Classificação

8.9
Interpretação
9
Argumento
8.5
Realização
8
Banda Sonora

Contém Spoilers!!

Quando estamos a falar de um livro há uma dita regra informal para que tenha sucesso: tens que prender o leitor no primeiro capítulo. Na primeira frase, se possível. Uma boa primeira frase e tens o leitor agarrado até ao final. Com as séries tendemos a não aplicar muito a mesma lógica. Se o tema nos interessa ou temos expectativas altas damos um desconto até que sejam confirmadas ou vermos que não era mesmo série para nós.

Digo isto porquê? Porque Deception segue exatamente o que deveria fazer se fosse um livro. Cativou-me logo no primeiro minuto. Quando Cameron Black (Jack Cuttmore-Scott) aparece no ecrã começa logo por nos deslumbrar com umas ilusões simples enquanto nos fala do tema deception (=engano) e como nos enganamos regularmente a nós mesmos. De seguida parte para uma manobra ainda mais perigosa do que a que matou Harry Houdini, contra o conselho da sua equipa. Quando parece que vai morrer desaparece contra uma das placas de imagem apenas para reaparecer nesse instante a uma distância muito grande, humanamente impossível.

Numa noite de celebração de mais um espetáculo bem conseguido, vemos Cameron no carro com uma bela rapariga com um olho de cada cor, momentos antes de terem um acidente e esta morrer. No dia seguinte vão buscar Cameron ao seu quarto e é quando nós e o mundo descobrimos que Cameron tinha um irmão, Jonathan, que fazia a aparição para parecer que tinha viajado uma grande distância sem tempo para tal, um truque que começou com o pai desta dupla de mágicos.

Algum tempo depois, Cameron, caído em desgraça, acredita na inocência do irmão e vê nas notícias que um conhecido criminoso escapou ao supostamente destruírem um avião. Reconhece as técnicas todas de uma ilusão feita por ele na televisão e então invade o local do crime, onde prova que o avião apenas foi transportado e que aquilo não passou tudo de uma ilusão. Kay Daniels é a detetive principal do caso e apesar de ser contra a sua presença, consegue perceber a sua possível utilidade, se bem que este estado só acontece depois dele se disfarçar de Dominic Prince, o banqueiro do cartel, e conseguir ajudar a convencer Andrei a contar tudo o que sabe.

Assim, Cameron ganha a possibilidade de revelar o seu plano ao FBI e conta com a ajuda do seu irmão a partir da prisão e do resto da sua equipa. O mais engraçado não é como é que conseguem apanhar Felix, mas sim as pequenas deceções criadas para dar a Felix a sensação de controlo da situação, quando na realidade estava apenas a ser levado para onde queriam. Teve uns toques da classe e inteligência que The Mentalist nos trazia, sem esquecer o bom humor, claro. Onde pode pecar um pouco em comparação é, talvez, na química entre a dupla principal. Quem gostou de filmes como o Now You See Me tem obrigatoriamente de dar uma oportunidade a Deception. O espectador é constantemente submetido à mesma espetacularidade de ser enganado, mas depois é capaz de sentir que sabe o que está por detrás das ilusões. Para mim Deception veio para ficar, e para vocês?

Raul Araújo