Classificação

7.8
Interpretação
7.5
Argumento
7.7
Realização
7.5
Banda Sonora

Atenção: esta review pode conter spoilers!

Uma nova semana trouxe consigo mais um episódio de Grey’s Anatomy. Tendo como título a canção de Madonna, Papa Don’t Preach assinala o regresso de Catherine a Seattle. A médica nada sabe sobre o sucedido entre Jackson e Maggie e a sua própria relação com Richard já viu melhores dias. Entretanto, Owen e Amelia tratam de uma mulher que caiu na cave de sua casa e rapidamente se apercebem que a sua história é bastante mais complicada do que aparenta. Por fim, Maggie fica chocada ao conhecer alguns parentes de Richard que procuram ajuda.

Já há algum tempo que Grey’s não tinha um episódio tão fortemente focado em Maggie e muito menos um em que a médica não me irritasse tanto quanto é costume. Não é segredo que, recentemente, a personagem não me tem interessado muito – para além da sua ex-relação com Jackson, da qual já não posso ouvir falar, pouco se tem passado na vida de Maggie. Isto é, até agora.

Como foi já mencionado, tudo muda quando o irmão e sobrinha de Richard chegam a Seattle e dão de caras com Maggie no antigo local de trabalho do médico. De forma quase imediata, Sabrina e Maggie sentem uma conexão. Afinal, as duas partilham os mesmos interesses e, fisicamente, quase que podiam ser irmãs, mas sendo Grey’s a série que estamos a ver, sabemos já que não há bela sem senão. A verdade é que Sabrina aparece agora na série por ter um enorme tumor cardíaco que precisa de atenção urgente. Surpreendentemente, não está à procura de Maggie, mas, em verdadeiro estilo Grey’s, claro que a médica está no lugar certo na hora certa.

Apesar da relutância por parte da família de Richard em deixar que seja Maggie, uma familiar, a realizar a operação, os médicos conseguem convencer o pai de Sabrina, descartando essa preocupação de forma quase descuidada, mas, na opinião deles, justificada. Afinal, Maggie é a melhor hipótese de Sabrina e disso não temos qualquer dúvida. Para além disso, Sabrina é praticamente uma estranha, alguém que a médica não conhecia sequer até agora, pelo que questões emocionais provavelmente não viriam afetar o seu desempenho. Infelizmente, e de modo também previsível, nem todo o talento de Maggie é o suficiente para salvar a sua prima, que, por não responder de forma eficaz à medicação anti-coagulante usada durante a operação, acaba por falecer.

Sabemos que a nossa Dr.ª Pierce fez tudo ao seu alcance para salvar Sabrina, mas isso pouco importa a Chris Webber, que perde aqui a sua filha. Este evento irá, certamente, afetar a relação entre Richard e o seu irmão, assim como afetará Maggie no futuro (ou, pelo menos, assim espero). Não quero que Grey’s simplesmente passe à frente do sucedido e não acredito que o venham a fazer. Perder um familiar, especialmente alguém tão semelhante a si mesmo, é algo que não seria aceite de forma leve e estou ansiosa por ver o que a série tem em reserva para o futuro de Maggie.

Ligada à história de Maggie neste episódio esteve, naturalmente, a narrativa de Richard. Para além do reencontro com o seu irmão (que, podem calcular, não correu da melhor forma), continua a lidar com Gemma e, também, com Catherine. Devo dizer desde já que não aprecio nada esta narrativa. Acredito que Richard não é a mesma pessoa que foi em tempos e Catherine, apesar de distante, não merece ter de viver em dúvida sobre o que este poderá ou não vir a fazer – não que Catherine seja alguém que não se sabe defender, como até vimos neste episódio. Honestamente, acho que Gemma precisa de aprender e aceitar qual o seu lugar e se não é capaz de manter uma relação de amizade com Richard, então deveria partir. Claro que o mesmo se aplica a Richard, que, mais tarde ou mais cedo, terá de tomar algum tipo de decisão.

Por fim, não poderia dar este artigo por terminado sem antes falar sobre Amelia e Owen, a recorrente pedra no meu sapato em Grey’s. Sempre que penso que Owen está a fazer qualquer tipo de progresso, acaba por voltar a descer vários pontos na minha consideração. Desta vez, isto deve-se tanto à forma como tratou a sua paciente, de modo muito pouco profissional, como também à maneira como lidou com Amelia. Não cabe ao médico ter uma opinião sobre as decisões que outras pessoas tomam sobre a sua própria vida, muito menos ficar chateado acerca do assunto. Nem mesmo quando essa pessoa é a sua ex. Irrita-me que Amelia tenha sentido a necessidade de pedir desculpa por basicamente se sentir pronta para uma coisa que, quando estava com Owen, não queria. Acho que Amelia tem todo o direito a mudar a sua vida e ser feliz, da mesma maneira que Owen se sente (ou devia sentir) feliz com Teddy, Allison e Leo. Sei que o final do episódio o tentou redimir, mas não acho que o tenha conseguido fazer.

Inês Salvado