Classificação

8.3
Interpretação
7.5
Argumento
8.1
Realização
7.7
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Legacies regressa esta semana com um novo (e entusiasmante) episódio, I Thought You’d Be Happier to See Me, capítulo que marca o verdadeiro começo da sua 4.ª temporada e, assim, de uma nova etapa para a série.

Neste episódio, a nossa protagonista é localizada pela única pessoa que a pode ajudar, ninguém menos que Rebekah Mikaelson. Apesar de temer o caminho escolhido pela jovem Mikaelson, Rebekah faz os possíveis por chamar Hope à razão. Entretanto, Josie e Lizzie tentam manter a sua esperança numa situação aparentemente terrível, enquanto MG procura uma forma de ajudar. Por fim, Kaleb pede ajuda a Cleo para corrigir os erros do seu passado.

Correndo o (grande) risco de estar a largar foguetes antes da festa, parece que, após umas temporadas atribuladas, Legacies começa a querer entrar nos eixos. Ainda que mantenha a minha posição enquanto ávida defensora do estilo camp a que esta série ambicionava – e, de igual modo, continue a acreditar que esta diferença poderia ser a sua maior benesse –, sou forçada a admitir que, com este episódio, Legacies me fez lembrar, com algum grau de nostalgia, os bons velhos tempos de The Vampire Diaries e também The Originals, tendo canalizado a essência destas suas antecessoras no lançamento desta nova temporada. A esta altura, havia-se tornado dolorosamente claro que este spin-off precisava de uma mudança drástica de tom e direção, pelo que aceito esta nova fase da “vida” da série de braços abertos, apesar de lamentar o facto de não ter sido capaz de encontrar o seu footing de outro modo.

Mas basta de chorar sobre o leite derramado. A verdade é que esta alteração trouxe consigo uma melhoria clara de nível para Legacies, que consegue agora captar a minha atenção pela primeira vez desde o início da sua 2.ª instalação. Não só temos Hope como uma tríbrida completamente ativada e desprovida da sua humanidade nesta nova temporada (podes recordar aqui os eventos de See You On The Other Side), como também vemos as suas ações colocar em risco outros dos nossos personagens, algo que confere a Legacies um sentido de risco até agora inexistente. Por fim, o aparecimento de guest stars (como, neste caso, Claire Holt) surge não só como um chamariz, mas principalmente como parte natural da história a ser contada, algo que aprecio.

De facto, quem sai aos seus não degenera e Hope é, sem qualquer sombra de dúvida, uma Mikaelson. Embora não concorde de todo com a conotação negativa que tende a seguir este nome, percebo que os argumentistas da série optam por utilizá-lo desta mesma forma, escolhendo colocar em evidência as razões aterradoras pelas quais a família da nossa protagonista é conhecida. A verdade é que, apesar de a mera existência de Hope ser o suficiente para reacender esses mesmos medos, tratando-se a jovem Mikaelson do ser mais poderoso à face da terra neste seu mundo sobrenatural, é a sua atitude que surge como o mais preocupante e este episódio faz um trabalho bastante razoável ao clarificar que, da mesma forma que a nossa protagonista tem capacidade para fazer bens inimagináveis, é provida, também, do poder para causar danos imensuráveis quando contrariada.

É assim que Rebekah encontra Hope neste I Thought You’d Be Happier to See Me: sem a sua humanidade, a gozar uma vida livre de mágoa, culpa ou quaisquer tipo de remorsos. Em vários aspetos, é a cópia exata de Niklaus; um papel que Danielle desempenha com tremenda naturalidade. Longe do seu Super Squad, Hope age de forma irresponsável, atraindo a atenção indesejada de personagens do seu passado – como será o caso, imagino, de Aurora de Martel, que aparenta ser a vilã por detrás da chamada que Hope recebe no final deste episódio. Com a derrota de Malivore praticamente assegurada pelo episódio anterior, a Triad (que, recordo, tem as suas origens na 1.ª temporada de Legacies e representa as linhagens originais de vampiros, bruxas e lobisomens que procuram manter o mundo sobrenatural resguardado dos seres humanos) regressa das sombras e vira a sua atenção para a nossa protagonista, que surge assim como a mais recente espécie de monstro e, deste modo, como o seu novo alvo a abater. Não sei até que ponto será sensato perseguir um ser que, ao que tudo indica, é incapaz de morrer, mas certamente será interessante ver de que modo esta storyline se desenvolverá – ainda para mais sabendo que Hope tende a enfrentar os seus inimigos de cabeça erguida, sem grande planeamento prévio.

Para além deste caminho destrutivo em que Hope se encontra – que, sem dúvida, irá culminar num episódio emocionalmente exaustivo quando a nossa protagonista recuperar a sua humanidade e for forçada a lidar com as consequências das suas ações –, adorei também este breve regresso de Rebekah ao universo de The Vampire DiariesA personagem de Claire Holt sempre foi das minhas favoritas na série, tendo sido a grande responsável pela minha transição para The Originals, pelo que fiquei aliviada em ver que Legacies lidou com a sua integração neste episódio da melhor forma, trazendo a personagem de volta à vida de Hope na altura apropriada e sem que esta ofuscasse a nossa protagonista. De igual modo, as referências feitas às predecessoras deste nosso spin-off contribuíram em muito para a nostalgia por mim sentida, em especial com a tentativa de Rebekah de colocar Hope a dormir com uma das infames adagas de que ela própria foi alvo. Apesar de a sua presença na série ter sido breve e de a personagem não ter sido capaz de alcançar o seu objetivo, fiquei com a sensação de que não será a última vez que veremos a tia de Hope e, assim, outras personagens do seu passado, algo que deveria ter sido adotado como prática comum em Legacies há bastante tempo.

No entanto, parece que uma das personagens mais antigas deste nosso universo parece estar a chegar ao fim da sua longa jornada. Refiro-me, é claro, a Alaric Saltzman, que se encontra em estado crítico depois de Hope o ter usado para enviar uma mensagem que os seus colegas e amigos apenas podem interpretar como “fiquem longe, ou serão os próximos”. Será que acredito verdadeiramente que Legacies tem o que é preciso para tomar a decisão de colocar um termo definitivo à vida deste personagem? Na realidade, não, mas estou mais do que pronta para dizer adeus a Alaric, por isso aceito o que os argumentistas me oferecerem. Alaric nem sempre foi o melhor pai, ou pessoa, ou headmasterBom, digamos apenas que, de positivo, o personagem tem pouco, pelo que sinto que está na altura de o deixar partir – em especial se isso significar um avanço nas storylines de Josie e Lizzie. 

De facto, achei que todas as cenas entre a família Saltzman em I Thought You’d Be Happier to See Me foram um tanto dececionantes. Não consigo apontar ao certo que elemento falhou, mas algo estava em falta, pelo que aquilo que de mais importante retirei desta narrativa foi o facto de Josie e Lizzie não estarem de acordo no que diz respeito ao castigo a que Hope deverá ser submetida pelo que fez ao personagem. Se, por um lado, vemos um lado mais vingativo de Lizzie, o seu desdém pela nossa protagonista reativado; por outro, Josie parece ter uma abordagem muito mais comedida, querendo ouvir o lado de Hope antes de tomar qualquer tipo de decisão. Estou verdadeiramente curiosa em ver de que forma o sucedido afetará a relação entre as gémeas e se será possível Hope redimir um ato tão atroz.

Por fim, sabemos já que Legacies consegue sempre arranjar tempo para algum romance por entre os seus momentos mais sérios e, desta vez, esse holofote recai sobre o triângulo amoroso entre Ethan, Lizzie e MG. Sendo honesta, não sinto grande envolvimento pessoal em relação a esta narrativa, sendo a minha preferência pela relação entre Lizzie e MG há muito conhecida. No entanto, agrada-me o facto de ambos os personagens estarem preparados para apoiar Lizzie quando esta mais necessita, do mesmo modo que fico feliz em ver que Ethan e MG são bastante civilizados no que diz respeito à escolha que a personagem terá de fazer. Neste momento, pelo menos, nenhum está propriamente preocupado em ‘ganhar’ o afeto da jovem Saltzman nem em sabotar o outro, adotando uma postura muito mais relaxada e, na minha opinião, saudável quando comparada aos triângulos amorosos a que estávamos acostumados em The Vampire Diaries, por exemplo. Não estou particularmente preocupada em ver o seu desfecho, mas reforço que espero que culmine com uma relação entre Lizzie e o jovem Milton.

Também Kaleb e Cleo tiveram o seu momento, chegando a partilhar o seu primeiro beijo. Honestamente, fico feliz por ambos, pois passaram por imenso nestes últimos capítulos da série. Agora, Kaleb continua a lidar com as consequências da sua traição a Hope e ao Super Squad (que teve o seu começo em We All Knew This Day Was Coming), assim como o facto de ter tomado o partido de Malivore. Acho sensato assumir que levará algum tempo até o grupo confiar novamente no nosso vampiro, mas mantenho o meu apreço por Kaleb e sei que este se esforçará por merecê-lo.

De um modo geral, gostei imenso deste novo capítulo da série, de um modo que há muito não me era possível. Apesar de, em determinados aspetos, ter ficado um pouco desiludida porque esperava algo mais, reconheço que Legacies está a melhorar a olhos vistos e estou extremamente ansiosa em ver o que o futuro reserva à série e às suas personagens. Apenas os próximos episódios dirão se os argumentistas serão capazes de manter este recém-adquirido nível de storytelling, assim como o ritmo e tensão criados nestes últimos capítulos. Espero que a série conte com mais cameos ligados ao passado das nossas personagens, em especial de Hope, e no que diz respeito ao resto, bom… Eu cá tenho a minha bucket list, que manterei em segredo, por agora.

I Thought You’d Be Happier to See Me encontra-se já disponível para visualização na plataforma de streaming HBO Portugal. O próximo episódio de Legacies, intitulado You’re A Long Way From Home, chega ao nosso país na manhã de sexta-feira.

Inês Salvado