Classificação

7.6
Interpretação
7.4
Argumento
7.5
Realização
7.5
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

Na passada quinta-feira, Grey’s Anatomy teve o seu regresso com Help Me Through the Night, o primeiro episódio da série desde que foi anunciada a partida de Justin Chambers.

Neste novo episódio retomamos o acidente ocorrido no bar do Joe. Já após os esforços por parte dos bombeiros da 19.ª Estação (até porque este episódio representa a segunda parte de um crossover com Station 19), os médicos do Grey Sloan trabalham pela noite para tentar salvar as vidas dos seus colegas. Entretanto, Amelia preocupa-se em partilhar as novidades sobre a sua gravidez com Link e, enquanto Owen e Teddy tomam um novo passo na sua relação, Bailey lida com a dor da sua perda recente.

Help Me Through the Night surge no rescaldo de vários acontecimentos de alguma importância, sendo o mais relevante a colisão de um carro contra o bar, o qual fez vários feridos, de entre os quais alguns dos nossos residentes. Tragédias deste género são já familiares a Grey’s e, de cada vez que acontecem, a audiência é deixada com uma grande questão: quem irá morrer desta vez? Ora, se há algo em que este acidente difere de todos os outros é exatamente isto: não existe uma body count para este episódio. Ainda que uns tenham sofrido mazelas mais sérias que outros, todos os residentes vivem para ver um novo dia.

Agrada-me que a série tenha tomado esta decisão, até porque acho que não é propriamente a altura apropriada para causar mais trauma às nossas personagens – especialmente a Bailey. Ao ver este episódio, não pude ignorar a lembrança da morte de Charles Percy, na 6.ª temporada. Para quem não se lembra, o residente cirúrgico disse as suas últimas palavras no colo de Bailey, tendo sido vítima do atirador que causou o caos no hospital. É uma experiência que, decerto, Bailey nunca esquecerá e sobre a qual deve pensar cada vez que um dos seus residentes se encontra em perigo de vida. Tendo em conta não só as suas experiências traumáticas, mas também o aborto que sofreu no episódio anterior, parece-me que a série tomou a decisão acertada ao deixar que todos sobrevivessem.

Já menos credível foi o regresso miraculoso ao mundo dos vivos por parte do paciente de Maggie Pierce – sim, aquele cuja morte fez com que a médica se despedisse do seu emprego. Ainda que seja algo de bom para Pierce, questiono-me se é o suficiente para a fazer regressar ao hospital. Não me parece que será assim tão fácil, até porque, de forma bastante previsível, Pierce é agora acusada pelos seus próprios familiares da morte da sua prima, que ocorreu no passado episódio 7.

Entretanto, toda a situação entre Amelia, Link, Owen e Teddy continua a ser completamente desnecessária e a ocupar espaços do episódio que distraem e tiram impacto a narrativas que deveriam ser mais pesadas (neste caso, o próprio acidente).

Falando agora um pouco sobre Jo e Alex, tornou-se bastante aparente, durante este episódio e em comparação com o anterior, que os escritores da série tinham algo em mente para o casal que simplesmente não pode ser realizado. A maneira como Let’s All Go to the Bar apresentou a narrativa de Jo e do bebé não condiz em nada com a resolução desse conflito neste novo episódio, o que me dá a entender que a saída abrupta de Chambers forçou a uma mudança, também ela repentina, do guião. Se, na minha review anterior, referi a possibilidade de Jo e Alex virem a constituir família, essa ideia parece agora completamente descartada, restando apenas saber de que forma irão dispensar o personagem da série de forma mais permanente do que a desculpa dada de ter ido visitar a sua mãe.

Espero ainda que Grey’s não volte a colocar Meredith e DeLuca juntos simplesmente para que o novo médico possa surgir como interesse amoroso de Jo, após a saída de Alex. De igual modo, não tenho qualquer interesse num novo triângulo amoroso entre Hayes, Meredith e Andrew.

A realidade é que a gradual saída de atores principais de Grey’s Anatomy está intimamente ligada com o meu interesse na série e acredito que este é também o caso para muitos outros fãs de Grey’s. Com isto não quero dizer que a série não pode continuar a ter sucesso sem eles, mas certamente tem de se esforçar um pouco mais para cativar a sua audiência. Infelizmente, acho que o conhecimento de que Alex não regressará à série influenciou de grande forma o meu interesse neste episódio, pelo que não o achei um arranque muito forte para a segunda metade desta temporada.

Inês Salvado