Classificação

7.5
Interpretação
7.6
Argumento
7.6
Realização
7.5
Banda Sonora

[Atenção: esta review pode conter spoilers!]

“Alice isn’t the one claiming to be this city’s hero. She needs you as much as you need her. The Joker had Batman like she has you, and guess who always ends up as collateral damage?”

Nesta madrugada de segunda-feira, Batwoman trouxe-nos A Secret Kept From All the Rest, o 19.º episódio desta temporada, que precede a primeira season finale da série.

Quando membros da intelligentsia de Gotham começam a desaparecer, Jacob, Sophie e os Crows partem em busca da mais recente ameaça à cidade. Entretanto, Kate é consumida pela traição de Reagan e começa a questionar a lealdade de todos à sua volta quando mais precisa deles. Assim, quando Luke e Julia desaparecem, Batwoman vê-se dependente da ajuda de Mary e de uma aliada improvável para levar a cabo a sua missão de resgate.

Ainda que, pessoalmente, acredite que este episódio de Batwoman tenha ficado um pouco aquém das expectativas – em especial no modo como lidou com a situação entre Kate e Reagan –, acho que A Secret From All the Rest se apresenta como mais um bom episódio para a série, que continua a surpreender pela qualidade do seu storytelling. Mais uma vez, Batwoman produz um plot twist a seguir a outro, de forma lógica e cativante, sem nunca trair as suas personagens ou audiência.

Este é o primeiro episódio que vê Tommy Elliot enquanto o temível Hush, o vilão que, a mandato de Alice, parte em busca dos melhores descodificadores de Gotham numa tentativa de desvendar o mistério por detrás do infame diário de Lucius Fox. Adorei a caracterização do personagem, forçado a usar ligaduras na sua face após o trabalho da irmã de Kate, que se recusa a arranjar a cara de Tommy até que este sirva o seu propósito (isto é, se alguma vez o servir), assim como o facto de Batwoman continuar a arranjar forma de fazer referência a vilões do passado em novos episódios, reciclando-os e atribuindo-lhes novos papéis ao invés de, à semelhança de outras séries deste estilo, se limitar a arranjar um novo vilão atrás de outro. É definitivamente interessante ver de que modo as várias narrativas e personagens se têm vindo a interligar ao longo desta primeira temporada, e é uma característica que espero que a série transporte para o seu futuro.

Apesar de a traição por parte de Reagan não ter tido as repercussões e o impacto que eu desejava, não é por isso que não veio a influenciar o resto da narrativa deste episódio. Vários acontecimentos relacionados com a personagem levam a que Kate comece a duvidar das pessoas com quem trabalha, nomeadamente Julia e, por associação, Luke. E a verdade é que, no que diz respeito a Julia pelo menos, Kate até tem alguma razão. Mas este distanciamento entre as personagens leva a que Alice, com a ajuda de Mouse e Hush, é claro, seja capaz de raptar ambos os membros da bat-team, porque quem melhor para descodificar o diário de Lucius que o seu próprio filho?

Ao longo de toda a série, Luke tem vindo a enfatizar que está a milhas de ser como o seu pai – e a verdade é que o personagem nunca será Lucius. No entanto, é absolutamente inegável que Luke possui uma mente brilhante e, sem grandes surpresas, vê-se capaz de descodificar os estranhos símbolos através dos quais o seu pai escreveu este diário em tempo recorde. Como referi na review anterior, este diário em particular contém em si a chave para matar Bruce e, por associação, a nossa Batwoman, pelo que o personagem se vê agora numa posição extremamente difícil: ou revela o segredo a Alice, ou morre com ele. Mas aquilo que parece ser uma decisão complicada rapidamente é tomada quer por Luke, quer por Julia, que vêm o sacrifício de Lucius e a importância de Batwoman para a cidade de Gotham como razão suficiente para proteger este segredo.

Felizmente, este sacrifício nunca chega a ser necessário. Enquanto tudo isto decorria, o percurso da nossa heroína volta a cruzar-se com o de Parker Torres (Malia Pyles), a hacker que Kate acolheu sob a sua alçada em How Queer Everything Is Today!. A jovem adolescente está mais que disposta a ajudar a sua role model, e torna-se num membro honorário da bat-team, para desagrado de Mary (que, com toda a razão, questiona o porquê de uma rapariga ao acaso ter tido conhecimento do segredo de Kate antes dela). Parker aparece como uma boa adição temporária a esta (cada vez mais) extensa família, e consegue identificar o local onde Luke e Julia são mantidos cativos. Parece que todos os caminhos nos levam a Arkham, onde Kate confronta a sua irmã por mais uma vez. De forma muito altruísta, a nossa Batwoman ignora os avisos de Luke e entrega a Alice uns óculos que Mary havia encontrado momentos antes, capazes de decifrar de forma imediata o código de Lucius – um objeto que, sem dúvida, surge numa altura bastante conveniente à narrativa, apesar de fazer todo o sentido que Fox os tivesse criado.

Ainda que tenha os meus problemas com a decisão de Kate (ainda para mais dado o desenlace deste episódio), agrada-me que a personagem tenha remendado a sua relação com Luke no final deste episódio, relembrando o personagem que é impossível existir uma Batwoman sem um Luke Fox. A verdade é que seria impossível a Kate prosseguir com a sua missão de forma eficaz sem as pessoas que tem a seu lado, e acho que a série fez um bom trabalho em enfatizar isso.

Este episódio vem ainda a reacender o mau ambiente entre Batwoman e o Comandante Kane. Não é segredo que Jacob detesta a vigilante, mas a libertação dos presos de Arkham como consequência da intervenção de Kate parece ser a gota de água para o líder dos Crows. Avizinha-se uma autêntica caça à personagem, liderada pelo seu próprio pai, e estaria a mentir se dissesse que não sinto curiosidade em relação ao seu desfecho. Será que Jacob irá descobrir de uma vez por todas a identidade da personagem que vê como sua antagonista, ou conseguirá Kate dar a volta à sua situação? Já Sophie tem vindo a colocar-se do lado de Batwoman, tendo mesmo sido afastada do seu trabalho em Drink Me devido à relação que mantém com a vigilante. Que posição irá tomar desta vez, ao ver o seu superior a proceder de forma tão aberta contra Kate?

Por falar em Sophie, a personagem toma largos passos na sua relação com Julia – com o consentimento de Kate, é claro. Ainda que acredite que, obviamente, a relação entre as duas agentes se trate de algo temporário, com Kate a surgir como o endgame óbvio para Sophie, aprecio que Batwoman esteja a explorar e a desenvolver a narrativa da personagem através desta relação, não tendo esquecido por um momento o percurso de Sophie em aceitar a sua sexualidade. Como mencionei anteriormente, agrada-me o facto da série mostrar dois percursos de vida completamente diferentes em Sophie e Kate, representando polos opostos do espectro que é a experiência de vida de pessoas LGBT+.

Sei o que estão a pensar: então e a traição? Ora, no episódio anterior, partilhei convosco o meu principal palpite relativamente ao personagem por detrás das ações suspeitas de Julia. Na altura, acreditava que Bruce Wayne pudesse ser esse personagem, de tal forma que não cheguei a partilhar a minha segunda aposta que, é claro, foi a que se concretizou. Em A Secret Kept From All the Rest, descobrimos que a menina Pennyworth está a trabalhar para uma outra personagem que, apesar de não ter feito ainda uma aparição oficial na série, tem vindo a ser mencionada ao por várias vezes ao longo desta primeira temporada. Esta personagem é Safiyah Sohail, sobre quem já falámos na review de Through the Looking-Glass. Nesta review, falei ainda brevemente sobre o porquê de o regresso de Julia poder estar interligado com as menções de Safiyah, e apesar de saber que Batwoman provavelmente não nos irá apresentar à personagem ainda esta temporada, questiono-me se Julia e Kate partirão em caça a esta nova ameaça às suas vidas no futuro.

Por fim, a relação entre Alice e Mouse é colocada à prova como nunca antes. Onde Mouse viu uma segunda oportunidade, a irmã de Kate viu um novo meio para exercer vingança sobre a sua família e a sua ambição levou a que ambos perdessem a fortaleza que era Arkham. Será interessante ver de que forma estes acontecimentos virão a influenciar a dinâmica entre os dois personagens, mas algo me diz que existe uma forte possibilidade de se virem a virar um contra o outro no final desta temporada.

P.s.: repararam no upgrade à máscara de Kate? O nosso morcego finalmente dispõe de ecolocalização! Posso parecer uma nerd autêntica neste momento, mas adorei o detalhe.

Batwoman regressa esta noite com a sua season finale em O, Mouse!, entrando depois em hiato até 2021.

Inês Salvado e Margarida Rodrigues