Perfect Harmony – 01×01 – Pilot
| 28 Set, 2019

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Para os amantes dos filmes Pitch Perfect (Um ritmo perfeito, em português) e para os que gostam daquela comédia a roçar no drama (a olhar diretamente para ti How I Met Your Mother) a NBC presenteia-nos com Perfect Harmony. Recomendo?

Perfect Harmony centra-se em Arthur Cochran (Bradley Whitford), um antigo professor de Música de Princeton que se depara com o ensaio do coro de uma igreja numa pequena cidade. Aí, ele encontra um grupo de cantores promissores e, apesar de haver um “choque de sensibilidades”, Arthur e estas pessoas poderão encontrar umas nas outras aquilo de que precisam para reencontrar um pouco de felicidade.

Depois de ver Bradley Whitford em The Handmaid’s Tale é uma lufada de ar fresco vê-lo neste registo mais leve e cómico. “Nothing wrecks your life like love” e “God may listen to you, but I don’t” resumem bem o protagonista. O típico homem velho branco rezingão com cara de poucos amigos que gosta muito de se achar honesto e dizer a verdade na cara das pessoas sem se preocupar com os sentimentos de ninguém. Claro que este homem, se não fosse percetível já no piloto, sê-lo-ia mais tarde, sendo típico não deixa de ser um Grinch (tal como a personagem de Anna Camp, Ginny, lhe chamou): ele diz odiar pessoas, mas o que realmente odeia é estar sozinho. Nota-se ao longo do episódio que a par de ser rude e ter sérios problemas de atitude é um coração mole que ficou esburacado com a perda da sua mulher. Se não fosse uma boa pessoa, porque escolheria ele ajudar estes pobres coitados? Ainda assim, não romantizem o mau feitio, já passamos essa era.

Embora reconheça o protagonismo de Arthur na série, o piloto fez um bom trabalho na apresentação das restantes personagens – que ainda são bastantes. Em apenas 20 minutos fica-se com a sensação de as conhecer há anos. Todos recebem os seus traços de personalidade definidos, uma pequena background story e uma linha que conduzirá as relações que irão ter uns com os outros. Confesso que espero ver uma relação emocionante entre Cash (filho de Ginny) e Arthur que me faça rir e chorar – relações estilo neto/avô são o meu ponto fraco e o piloto apontou para isso.

Tenho também de tocar na prestação de Anna Camp porque… Pitch Perfect. Não acho que o sotaque do sul lhe assente muito bem, mas terei que me habituar porque não me parece que vá abandonar esta série tão cedo. Ela é doce e gentil, ponderada e pensa sempre no melhor para os outros, seguindo sempre a sua fé, sendo assim um belo contraste de Arthur.

Apresentar um tema de cantores é fácil, mas associá-lo à igreja e religião pode, por vezes, ser difícil e traiçoeiro, pelo que ainda estou para ver se vão saber fazer isso bem ao longo da temporada. Isto porque existem personagens muito devotas, e personagens que reviram os olhos à religião. Embora se trate de comédia, sou da opinião que se deve traçar bem uma linha para que ninguém que se identifique com alguma personagem se sinta ofendido.

O argumento em si parece-me básico, mas entretém. Se bem que é no mínimo estranho o quão mau o coro é, um exagero até (não me venham dizer que Anna Camp deixa de ser uma barden bella para cantar terrivelmente mal, não vou acreditar!) e o quão bom ele fica com meia dúzia de ensaios. E não se pode ignorar o facto de estes 20 minutos serem uma corrida: conhecemos as personagens, o objetivo delas (ganhar um concurso de coros – muito Pitch Perfect), começam por cantar muito mal, chega Arthur armado em professor, ensina-os, comete uns erros enquanto pessoa, redime-se, atuam e cantam incrivelmente bem. Isto poderia ser uma curta se o fim do concurso tivesse corrido como aconteceria num filme. Uma peripécia que começou e acabou num só episódio, que acaba por levantar a questão: se eles já estão tão bons a atuar qual a necessidade de Arthur nesta história?

O final surpreendeu-me e, assim, em tom de pista, digo que Perfect Harmony não é apenas para amantes de música religiosa, mas para amantes de música. A resposta é: sim, recomendo. Adorei o piloto e fiquei a querer passar mais tempo com estas personagens. Não sei como funcionará em termos de enredo ao longo da temporada, mas se for tão completo, emocional e divertido como o piloto, I’m in.

Ana Leandro

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