Classificação

7
Interpretação
5.5
Argumento
6
Realização
7.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Uma nova semana trouxe consigo um novo episódio de Grey’s Anatomy, que regressa agora após um breve hiato com You’ll Never Walk Alone – episódio que simboliza o retorno de um personagem do passado de Meredith, Richard e Miranda à série.

De forma bastante resumida, neste novo episódio, Owen enfrenta um diagnóstico que o desafia mais do que este imaginava ser possível. Entretanto, Koracick começa a sentir os efeitos do seu isolamento e, por fim, Maggie descobre um pouco mais sobre o passado de Winston. Esta parece ser uma sinopse um bocadinho “sem sal,” certo? Se a vossa resposta é sim, então não se preocupem porque o episódio também o foi.

Comecemos, no entanto, por tirar o coelho da cartola. Com o agravar da condição de Meredith, esta passa agora os seus dias de internamento a dormir, quase como se estivesse em coma – e, consequentemente, a passear pela sua dreamscape. Este local criado pelo seu imaginário, algures entre o mundo dos vivos e dos mortos, permitiu que a médica tivesse um reencontro com Derek nos episódios anteriores. Agora, é George O’Malley, o nosso infame 007, quem visita a Dr.ª Grey, trazendo alguma closure ao personagem e, também, uma nova perspetiva a Meredith, que acreditava, de forma errónea, que todos aqueles que a amam seriam capazes de seguir em frente na eventualidade de esta não sobreviver.

Ainda que, como podem já ter adivinhado, este episódio não tenha sido o meu favorito, tenho de dar créditos à série quando esta o merece e o regresso de O’Malley é um desses momentos. É, de facto, algo de que não estava à espera, mas, sendo honesta, também não antecipava o regresso de Derek, dadas as várias controvérsias que parecem assombrar todas as saídas de atores desta série. Quem sabe, talvez um dia terei a felicidade de ver Lexie novamente, ainda que não esteja propriamente a suster o fôlego de antecipação por esse momento.

O resto do episódio (com a exceção de alguns momentos sobre os quais falarei mais à frente) foi, de forma bastante direta, completamente desinteressante. Teddy e DeLuca tentam convencer Richard a consentir que Meredith seja submetida a um tratamento experimental, mas nem a luta por parte de ambos, nem a reticência de Richard produzem qualquer tipo de impacto emotivo na audiência. Entretanto, Maggie é colocada numa posição algo constrangedora ao descobrir, no meio de um jantar virtual, que Winston e o seu pai não têm uma boa relação – algo que, novamente, não produz grande efeito, uma vez que o personagem e a sua relação com Maggie são elementos relativamente novos à série. Já Koracick faz figura de idiota ao insistir em regressar ao trabalho por estar assintomático, quando deveria saber melhor que ninguém que tal não é permitido.

Um pouco melhor, talvez, (mas não muito) foi o facto de Owen se ver forçado a confrontar os seus próprios preconceitos, chegando à conclusão que, de forma a tratar todos os seus pacientes igualmente, terá, em primeiro lugar, de reconhecer as suas diferenças. Esta é uma mensagem bastante importante, não só para o campo da medicina como também na generalidade, mas que perde algum impacto ao ser abordada de forma bastante leviana no decorrer deste episódio. No entanto, admiro a atitude de Nico em confrontar Owen ao invés de deixar a tarefa para Tseng. Fez-me apreciar um pouco mais o personagem, em especial após as atitudes questionáveis que tem vindo a demonstrar ao longo da sua jornada na série.

Igualmente aceitáveis foram as cenas entre Amelia e Link e toda a narrativa em torno dos diferentes mecanismos que cada um tem para processar os seus sentimentos. Agrada-me que, apesar das suas perspetivas opostas em relação a esta forma de lidar com as emoções, ambos foram capazes de chegar a um lugar comum de entendimento, tendo resolvido assim este pequeno percalço na sua relação ao invés de o deixar tomar proporções desmedidas.

Por fim, à semelhança do sucedido em All Tomorrow’s Parties, Jo e Jackson aparecem, para mim, em You’ll Never Walk Alone, como a luz ao fundo do túnel neste novo episódio de Grey’s Anatomy. Mais uma vez, as suas cenas proporcionam um tom algo cómico à série que me faz relembrar, de certa forma, as suas origens e os (muitos) casos entre médicos. Sendo Jo e Jackson personagens que aprecio a nível individual, não me oponho a uma relação entre ambos, ainda que (por agora, isto é) esta seja de “amigos coloridos”.

Como sempre, podem acompanhar Grey’s Anatomy todas as quartas-feiras às 22h20, na Fox Life Portugal.

Inês Salvado