Classificação

9
Representação
2
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

[Contém spoilers]

* Começar As Quatro Estações de Vivaldi * Imaginem que Celeste de Big Little Lies tinha um passado em Nova Iorque. Um dia, um outro caso de polícia obrigou-a a fugir de uma vida que conhecia e a mudar-se para a Califórnia, onde conheceu as outras mães. Não é esta a história de The Undoing, mas bem podia ser.

David E. Kelley encontrou em Nicole Kidman a sua musa e continua a “usar” a atriz para encabeçar os seus projetos. O problema com o mais recente é que não se limitou à protagonista, mas também à temática, aos estereótipos, ao crime… Pouco ou nada sobra para destacar de fresco aqui, a não ser a visão de Susanne Bier (The Night Manager) na realização.

Celeste, perdão, Grace é uma terapeuta com um marido charmoso e bom pai (Hugh Grant), que esconde muitos segredos. Vê-se rodeada por uma sociedade de elite em que pouco se reconhece, mas com quem formou amizades fortes. Ocorre um homicídio e a inocente/não inocente mulher é obrigada a confrontar toda a sua vida. Os clichés culminam num detetive sexy (Édgar Ramírez) e numa misteriosa e pobre outsider (Matilda De Angelis) que coloca as carteiras ricas em tensão instantânea enquanto sofre em silêncio. O seu nome não é Jane, mas poderia ser. Se se estão a questionar porque é que esta história precisa de seis episódios, eu também pergunto o mesmo ao fim do primeiro.

Em retrospetiva, ninguém aparentemente merece ser culpado por um episódio tão pouco fresco. O primeiro inocente é o próprio episódio, que não tem culpa de ser uma cópia química de outro piloto ou qualquer outro mistério de crime na televisão dos últimos 20 anos. Hugh Grant mostra mais uma vez que é um ator talentoso, há um elenco secundário mais que competente, a cinematografia transmite tensão e, obviamente, Nicole Kidman é a estrela que se espera que seja, carregando tudo às costas. Talvez o único culpado pela falta de frescura ou entusiasmo para continuar a acompanhar a trama seja mesmo Kelley, que depositou todas as suas fichas numa fórmula que conhece e confiou que um elenco de luxo conseguiria esconder as suas fraquezas. Tenho más noticias: afinal de contas é o argumentista que coloca uma personagem confiante de si mesma, e praticamente sem razões para se sentir culpada, a comportar-se de maneira altamente suspeita à frente dos detetives… porque temos de encher seis episódios!

Não duvido que esta minissérie encontre o seu público, mas duvido seriamente que alguém se vá lembrar daqui a seis meses que ela passou na televisão. * Continuar As Quatro Estações de Vivaldi, para dar alguma alegria a este final *

Fica aqui o nosso agradecimento especial à HBO Portugal por ter disponibilizado o episódio para análise antes da estreia.

Vítor Rodrigues