Classificação

7.7
Interpretação
7.6
Argumento
7.6
Realização
7.5
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

“Kate thinks she knows what she’s doing, which can be worse than most people not knowing what they’re doing.”

Uma nova semana trouxe consigo a primeira season finale de Batwoman com O, Mouse! – episódio que não era suposto aparecer como final desta temporada, mas que nem por isso desilude.

Neste novo episódio, quando um dos velhos heróis de Gotham regressa à cidade, Batwoman e o Comandante Kane veem-se na defensiva. Enquanto isso, Alice descobre a arma secreta para eliminar Batwoman, mas começa a perder controlo sobre Mouse e Hush. Luke lança-se ao trabalho para encontrar algo que proteja Kate, enquanto Mary tem uma oportunidade para ser a irmã de quem Kate sempre precisou. Por fim, novas informações levam Julia a alertar Sophie sobre a ameaça que agora enfrentamos e Jacob tem um último stand-off com Batwoman.

Ainda que O, Mouse! não tenha sido pensado como final de temporada para Batwoman, é inegável que o episódio proporcionou à sua audiência vários plot twists, revelações e momentos dramáticos merecedores de um.

O pico emocional deste episódio é, sem dúvida alguma, algo que se tem vindo a construir desde o momento em que Alice e Mouse se viram enclausurados em Arkham. Após os eventos de A Secret Kept From All the Rest, os dois veem-se mais uma vez perseguidos pelas ruas de Gotham, para grande desagrado de Jonathan. O cúmplice de Alice encarava o asilo como uma nova oportunidade e ambicionava a que a irmã de Kate deixasse para trás a sua vida de crime de uma vez por todas, mas a sede de vingança de Alice não permitiu tal. Assim, a vilã da série acaba por trair o seu companheiro, que se despede agora de Batwoman após morrer envenenado. É verdade que Mouse não era o meu personagem favorito, mas estaria a mentir se dissesse que a sua morte não me afetou um pouco. Afinal de contas, Jonathan é produto da mesma casa de horrores que transformou Beth em Alice e, da mesma forma que simpatizo com a supervilã de Gotham, tenho pena que este tenha sido o desfecho do seu compincha.

Com o fiel Mouse fora da equação, Alice conta agora com a ajuda de Hush para levar a cabo o seu plano. Este passa por finalmente conferir a Tommy Elliot uma nova identidade – a do desaparecido Bruce Wayne. É Warren Christie quem dá a face ao impostor que se faz passar pelo primo de Kate e Alice, na esperança de vir a obter kryptonite para, assim, derrotar de uma vez por todas o morcego. Levantam-se desde logo algumas questões em relação às origens do fato de Kate (talvez uma parceria entre Bruce e Clark?), mas o que é certo é que Kate poderá ver-se em maus lençóis numa próxima temporada.

No entanto, Alice não é a única pessoa em Gotham determinada a travar a nossa Batwoman. Jacob continua a sua missão contra a vigilante, mostrando-se mais implacável que nunca ao trair Kate após esta o ajudar com o mais recente vilão da semana. O líder dos Crows ordena a sua equipa a abater a nossa heroína da mesma forma que o fizeram com Titan, mas Kate é capaz de escapar ilesa graças ao seu fato. É ainda demasiado cedo para prever exatamente qual será o desfecho deste conflito, mas podemos dizer com alguma segurança que a atitude de Jacob para com Batwoman resultará em tensões acrescidas não só com as suas filhas, mas também com as suas funcionárias.

Ainda no seguimento do episódio anterior, a presença de Safiyah continua a fazer-se sentir através de ameaças feitas a Julia e, por associação, a Sophie. A nossa Tuxedo One vê-se na obrigação de contar a verdade (erm… qualquer coisa como isso) à agente dos Crows quando um conjunto de fotografias de ambas – fora do contexto de trabalho – é entregue no seu quarto de hotel. Parece que se avizinha um futuro complicado para a relação entre as personagens, não por não serem capazes de lidar com a ameaça que as aguarda, mas sim porque esta certamente levará à grande revelação da identidade secreta de Kate.

No geral, esta foi uma sólida 1.ª temporada para Batwoman, que veio a provar que, por vezes, as aparências iludem. Aquilo que começou como um episódio piloto razoável rapidamente veio-se a tornar numa das minhas séries favoritas do Arrowverse, capaz de produzir todo um conjunto de storylines, ligadas entre si, que a mantiveram interessante do início ao fim. Aplaudo o esforço por parte de todos os envolvidos na criação desta série e espero apenas que esta energia se mantenha (e, se possível, se eleve) numa 2.ª temporada, com estreia marcada para 2021.

Por fim, resta-nos apenas dedicar um momento para pensar sobre o futuro (incerto) da série. Como sabem, no início desta semana foi anunciado que Ruby Rose não iria regressar a Batwoman para uma nova temporada, abandonando assim o seu papel enquanto personagem principal. As novidades chegaram como um autêntico choque para a audiência e sem dúvida irão representar mudanças no rumo desta temporada que se avizinha. Ainda que tenha imenso receio de um recast, acredito que Batwoman tem uma oportunidade única nas habilidades de Alice para fazer com que isto resulte da melhor forma. Afinal de contas, numa série em que face-swapping é uma prática relativamente comum, tudo pode acontecer. Apesar das minhas reservas, tenho um elevado grau de confiança na equipa por detrás desta série e acredito que farão o melhor possível, dadas as circunstâncias.

Inês Salvado e Margarida Rodrigues