Classificação

7.3
Interpretação
7.5
Argumento
7.5
Realização
7.2
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

“So do you want to be in a real relationship, or do you want to be with someone you can keep a secret? Because we can never be more than this. And that shouldn’t be enough”.

Foi no passado domingo que Batwoman regressou de mais um pequeno hiato com Grinning From Ear to Ear, o 14.º episódio desta sua 1.ª temporada.

Neste novo episódio, Batwoman e Luke perseguem uma vilã que ataca influencers das redes sociais. Entretanto, Sophie recebe uma visita inesperada da sua mãe e Mary oferece os seus conhecimentos para ajudar Kate. Por fim, Jacob é abordado por alguém desejoso de lhe cobrar um favor, enquanto Alice se concentra no seu novo projeto de vingança.

Batwoman continua o seu registo de vilão da semana com Duela Dent, uma criminosa com uma longa lista de problemas do forro psiquiátrico que, anos antes do tempo da atual narrativa, cortou a sua própria cara por se sentir mal com a sua aparência, após as suas amigas realizarem cirurgias plásticas. Agora, Dent atormenta as influencers de Gotham, cortando as faces de quem, à semelhança das suas amigas de juventude, fez qualquer tipo de trabalho estético cirúrgico.

Ainda que Duela não aparente ser a vilã com os motivos mais convincentes da série, argumento que será talvez das mais perigosas e desconcertantes até à data. Num estilo que em tudo lembra a personagem de Joker (não sendo esta a única referência a famosos vilões de Gotham neste episódio), Dent corta sorrisos nas faces das suas vítimas, deixando-as para sempre marcadas. Talvez o aspeto mais desconcertante desta personagem, no entanto, seja o facto de acreditar que alcançou a perfeição após oferecer a sua face a Alice, deixando a audiência com uma imagem bastante gráfica da personagem sem a sua pele. Ew.

O foco deste episódio, no entanto, não se prendeu tanto com esta nossa vilã, mas sim com a relação entre Kate – ahem, Batwoman – e Sophie. No episódio passado, a agente dos Crows deu um salto gigantesco na sua relação com a nossa heroína, o qual se reflete na principal narrativa de Grinning From Ear to Ear. As personagens estão agora mais próximas que nunca e, ao que tudo indica, bastante felizes com a sua situação. Mas, é claro, Sophie e Batwoman não podem ser namoradas – pelo menos não nestas condições. Não me refiro à desculpa esfarrapada que todas as séries de super-heróis tanto gostam de usar, sobre como a sua proximidade a Batwoman e o conhecimento da sua verdadeira identidade colocariam Sophie em perigo, mas sim ao facto de tanto Sophie como Kate merecerem muito mais do que uma relação que têm de manter segredo.

Assim, não é de surpreender que gostei imenso do modo como o relacionamento entre as duas personagens foi abordado. Adorei que, ao longo do episódio, a série nos desse a conhecer um pouco mais sobre a vida familiar de Sophie através da introdução de Diane (Jeryl Prescott), a sua mãe, concretizando e tornando reais para a audiência as dificuldades enfrentadas pela personagem, já mencionadas em episódios anteriores. Novamente, Batwoman leva o seu tempo a mostrar o quão diferentes são os percursos de vida de Sophie e de Kate, sem nunca desvalorizar a experiência pessoal da agente quando em comparação com a da sua ex. A verdade é que Sophie se encontra no seu próprio caminho de aceitação e Batwoman respeita isso. Mesmo o amigável fim de relação entre as duas personagens não é apresentado como algo cliché, do género “não te posso amar enquanto não te amares a ti mesma,” mas, em vez disso, relembra a Sophie que esta merece melhor do que a situação em que se encontra, o que, pela sua vez, leva a agente a prosseguir esse futuro para si mesma.

Acredito que a série fez um bom trabalho ao abordar esta narrativa, em especial por evitar seguir caminhos mais usuais e já esperados. Meagan Tandy continua a melhorar à medida que se torna mais confortável com a sua personagem, sendo capaz de me fazer sorrir numa cena (como, por exemplo, a fantástica montagem de abertura entre Sophie e Mary – e, também, Luke e Kate) e contemplar a seriedade da situação em outras (sendo um exemplo claro a cena em que Sophie conta a verdade à sua mãe). Gostei também de ver a personagem fora do seu contexto enquanto Crow, trabalhando lado a lado com Batwoman. Parece-me ser um pequeno vislumbre daquilo que, um dia, poderá vir a ser a realidade da série e tenho a dizer que estou desejosa por mais.

Entretanto, a descoberta de Mary volta a colocá-la no centro das atenções em Grinning From Ear to Ear. Armada com o conhecimento de que a sua meia-irmã é Batwoman, Mary tenta de tudo para convencer Kate a contar-lhe a verdade, sem grande sucesso. Torna-se claro que a personagem está desejosa de fazer parte da equipa e, ainda mais importante, de ter algo em comum com Kate, que parece dar um passo em frente e dois atrás na sua relação com Mary de cada vez que falam. Acredito que é apenas uma questão de tempo até que a nossa personagem principal resolva ser honesta com a sua irmã e aplaudo a decisão de Mary em dar espaço a Kate para o fazer nos seus próprios termos. A personagem poderia ter facilmente decidido ser mesquinha ou, após a sua conversa com Alice, ter ficado seriamente chateada com Kate, mas, ao invés disso, Mary escolhe a abordagem mais bondosa e, sejamos honestos, é exatamente por isso que a adoramos.

Já Jacob é pressionado a fazer favores a Reggie Harris (Seth Whittaker), o homem que salvou a sua vida na prisão e que se encontra ainda encarcerado em Blackgate pela morte de Lucius Fox. Ao que tudo indica, Harris foi incriminado pelos Crows pelo ataque a Lucius e as tensões aumentam entre Jacob e a sua equipa quando o líder dos Crows começa a sua própria investigação às estranhas circunstâncias que rodeiam o homicídio do pai de Luke. Sem ter em quem confiar, o pai de Kate pede a Sophie que regresse ao ativo, afirmando que, apesar de nem sempre estarem de acordo em relação a Batwoman, nunca questionou a sua integridade. Estou extremamente curiosa em ver de que modo este caso irá servir de elo de ligação entre Batwoman e o líder dos Crows, dado que Kate certamente se verá envolvida no assunto de uma ou outra forma, quer pela sua ligação com Jacob, Sophie ou Luke. A inocência de Reggie levará, também, a outra grande questão que certamente será abordada dentro em breve na série: mas, afinal, quem matou Lucius Fox? Acredito que esta narrativa levará ainda a um maior envolvimento de Luke na história, para além das suas capacidades enquanto sidekick, pelo que aguardo ansiosamente esse momento.

Por fim, as descobertas de Alice na sua busca incessante por Mouse levam-na diretamente a August, o homem que a manteve cativa e, ultimamente, a transformou naquilo que é hoje. Infelizmente, os seus esforços não a levam de imediato a Mouse, que continua escondido em algum recanto de Gotham, sob o efeito de fear gas (a outra referência deste episódio e um produto que, aparentemente, Scarecrow começou a comercializar). No que diz respeito a Alice em específico, gostei particularmente da cena que esta partilha com Malone, um psicólogo de Gotham que a ajuda a perceber que a sua necessidade de vingança em relação a Cartwright está intimamente ligada com o medo que sente pelo homem. A ideia de um vilão procurar terapia é algo que acho um pouco irónico, ainda para mais quando o seu objetivo é justificar as suas ações.

Batwoman regressa este domingo com Off With Her Head. A série faz também parte da longa lista de produções suspensas durante os próximos tempos, pelo que veremos de que forma isso terá impacto na calendarização dos episódios.

Inês Salvado e Margarida Rodrigues