Classificação

7.8
Interpretação
6.5
Argumento
7.5
Realização
7.1
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Numa terra de Game of Thrones, Vikings e Spartacus é chegada a altura de as criações de Matt Groening visitarem também elas o passado.

The Simpsons é aquela icónica série de animação que praticamente toda a gente no mundo conhece e cujas personagens já nos são tão familiares que quase parece que são uns primos afastados. Dez anos depois da sua estreia, em 1999, Matt Groening repete a fórmula de sucesso e estreia a sua segunda série de animação de sucesso, Futurama, que, apesar de já não estar em “andamento”, conseguiu criar uma grande base de fãs e ser reconhecida também ela como uma das melhores de sempre do género. Fica assim a pergunta, será a terceira tentativa mais um tiro certeiro?

Disenchantment vem fechar o ciclo temporal de passado, presente e futuro no currículo de Matt Groening, transportando-nos para uma época medieval de princesas, magia e fantasia. Josh Weinstein, conhecido pelo seu trabalho como produtor em The Simpsons, Futurama e Gravity Falls, junta-se a Matt como um dos criadores da série e esta demarca-se também por ser a primeira de Matt a ser lançada não para a 20th Century Fox Television, mas para um serviço de streaming, neste caso a Netflix.

A história segue a vida de Bean, a princesa do reino de Dreamland, cujo desejo é o de quebrar o seu destino de obrigações como princesa. A ela juntam-se Luci, o seu terrível demónio pessoal, e Elfo, o aventureiro elfo que abandona o seu reino para explorar o mundo humano. Se calhar será também relevante revelar que Bean é uma princesa alcoólica e irresponsável, Luci é um demónio nada aterrador facilmente confundido com um gato e Elfo é o único da sua raça farto de uma vida apenas de doces e alegria, procurando algo mais diferente e agridoce para apimentar o seu dia a dia.

O piloto revela uma escrita demasiado reservada, não correndo grandes riscos e mantendo-se dentro da normalidade do que já estamos habituados. A história é simples, as piadas engraçadas, mas demasiado básicas no geral, e no final o piloto não nos marca tanto como deveria. Esta certa falta de originalidade é no entanto equilibrada pelo forte elenco de Abbi Jacobson, Eric André e Nat Faxon nos papéis de Bean, Luci e Elfo, respetivamente, cujas inspiradas performances nos ajudam a simpatizar com os protagonistas. De acordo com diversas reviews, este problema na escrita e no enredo mantém-se durante os primeiros episódios, começando a melhorar a meio dos episódios já lançados, sendo que os últimos já apresentam uma consistente qualidade superior. O estilo de animação é aquele de marca registada de Groening, com impressionantes cenários e personagens ricamente cativantes. O opening da série facilmente evoca um espírito medieval e deixa-nos entusiasmados com o que esperar do resto do episódio. Denota-se ainda um claro ponto de vista feminino, o que vem enriquecer a experiência de Disenchantment, destacando-se das suas séries irmãs. O cliffhanger final é o elemento ideal para, num piloto que não foi perfeito, nos deixar o “bichinho da curiosidade” para querer ver o que acontece logo a seguir.

Os primeiros dez episódios, cada qual à volta de 30 minutos, estrearam neste passado dia 17 de agosto, correspondendo isto apenas à midseason, já que a Netflix encomendou uma temporada com um total de 20 episódios.

E quanto a vocês, a série encantou ou desencantou?

Emanuel Candeias