiabertos, e ansiosos por saber mais. Freiras, amizades e colégios internos entrelaçam-se num nó que parece não ter fim.

As narrativas de Mateo Vidal e Lorena Ortiz intercetam-se no final do segundo episódio, que nos levará a um twist imprevisível, e continuam a intercetar-se nos episódios seguintes.

A nível técnico, as originalidades são poucas: não há planos curiosos ou excêntricos, e os atores, apesar de bons, (até agora) não surpreendem. Há vários momentos da série em que, infelizmente, a luz é praticamente inexistente, pelo que mal dá para entender o que se está a passar no ecrã. Muitas vezes achei que fosse porque se iria suceder um jumpscare ou algo que justificasse tanta escuridão, mas a verdade é que foi provavelmente só uma má escolha e gestão da luz. Por outro lado, no segundo episódio, quando Teo Aguilar (José Coronado), agente da UDE (Unidade de Delitos Especiais), se encontra no carro rumo a Barcelona para investigar o crime no colégio de freiras, o movimento travelling anterior ao plano em que mostram a sua cara concede à série um verdadeiro momento Fast and Furious.

A forma como estes três episódios de El Inocente estão construídos é, não só inteligente, mas extremamente cativante. Ao contrário do que acontece com algumas séries ou filmes, em que estamos constantemente a tentar perceber e desvendar o fim, El Inocente mantém-nos presos ao ecrã, a viver a história no momento. Os três primeiros episódios de El Inocente agarram-nos de modo a que não consigamos escapar. Por existirem tantas personagens, tantas storylines e, em geral, tantas pistas e eventos a ocorrer, torna-se complicado pensar em algo mais que não aquilo. Encontramo-nos tão imersos na história que só nos interessa o presente e aquilo que, naquele instante, está a acontecer. Talvez seja por isto que me parece difícil prever qualquer tipo de plot twist que possa aparecer. Contudo, apertem os cintos, porque eles existem, e esta viagem por entre o mundo da culpa injusta e de inocentes culpados ainda vai, certamente, levar muitas reviravoltas. 

Inês Ribeiro