Classificação

7.1
Interpretação
7.4
Argumento
7.5
Realização
7.3
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

“I’ve always wanted to slay a vampire.”

Uma nova semana trouxe consigo um novo episódio de Batwoman – o 13.º desta sua temporada.

Neste episódio, uma nova vilã afunda os seus dentes em Gotham aquando da grande abertura de The Hold Up, o bar de Mary e Kate e o primeiro projeto da Wayne Enterprises. Entretanto, a libertação de Jacob leva Sophie a pedir a Batwoman que mantenha a sua distância, sabendo que as suas interações podem vir a comprometer a sua carreira. Por fim, Mary tem uma revelação.

Após um punhado de episódios fortemente focados na relação entre Kate e Alice, Batwoman regressa ao seu registo de vilão-da-semana em Drink Me. Aqui, Kayla Ewell interpreta o papel de Nocturna, o mais recente nome na grande lista de criminosos de Gotham. A personagem é conhecida por matar as suas vítimas ao drená-las de sangue, como se de uma vampira se tratasse – uma clara homenagem ao facto de Ewell ter interpretado Vicki Donovan em The Vampire Diaries, pertencente ao mesmo canal.

Ainda que a ideia de uma vampira andar à solta em Gotham pareça ser um pouco rebuscada (mesmo para uma série de super-heróis), Batwoman consegue trazer um toque de credibilidade à situação ao explicar que a personagem precisa de sangue não para o beber, mas sim devido a um problema de saúde que impede que os seus rins funcionem de forma eficaz.

Apesar de sentir que, até agora, a série tem andado a explorar estes antagonistas de forma muito superficial, acho interessante que Batwoman continue a trazer-nos vilões que, de uma ou outra forma, escolheram uma vida de crime de forma a lidar com aquilo que acreditam ser injustiças. Magpie roubava aos ricos porque sentia que essa era a única forma de sobreviver, o Executioner tentou corrigir erros do seu passado ao atacar agentes da lei corruptos, Parker procurava a aprovação dos seus pais após ser renegada pela sua orientação sexual e Natalia vinga-se de quem desperdiça a sua vida com drogas e álcool enquanto ela sofre com problemas de saúde. Os seus motivos definitivamente não desculpam as suas ações, mas permitem que seja mais fácil colocarmo-nos no seu lugar.

No entanto, foi Sophie quem captou grande parte da minha atenção, neste episódio, tendo agora mais foco que nos capítulos anteriores. A agente parece tomar pequenos passos em direção a aceitar a sua sexualidade durante a série, inclusive quando Jacob ordena a que compareça à festa de lançamento do The Hold Up (que, relembremos, é um gay bar). Apesar de parecer estar fora da sua zona de conforto, Sophie lida com a situação de modo muito diferente ao sucedido em Tell Me the Truth e parece mesmo chegar a divertir-se, ainda que durante pouco tempo.

Se, até agora, temos falado em baby steps em relação a Sophie, podemos afirmar que o final deste episódio foi um autêntico salto para esta personagem e para a sua relação com Batwoman. Foi uma surpresa que teve tanto de agradável como de inesperado, e que me deixa a pensar se Sophie se estará a apaixonar por Batwoman, ou se as suas suspeitas em relação à sua identidade se mantêm. De qualquer forma, ao contrário do que aconteceu entre as duas personagens no passado, Sophie parece escolher priorizar a sua relação com Batwoman, ainda que sem abdicar do seu trabalho – um passo significativo na direção certa. A personagem quer, de forma compreensiva, viver o melhor dos dois mundos (e porque não?), mas terá de existir um momento no futuro em que a agente se virá forçada a tomar uma posição mais definitiva entre o seu trabalho e a sua vida amorosa.

É o regresso de Jacob ao ativo que coloca toda esta problemática em movimento. Batwoman não é imune ao lugar-comum já conhecido em séries e filmes de super-heróis que dita que forças de autoridade e vigilantes simplesmente não se dão. O facto de o comandante dos Crows ser o pai de Kate apenas adiciona mais uma camada à questão e, por mais irritante e inconveniente que este tipo de narrativa seja, tenho a dizer que mal posso esperar pelo dia em que Jacob virá a descobrir a verdade sobre a sua filha.

Quem não terá de aguardar para descobrir a verdade sobre Kate Kane, no entanto, é Mary! Mencionei, na review anterior, que acreditava que não teríamos de esperar muito mais para que a bat team se viesse a formar e, neste episódio, a série parece tomar um passo largo nessa direção ao deixar que Mary junte as peças sobre a identidade da nossa protagonista. De forma propositada, Batwoman demonstra que Kate e Luke não são propriamente os melhores a esconder a verdadeira identidade da super-heroína, pelo que seria uma completa traição à inteligência de Mary se esta não descobrisse, mais cedo ou mais tarde, que a sua meia-irmã é Batwoman. Sim, estou a olhar de soslaio para Supergirl, neste momento.

Falando ainda sobre Luke, adoro a relação estabelecida entre o personagem e Kate, em especial neste novo episódio. De certa forma, as suas interações relembram-me as brincadeiras e piadas entre dois irmãos, o que é bastante agradável de ver numa série. Já a relação entre o personagem e Mary parece-me ser um pouco diferente e, apesar de aparentar ser completamente platónica por agora, imagino-a capaz de roçar o romântico daqui a uns tempos, sendo que não me oponho de todo a tal.

Por fim, resta-me apenas falar sobre Alice, que simplesmente não se conforma com o facto de Kate ter escolhido Beth e está bastante magoada com o sucedido. No episódio anterior, falei um pouco sobre o facto de achar que Kate tomou a decisão errada ao salvar Beth ao invés da sua irmã e cada vez mais se torna claro que existe alguma razão na minha afirmação. Alice parece não querer que Kate desista dela, mas todas as palavras e ações da nossa Batwoman levam a acreditar que esta já o fez e que Alice está para além da possibilidade de redenção. Caberá agora à irmã de Kate provar que a nossa protagonista está errada, e mal posso esperar para ver o desenvolver desta sua relação.

Batwoman regressa no próximo dia oito de março com Grinning From Ear to Ear.

Inês Salvado e Margarida Rodrigues