Legacies – 04×10/04×11 – The Story of My Life/Follow the Sound of My Voice
| 10 Mar, 2022

[Contém spoilers]

Legacies regressou no passado dia 24 de fevereiro do seu mais recente hiato com The Story of My Life, o 10.º episódio desta sua 4.ª temporada, e o primeiro desde a saída de Kaylee Bryant do elenco principal da série.

Neste novo capítulo, Cleo, MG e Jed trabalham em equipa numa nova e peculiar missão, enquanto Alaric, Landon e Ted procuram descobrir qual o seu próximo passo. Entretanto, após a fuga de Aurora, Hope continua a sua missão contra a tríade, sendo apanhada de surpresa por uma fonte pouco provável. Por fim, o futuro de Lizzie permanece em jogo, após os acontecimentos de I Can’t Be the One to Stop You.

Sendo completamente honesta, não tive quaisquer saudades deste nosso spin-off de The Vampire Diaries durante esta sua pausa (o que, admito, não abona de todo a seu favor). Terminei a 1.ª metade desta nova temporada em maus termos com a série, pelo que o meu entusiasmo em relação ao seu regresso era – e, na verdade, continua a ser – inexistente. Após a valente desilusão que seguiu o seu 9.º episódio, sinto que Legacies tinha a obrigação de regressar em grande se queria sequer tentar ultrapassar o erro que foi abrir mão de Josie Saltzman, mas tal não aconteceu e The Story of My Life acaba por ser, em todas as frentes, um episódio dececionante.

Começando pelo elefante na sala: a questão do purgatório continua a ser um dos plots mais desinteressantes desta temporada. Praticamente um terço deste episódio é passado com Alaric, Landon e Ted nas suas aventuras e desavenças pelo submundo sobrenatural, o que retira alguma da atenção prestada à narrativa principal – infinitamente mais interessante, em comparação. Há muito se tornou claro que estes são personagens que já abusaram do seu tempo na série, sendo que o retorno de qualquer um deles ao mundo real representaria um regresso à normalidade de Legacies (que, sabemos também, não estava a fazer quaisquer favores ao bom funcionamento da série).

Um outro aspeto que me deixa um travo amargo na boca é a introdução de deuses a este universo sobrenatural, conforme mencionei na anterior review. Ainda que a sua existência nos tenha sido aludida por Aurora num passado capítulo da série, é em The Story of My Life que temos uma confirmação concreta, com a apresentação de Ben (Zane Phillips), um semideus fortemente baseado em Prometeu (da mitologia grega), à história. De forma sucinta, o personagem foi amaldiçoado após tentar usar magia roubada aos deuses para salvar o seu amado, tornando-se um farol para monstros e permitindo, assim, a Legacies perpetuar o seu saturado formato de monstro da semana.

Na verdade, o meu problema não se prende de todo com Ben. Apesar de não estar fortemente investida na sua história ou potencial romance com Jed, servindo o personagem de modo flagrante para preencher a quota de representação da série após a partida de Josie, não acredito que seja uma má adição à série. No que diz respeito a esta narrativa, a minha queixa resume-se a algo muito mais básico: ao facto de Legacies não entender que não necessita de criar um ser superior a Hope de modo a proporcionar um desafio à nossa protagonista. Ainda que perceba que a existência de um herói aparentemente infalível não represente, de um modo geral, a mais interessante das histórias, a realidade é que Hope está longe de ser perfeita. Ao longo de várias temporadas, tem-se vindo a tornar claro que a jovem Mikaelson é a sua maior inimiga (em grande parte devido ao trauma que experienciou no decorrer da sua curta vida) e, pessoalmente, acredito que essa sua batalha interna é infinitamente mais atraente do que qualquer fator ou adversário externo.

Falando ainda sobre Hope, apesar de a mudança de tom (e, principalmente, de foco) na sua storyline ser do meu agrado – como, aliás, tenho vindo a mencionar –, devo dizer que estou ligeiramente desiludida com esta fase sem humanidade da nossa tríbrida. Se é verdade que Hope tem um objetivo claro em mente com a destruição da tríade, o seu principal problema desde a sua transformação, também o é que, por vezes, a jovem Mikaelson conseguiu ser mais intimidante com a sua humanidade do que sem ela. Ainda que aprecie muito a atitude que Danielle confere à sua personagem, a escrita simplesmente não tem vindo a acompanhar estes seus esforços. Consigo com alguma facilidade recordar momentos em que Hope, na 1.ª temporada, pareceu mais cruel e implacável do que agora, pelo que começo a questionar-me se Legacies não se estará a preparar para deitar a perder aquela que poderia ter sido uma narrativa incrível.

Também a história de Lizzie me desiludiu um pouco – pelo menos em The Story of My Life. Em geral, estou insatisfeita com o facto de Lizzie ser agora uma herege, mas neste episódio em específico fiquei incomodada com a naturalidade com que a personagem aceitou este seu destino, especialmente dada a reação da mesma quando confrontada com esta possibilidade em Kai Parker Screwed Us. Não acredito que a série tenha desenvolvido esta vertente da personagem o suficiente para a sua audiência simplesmente assumir que Lizzie está agora em paz com todas as experiências que lhe foram roubadas ao tornar-se numa híbrida de bruxa e vampira, pelo que o entusiasmo da gémea Saltzman para com os seus novos poderes não foi, de todo, dos meus aspectos favoritos deste episódio – para não falar dos efeitos especiais no mínimo questionáveis que são também aqui usados e que se tornam cada vez mais difíceis de tolerar.

Assim, acredito que este episódio de regresso da série falhou redondamente a meta a alcançar. A sua saving grace, a meu ver, passa pelos esforços de Cleo em encontrar uma solução para o problema de Ben e pela desconfiança de MG perante o novo membro da Salvatore School, assim como pela tentativa de Jed em conhecer melhor este forasteiro antes de tomar uma decisão sobre o seu futuro. De facto, Legacies ganha alguns pontos quando se resume às suas raízes, mas nem isso é o suficiente para manter este barco à tona.

Já em Follow the Sound of My Voice, Hope e Lizzie encontram-se numa feira com um conjunto pouco usual de personagens. De volta à Salvatore School, os alunos estão a dizer tudo o que lhes vem à cabeça sem saber bem porquê, o que faz com que Jed revele um segredo enquanto Cleo tenta proteger um dos seus. Entretanto, Kaleb e MG embarcam numa missão que não corre como esperado. 

Muitos dos meus pontos de discórdia para com este último capítulo são provenientes do seu antecessor – razão para esta review conjunta. Felizmente, a situação do purgatório não é um destes pontos, sendo inexistente neste episódio e, de forma quase automática, tornando-o melhor por isso. Piadas à parte, Follow the Sound of My Voice é, a meu ver, um episódio relativamente mais interessante, em especial no que diz respeito ao sire bond entre Lizzie e Hope.

Na sua jornada contra a tríade, Hope e Lizzie fazem uma breve paragem numa feira itinerante e Hope aproveita o momento para testar a utilidade de Lizzie, a sua relutante companheira de crime, no seu grande plano. Assim, a tríbrida coloca as recém-adquiridas capacidades da jovem Saltzman à prova, usando para este efeito várias das atrações desta feira. O duo acaba por receber a atenção indesejada de um grupo de vampiros “da velha guarda”, que usa a feira como cover-up para levar a cabo as suas matanças. É neste contexto que Lizzie dá de caras com uma rapariga que perdeu a irmã para estes vampiros – algo que leva a personagem a recordar a sua irmã e a ligação com ela perdida no momento em que Elizabeth morreu e iniciou a sua transição. Assim, apesar de Hope sugerir libertar Lizzie da sua servitude, a personagem recusa a oferta, escolhendo manter o elo com a tríbrida como alternativa a sentir-se completamente só pela primeira vez na vida. Existe imenso que pode (deve e irá) ser dito relativamente a esta escolha narrativa, mas irei guardar os meus comentários para outra altura. Por agora, estou minimamente satisfeita com esta justificação.

Também interessante – e, na minha opinião, mal aproveitada – foi a chegada de Aurora de Martel à Salvatore School. A vampira infiltra-se na escola sob o nome de Eve Bloom, a nova headmistress, com o objetivo de encontrar o que resta da árvore capaz de matar Hope. Para este efeito, Aurora contamina o sistema de águas da escola com uma planta que faz com que os alunos sejam incapazes de mentir, procedendo, de seguida, a interrogações individuais. No entanto, quando o seu plano não surte o efeito desejado, Aurora vira as suas atenções para Cleo, infiltrando-se na sua mente e apoderando-se dos seus poderes de inspiração. Estes levam-na até Ben, que confessa que os deuses são muito mais do que apenas mitos e, se existe alguém capaz de colocar um final à vida de Hope, então é entre eles que Aurora encontrará a sua resposta. Mais uma vez, não sou a maior fã desta abordagem, mas nada posso fazer a não ser aceitar o inevitável.  

Este episódio marca ainda o regresso de Kaleb à Salvatore School, após o problema causado pela aparição de Ben ser neutralizado. Em conjunto com MG, Kaleb parte para a casa de Ethan, onde a família do personagem se havia queixado de ocorrências sobrenaturais. Claro, estas foram causadas pelo próprio Ethan, que regressou a casa sem partilhar as novidades com a sua mãe ou irmã. Com o apoio de MG e Kaleb, Ethan acaba por confessar a Maya (personagem que, diga-se de passagem, fiquei entusiasmada por ver, mesmo que por breves momentos) todos os segredos sobrenaturais que tem guardado, regressando à escola de consciência tranquila no final do episódio.

Resta-me apenas dizer que sinto que Legacies está no seu melhor quando se fica pelo básico, não só da própria série, com as várias relações entre personagens e o modo como estas se apoiam, mas também do universo em que se insere. Gostaria que respeitassem um pouco mais o lore de The Vampire Diaries e The Originals, mas esta parece ser uma batalha há muito perdida!

Podes acompanhar Legacies na íntegra através da plataforma de streaming HBO Max

Inês Salvado

Publicidade

Populares

sas rogue heroes poster

calendário estreias

freeridge poster

Recomendamos