Classificação

8
Interpretação
8
Argumento
7.7
Realização
7.5
Banda Sonora

[Contém spoilers.]

“Kate’s a hero… In the suit and out of the suit. They’re right, mama. What am I doing wearing the suit of a hero when I couldn’t even save you?”

Após um longo e atribulado hiato, Batwoman regressa agora com uma nova temporada – e, também, com uma nova protagonista. Whatever Happened to Kate Kane? marca o debut de Javicia Leslie na série e apresenta um novo desafio tanto à atriz, que assume pela primeira vez o infame fato vermelho e negro, como aos escritores da série, incumbidos com a árdua tarefa de restabelecer o rumo de Batwoman após a abrupta saída da sua antiga personagem principal.

Ao contrário do sucedido no início da temporada anterior, entrei para esta segunda instalação de Batwoman com algumas expectativas e, também, com alguns receios. A verdade é que, ao longo dos vinte episódios que compreenderam a primeira temporada da série, desenvolvi um apreço por aquilo que esta era e poderia vir a ser, e a situação incerta em que nos vimos imediatamente após a saída de Ruby Rose abalou um pouco o sentimento de segurança e até mesmo de confiança que tinha em relação ao futuro de Batwoman. Mas a verdade é que, em retrospetiva, esta mudança de lead pode-se vir a provar um mal que vem por bem e, após ter visto e revisto este novo episódio, acredito que assim o seja. Fiquem comigo.

Contextualizemo-nos: neste novo episódio, os amigos e familiares da nossa heroína tentam agarrar-se à ideia de que Kate ainda pode ser encontrada, após um fatídico incidente de avião causar o seu desaparecimento. É no local da colisão que Ryan Wilder, uma jovem sem-abrigo vê a sua vida mudar ao encontrar, por entre os fragmentos do avião, o batsuit de Kate. Aqui, Ryan vê a oportunidade de, por uma vez na sua vida, não ser a vítima da sua história e, com a ajuda do fato, enfrentar as várias ameaças com que lida nas ruas de Gotham. Entretanto, Jacob e Luke dão início a buscas por Kate, enquanto Mary e Sophie tentam lidar com esta perda e, no caso de Sophie, com tudo o que deixou por dizer à sua ex. Por fim, o facto de alguém ter chegado a Kate antes de Alice e ter, assim, arruinado os seus planos de vingança lançam a personagem numa nova onda de terror, ao mesmo tempo que Bruce Wayne (ahem, Tommy Elliot – se precisarem de refrescar a vossa memória, podem ler tudo sobre o assunto na minha review anterior) regressa sob o pretexto de ajudar a encontrar Kate, quando na realidade apenas quer tomar posse do batsuit. Este episódio culmina, assim, com uma luta entre impostores quando Ryan e Tommy se enfrentam face-a-face.

Se parece que aconteceu muito neste primeiro episódio, é porque realmente foi repleto de ação (e emoção) do início ao fim. De facto, sou da opinião que os escritores de Batwoman fizeram um tremendo trabalho a “arrumar a casa,” não só trazendo a uma conclusão, permanente ou temporária, alguns assuntos levantados ao longo da temporada anterior, como, com igual mestria, foram capazes de dar continuidade a outros tantos, adaptando o seu propósito original – tudo enquanto criavam uma nova e cativante personagem e estabeleciam a sua relação com as caras que já nos são familiares.

Tendo seguido a atriz desde que o seu casting foi anunciado, tenho a dizer que Leslie traz muito de si à série e a Ryan, não só por escolha própria mas também por iniciativa dos próprios escritores, o que se reflete numa prestação que tem muito de genuíno, destacando-se quando comparada à de Rose. Apesar do seu passado sombrio, marcado pela morte da sua mãe e por uma série de eventos que a demarca tanto dos criminosos de Gotham como dos seus ditos protetores, Ryan é uma personagem carismática, com motivação e garra, que em muito difere de Kate Kane – mas não tanto quanto ela própria pensa. Encaixa com naturalidade entre Mary e Luke, ainda que este último não esteja tão aberto à possibilidade de Gotham ter uma nova vigilante, e tem uma vendetta pessoal contra Alice e os Crows, mantendo assim as várias personagens auxiliares ligadas à nova personagem principal.

De entre os vários elementos da temporada anterior que, de uma ou outra forma se resolveram neste episódio, destaca-se, desde logo, o grande plano de Alice, ao qual a personagem admite já neste episódio. Desde o momento da queda do avião, torna-se claro que Alice se sente insatisfeita com o aparente desfecho da sua irmã. Afinal de contas, a nossa vilã de estimação queria obter kryptonite não para matar a nossa ex-Batwoman, mas sim para a oferecer a Jacob de modo a que este realizasse o serviço, matando assim a sua própria filha. Ainda que acredite que, lá no fundo, Alice esteja a sofrer com a morte da sua irmã e não apenas com o falhanço do seu plano, não nego à personagem a satisfação de ter revelado a Jacob que a vigilante que tem vindo a caçar é nada mais nada menos que a sua filha, que (aparentemente) morreu a pensar que o seu pai a odiava. Oops.

Isto leva-nos, é claro, a outro aspeto recorrente da primeira temporada que ficou agora resolvido. Falo da identidade secreta de Kate, que apenas se mantinha um segredo para Jacob – que, graças a Alice, está agora a par da situação – e Sophie. A ex-namorada de Kate descobre agora a verdade sobre a sua vida dupla ao ler uma carta que lhe foi deixada pela própria, onde Kate admite ser Batwoman e lamenta não ter lutado mais pela sua relação. A admissão tem um forte impacto em Sophie, e certamente virá a influenciar, de forma negativa, a sua relação com Julia – ainda para mais tendo em conta que a filha de Alfred sempre soube que Kate era Batwoman.

Por sua vez, basta a Julia uma interação com Bruce Wayne para perceber que aqui há gato. Com rapidez eficácia, revela a verdadeira identidade do impostor a Luke e Mary e, por fim, Ryan dá conta do serviço, sendo Tommy levado de novo para Arkham (que, esperamos, terá reforçado a sua segurança desde a sua última fuga). Tudo está bem quando acaba bem!… Ou não. Porque Ryan está agora infetada com kryptonite e só o futuro dirá de que forma a substância a irá afetar.

De volta a Alice e dando continuação à temporada anterior, é revelado, no final do episódio, que o que quer que seja que aconteceu a Kate foi orquestrado por Safiyah – personagem a qual tem vindo a ser mencionada de forma bastante significativa ao longo da série, e que fará, por fim, a sua primeira aparição algures no decorrer desta temporada. Nas palavras de Safiyah, estão agora quites uma vez que se viu livre de Kate, ainda que Alice não pareça apreciar de todo este “favor”.

De forma geral, creio que Whatever Happened to Kate Kane? não só cumpriu como superou o seu objetivo enquanto a season premiere que tinha o mundo às suas costas. Enquanto fã da série, senti alguma tristeza, mas sobretudo satisfação, em ver o fechar de um capítulo, compreendendo o que deixamos para trás, e euforia ao ver o promissor início de uma nova etapa repleta de possibilidades para Batwoman. Acredito que as peças estão todas alinhadas para que tenhamos uma emocionante segunda temporada, e resta-nos apenas teorizar sobre o que o futuro nos tem reservado.

P.s.: Podemos falar sobre o batmobile nos comentários?

Podem ver este ou os anteriores episódios de Batwoman através da HBO Portugal, estando os novos episódios da série disponíveis na plataforma às terças-feiras, dois dias após a sua estreia no seu país de origem.

Inês Salvado