Classificação

6.1
Interpretação
6.7
Argumento
6.4
Realização
6.1
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

No passado domingo, a família da DCTV voltou a crescer com a estreia de Batwoman, na CW. Com Ruby Rose no papel icónico de Kate Kane, Batwoman tem o seu início três anos após o desaparecimento de Batman (e Bruce Wayne) de Gotham. Acontecimentos inesperados forçam Kate a regressar a casa, onde rapidamente percebe o seu próprio potencial para trazer esperança de volta à sua cidade.

Desenvolvida por Caroline Dries e Greg Berlanti, Batwoman está já em desenvolvimento há algum tempo, tendo sido anunciada dois meses após Kate ter feito a sua primeira aparição no Arrowverse, em dezembro de 2018, durante o crossover anual destas séries. Desde então, a série tem sido fortemente criticada pelo seu casting, pelas suas personagens, pela sua temática, pelo seu posicionamento… Enfim, por tudo um pouco. Ora, tendo visto todas as séries da DC desde Arrow a Black Lightning e sendo uma fã de banda desenhada, não podia deixar passar a oportunidade de espreitar esta série, muito menos depois de ver tantas opiniões pré-formadas sobre a mesma.

Começo então por dizer que entrei nesta série sem grandes expectativas. Ainda que não me deixe levar por opiniões alheias, a verdade é que já vi outras prestações de Ruby Rose e não é, de todo, das minhas atrizes favoritas. Posto isto, a verdade é que Batwoman me surpreendeu pela positiva, pelo menos neste aspeto. Rose acaba por “encaixar” na ideia que eu tinha de Kate muito melhor do que aquilo que esperava, apesar de acreditar que existe ainda bastante espaço para melhorar. Na verdade, a prestação dos atores foi o menor dos meus problemas com este episódio piloto.

O início de Batwoman partilha algumas parecenças com o de Supergirl, The Flash e, na minha opinião, Arrow em particular (algo que é de esperar, tendo em conta que partilham também produtores e canal televisivo). À semelhança de Arrow, é mais séria do que as duas primeiras, sem muitas das piadas e brincadeiras que associamos tanto a The Flash como a Supergirl — e muito menos a Legends of Tomorrow. Este tom é também transmitido pelas personagens, pela gradação de cor usada ao longo da série e por outros aspetos que conferem a Batwoman uma identidade visual e sonora muito própria. Esta habilidade de se distinguir das restantes apesar das suas semelhanças é algo que a série tem a seu favor; apesar de ser mais uma série de super-heróis, tem a sua própria identidade. E, de certa forma, é isso que faz com que séries como esta continuem a ter algum sucesso.

As próprias personagens funcionam a favor da série. Apesar de ser impossível explorar todas num primeiro episódio, vemos Rachel Skarsten (Lost Girl) interpretar uma vilã convincente e, como vemos mais tarde no episódio, uma personagem com muito mais que se lhe diga do que aparenta à primeira vista. Temos também Meagan Tandy (Teen Wolf) no papel de Sophie Moore, interesse amoroso de Kate e segurança na empresa de Jacob Kane (Dougray Scott), e ainda personagens como Luke (Camrus Johnson) e Mary (Nicole Kang) que certamente se tornarão no Cisco e Caitlin de Batwoman e, com tempo, acredito que terão também o seu culto de fãs. De forma geral, são personagens com bastante potencial para se virem a tornar progressivamente mais interessantes, tal como a série em si.

Um dos meus grandes medos em relação à série surgiu, na verdade, após o lançamento dos primeiros vídeos promocionais. Ainda que não tenha quaisquer problemas com séries deste estilo abordarem temas políticos (afinal, os livros de banda desenhada nos quais são baseadas foram criados com esse mesmo propósito), soube, desde logo, que Batwoman não seria uma série para todos. Mesmo para mim, algumas das falas que fizeram parte destas promos foram um pouco demais, chegando mesmo a ser um bocadinho cringe worthy. Estava com algum receio que essa mesma aura passasse para os episódios, mas (na minha opinião, isto é) o mesmo não se verificou. Aquilo que, no trailer, pareciam comentários forçados, muda completamente de tom dentro do contexto das cenas, o que é ideal e faz com que a série perca algumas das conotações que lhe foram associadas antes sequer da sua estreia.

Até agora tenho estado a falar de aspetos que considerei positivos em relação à série, mas, como seria de esperar, esta sofre dos seus (alguns) problemas. Para minha surpresa, uma das maiores desilusões que tive com este episódio piloto esteve diretamente relacionada com a quantidade de informação e cenas de exposição que nele existem. Não se pode negar que o contexto é importante, mas acredito mesmo que certas peças de informação teriam funcionado um pouco melhor se fossem reveladas de forma progressiva no decorrer dos primeiros episódios, em vez de serem simplesmente despejadas de forma mais ou menos organizada neste pilot. A história de infância de Kate e mesmo a sua relação com Batman são aspetos que considero importantes e, por conseguinte, merecedores de bastante mais atenção do que aquela que lhes foi conferida neste episódio. De igual modo, não gostei que certos plot twists importantes para a história tenham sido já revelados. Após ver este episódio, questionei-me sobre o que farão no resto da temporada, uma vez que tantos momentos chave já estão praticamente em aberto, e vi-me incapaz de responder à questão.

Para além de problemas com a história em si, houve também questões de realização que não funcionaram muito bem. O facto de alguns flashbacks se repetirem múltiplas vezes, adicionando muito pouco à história de cada vez que se repetem, foi um bocado desnecessário. Isto, aliado à narração por parte de Kate que aparece pontualmente durante o episódio, foram escolhas de que, pessoalmente, não gostei. Fora isso, existem outros problemas menores, como pequenas falhas nas cenas de ação, que acredito que a série resolverá com o tempo.

No geral, não acho que Batwoman tenha sido tão mau como muitos previram, apesar de não ser nenhuma obra-prima. Acredito que a série tem algum potencial, em especial pelas suas personagens e pelas ideias por detrás das histórias que tenta representar, e que precisa simplesmente de resolver as várias falhas que tem para chegar ao nível das restantes séries do Arrowverse. Tenho alguma curiosidade em ver como progride nos próximos episódios, tanto em termos de história como de aspetos técnicos, e gostava de saber o que acharam deste primeiro episódio.

Inês Salvado