Classificação

6
Interpretação
5
Argumento
4
Realização
7
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Estou sempre disposta a experimentar uma nova série adolescente, por isso quando a HBO Max anunciou Generation (também escrito Genera+ion), decidi espreitar este episódio piloto. O problema é que, na minha experiência com séries adolescentes, estas caem sempre numa de duas categorias: incríveis ou terríveis. Infelizmente, Generation enquadra-se na última categoria.

Apenas para fazer uma breve contextualização, Generation retrata a vida de um grupo de adolescentes da Geração Z, as suas amizades, amores, família e problemas típicos desta fase da vida. A série foca-se muito na experiência queer e na facilidade de aceitação, por parte da nova geração, de diversos tipos de sexualidade e identidade e, ao mesmo tempo, a sua indignação com discursos de homofobia, sexismo, entre outras questões problemáticas.

A série foi produzida por Lena Dunham (Girls), juntamente com Zelda Barnz, que quis ser a voz da sua geração, escrevendo o guião inicial de Generation aos 17 anos. Também o elenco está repleto de jovens atores, a maioria bastante desconhecidos, tendo como principal destaque Justice Smith, que interpreta o confiante Chester.

A estrutura deste episódio é uma técnica bastante usada em televisão. Um acontecimento importante é apresentado e, de seguida, voltamos atrás no tempo para perceber como é que as personagens chegam ao tal momento. Vemos também cada acontecimento a partir de diferentes pontos de vista das personagens. Acho que esta estrutura até resulta mas tenho receio que ao longo da temporada se torne redundante e que um acontecimento visto de três perspetivas diferentes não traga sempre algo relevante.

A razão principal pela qual não gostei do episódio relaciona-se com o diálogo forçado que as personagens têm entre si, que parece que foi escrito por alguém muito mais velho que acha que sabe como os adolescentes falam. A situação mais estranha foi numa sala de aula, onde uma das personagens adolescentes explica a um professor que não existem apenas dois géneros, um tópico importante, mas que foi escrito de forma muito cringe. Como se a personagem estivesse apenas a querer parecer educada nesse assunto ou como se estivesse a comentar uma publicação no Twitter, ao invés de estar a falar na vida real.

No entanto, tenho de aplaudir o facto de ser uma série abertamente queer e que, aliás, esse nem é um tema usado para conflito, é apenas quem as personagens são e relaciona-se com a forma como se expressam. Era preciso uma série adequada à Geração Z e aos adolescentes atuais e fico feliz por isso estar a acontecer no panorama atual de televisão. Posto isto, tenho pena que tenha sido escrito de forma tão direta, pois é possível mostrar que as personagens não são homofóbicas sem ter uma personagem a fazer um discurso de cinco minutos sobre isso. Por esta razão, parece que as personagens não são reais e é como se fossem sempre um estereótipo, o que as torna difícil de relacionar com a audiência.

A nova aposta da HBO Max, Generation, vai apelar a uma porção específica dos espectadores, enquanto a outros vai parecer demasiado ridícula. Nada melhor que experimentar o primeiro episódio, caso a premissa seja do vosso interesse, e ver se estes 30 minutos convencem a ver o resto.

Ana Oliveira