Classificação

7
Interpretação
6
Argumento
6.5
Realização

[Contém spoilers]

Após uma longa pausa, NeXt regressa com File #4, um episódio que terminou de forma explosiva (ha!), mas que, no geral, me desiludiu um bocadinho.

Antes de mais nada, temos de abordar a triste notícia do cancelamento da série pela FOX. É uma pena e ainda por cima tão cedo na temporada. Espero que pelo menos esta notícia se traduza numa temporada completa, com um início e um fim. Para mim, os piores cancelamentos são os que são feitas à última da hora, por isso vou aproveitar o tempo que me resta com a série. Por outro lado, não posso deixar de pensar que a série foi tragicamente prejudicada pelo adiamento para a Fall Season e depois esta pausa gigante por outros assuntos americanos a que a FOX quis dar prioridade. Enfim!

Voltando agora à programação habitual, neste episódio seguimos diretamente do ponto em que o terceiro episódio terminou. A Agente Salazar e Paul, ainda em choque com a morte do amigo, resgatam as hard drives e levam-nas de volta à delegação do FBI, numa tentativa de localizar novamente a origem do sistema NeXt. Mas, claro, não estão nem perto de descobrir a origem, principalmente depois do final deste episódio.

Tivemos também a introdução de Darron (Rian Jairell), um supremacista branco que é contactado pela NeXt para aniquilar o CM, da equipa do FBI. Saber mais acerca do passado do CM foi, para mim, a melhor parte do episódio. Já desconfiava que ele não podia estar completamente do lado dos supremacistas, mas não cheguei a considerar ele já ser alguém que estava infiltrado desde o início. Foi uma história interessante, apesar da trama deste episódio que andou à volta do protesto do grupo Rockridge ter sido bastante fraca. Achei que mesmo a cena da suposta “violência policial” relativa à manipulação do vídeo esteve um pouco aquém do que podia ter sido. Eles estavam chocados com o facto do vídeo multiplicar as suas visualizações em poucos segundos, como se isso não fosse exatamente o que acontece nas redes sociais todos os dias, principalmente nos Estados Unidos. Acho que foi uma tentativa de usar os assuntos do momento para os norte-americanos, como a violência policial e as fake news nas redes sociais, mas que acabou por não resultar muito bem, sendo até um pouco forçado. No entanto, tenho que admitir que o tema do uso da inteligência artificial para colocar as pessoas umas contra as outras e destruir a humanidade é assustador, mas muito relevante atualmente.

Passando a Ethan, ao pai e às suas aventuras na casa isolada, acho que foi uma espécie de preparação para algo maior que vai acontecer, porque as cenas desta semana foram também um pouco fracas. Mostram bem o estado em que o pai se encontra numa tentativa de proteger o filho, mas nada mais que isso.

Uma storyline que acho muito mais interessante é a de Paul e da sua paranoia cada vez maior. Até cheguei a duvidar se aquela conversa acerca dos resultados dos exames estava mesmo a acontecer ou se era tudo fruto da sua imaginação. Se for verdade, tenho pena da filha que está um pouco perdida no meio disto tudo.

Estou também expectante em relação ao envolvimento do irmão de Paul na NeXt e que papel é que ele tem nisto tudo. E, claro, expectante para saber o resultado do plot twist do fim do episódio!

File #4 foi um episódio com muita ação, mas com pouco foco. Acho que as reviravoltas são, sem dúvida, capazes de entreter, mas prejudicam o desenvolvimento mais lógico da história e das personagens. Por exemplo, considero que a tensão dos episódios anteriores fez muito mais sentido para a história e, neste caso, parece que atiraram uma série de momentos de choque para ver se conseguiam que o episódio funcionasse. Espero honestamente que tenhamos mais desenvolvimento da história nos episódios seguintes. Até lá!

Ana Oliveira