Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
7
Realização
7
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Bombay Begums é uma das apostas mais recentes da Netflix. A série indiana debruça-se sobre a história de cinco mulheres que tentam partir telhados invisíveis impostos às mulheres na cidade de Mumbai.

Decidi dar uma oportunidade a esta série: primeiro, porque nunca vi uma série indiana e gosto sempre de adicionar diversidade cultural ao meu leque de visualização; segundo, porque saiu exatamente no Dia Internacional da Mulher e é uma série produzida por uma mulher (Alankrita Shrivastava) sobre mulheres. Nada melhor do que espreitar a realidade das mulheres num país diferente do nosso ou dos que mais estamos habituados a ver no pequeno ecrã. É interessante ver as semelhanças das realidades de ser mulher, mas também todas as diferenças que acompanham a interseccionalidade.

No piloto de Bombay Begums ficamos a conhecer muito bem as protagonistas e todos os elos de ligação que poderão ser estabelecidos ao longo da temporada. São percetíveis os desejos e ambições de cada uma e são também diversos, pelo que permitem vários pontos de identificação para o espectador. Seja o desejo de ser uma CEO de sucesso, seja fornecer tudo o necessário aos filhos, ou ambos; seja quebrar tabus na sociedade… De certeza que cada pessoa consegue encontrar algo para si.

A nível de enredo, obviamente que não é nada super intrigante ou original, mas, mesmo assim, todos os detalhes culturais fazem valer a pena. Mas devo dizer que fiquei dececionada pelas personagens estarem constantemente a trocar o indiano pelo inglês. Sei bem que é uma produção da Netflix e há um limite para a autenticidade que a plataforma permite, mas em Dark ou Baby o idioma nunca foi sequer uma questão que se colocou.

Ainda assim, tenho lido bastantes críticas à série. A maioria são de homens; não sei se isso significa algo, é só um facto. Mesmo antes de estrear, já tinha uma pontuação abaixo de 2 no IMdB. Uma das críticas que apontam relaciona-se com o facto de a série guiar demasiado o pensamento do espectador e impedir reflexão, como por exemplo, ao incluir diálogos explícitos sobre as estruturas de poder e desigualdades em relação às mulheres. Na minha opinião, estas discussões são reais e realmente acontecem, pelo que, ainda que ache que, sim, acabam por guiar o espectador, não deixam de ser realistas. Não acho necessário deixar tudo nas entrelinhas.

Vou agora ver os restantes cinco episódios e aconselho-te a fazer o mesmo!

Ana Leandro