Classificação

9
Interpretação
8
Argumento
8.5
Realização
8
Banda Sonora

[Livre de spoilers]

Uma das séries mais aclamadas do ano passado está de volta! His Dark Materials, coproduzida pela HBO e pela BBC, volta para a sua 2.ª temporada com The City of Magpies.

Fica aqui o nosso agradecimento muito especial à HBO Portugal por nos ter gentilmente disponibilizado antecipadamente os primeiros 5 episódios. Mas não se preocupem, apesar deste acesso antecipado, as primeiras cinco reviews regulares serão relativas a cada episódio e sem spoilers.

Confesso que tive de ir rever a 1.ª temporada antes de me aventurar nesta próxima e realmente tinha-me esquecido de vários pormenores. Assim, só para fazer um pequeno resumo, acabamos a 1.ª temporada de forma trágica. Lyra viu Roger a ser cortado do seu daemon; Salcilia, por Asriel, como forma de criar energia suficiente para abrir o portal entre os mundos. De coração destroçado, Lyra e Pan decidem que a melhor forma de honrar a morte de Roger é atravessar a ponte para o novo mundo. Pan sugere que talvez o Pó não seja tão mau como os adultos dizem e que eles podem conseguir protegê-lo de pessoas como Asriel, que apenas estão à procura do poder. Ao mesmo tempo, Will segue um gato na rua e acaba por descobrir uma passagem secreta: a passagem para o novo mundo.

Desde o final da 1.ª temporada que toda a gente estava preparadíssima para Lyra e Will finalmente se conhecerem e acho que posso afirmar com confiança que vai ser dos melhores elementos da temporada. Adorei a relação entre eles, com as constantes referências às diferenças entre os mundos e as diferenças de personalidade. Tendo dito isto, acho que até têm personalidades demasiado parecidas e essa vai ser a razão do choque. São dois jovens que estão habituados a ser independentes, mas, neste mundo, a única maneira de sobreviverem é a cooperação.

Neste primeiro episódio tivemos duas narrativas principais que contrastaram imenso. Do lado de Lyra e Will a história foi mais leve, pois contou com os momentos em que as personagens se estão a conhecer e o próprio tom da cidade é leve, lembrando uma cidade italiana e solarenga. Já no lado do mundo “real”, a história está bastante mais sombria. Com o Magisterium a pressionar, Marisa Coulter tenta obter informações, por todos os meios, acerca de Lyra e da profecia associada. Eu sei que esta série tem os seus momentos dark, mas mesmo assim fiquei impressionada com o horror de algumas cenas. Mais uma vez, Ruth Wilson prova ser uma atriz brilhante no papel de Marisa. Este comentário vai ser um comentário regular nestas reviews porque é impossível passar ao lado da sua representação incrível, que me consegue convencer a sentir empatia por alguém que faz coisas tão horríveis.

Falando agora um pouco da narrativa nesta temporada, parece-me estar a ir num bom caminho. A meio da 1.ª temporada decidi começar a ler os livros pela primeira vez e acho que a adaptação tem estado muito fiel, neste caso, ao primeiro livro. Este início da 2.ª temporada é exatamente o início do segundo livro, no sentido em que são apresentados os elementos mais relevantes para a história – como é o caso da profecia, do passado de Will e da torre -, não revelando completamente a direção da temporada.

Um dos novos perigos a que somos introduzidos nesta temporada é fascinante porque pode ser visto como tendo várias camadas. Estou deliberadamente a ser vaga para não contar spoilers, mas acho que vão perceber o que é quando virem o episódio. Este novo elemento é tanto um perigo literal como representa uma espécie de metáfora para os perigos que as pessoas adultas enfrentam, tais como perda da inocência, da imaginação, dos sonhos, etc. Alguém atacado por este novo elemento torna-se apático para o mundo porque perde as características especiais de ser criança. É um triste, mas verdadeiro comentário social que eu aprecio imenso e acho que torna a série muito mais complexa e intrigante.

Por fim, queria deixar umas últimas notas acerca do episódio. Primeiro, adorei a “desculpa” que arranjaram para Lyra não consultar o aliteómetro, porque este não lhe tinha contado toda a verdade acerca dos planos de Asriel. Na verdade, Lyra descobriria facilmente todas as intrigas se perguntasse ao aliteómetro, que sabe literalmente tudo, mas claro, a série não tinha piada assim. Em segundo, senti a falta de Iorek e dos restantes daemons e animais criados através do recurso a CGI. Sinto que nesta temporada vamos ter menos, mas os que apareceram até agora estavam excelentes, como sempre.

Resumindo, foi um episódio um pouco mais calmo que o normal, não deixando de me manter interessada durante toda a duração, tanto pela interação de Lyra e Will como pelos cenários incríveis! Foi capaz de estabelecer bem as bases para a temporada, fazendo uma ótima transição entre o mundo gelado a que a temporada anterior nos habituou e este novo mundo, mais quente, mas tão ou mais frio em relação ao perigo à espreita. Mesmo assim, não posso mentir, a falta de Iorek esta temporada vai doer sempre um bocadinho.

Podem acompanhar His Dark Materials todas as semanas na HBO Portugal, a partir de dia 17 de novembro! Se já viram, o que acharam e quais as vossas expectativas para a temporada?

Ana Oliveira