Classificação

8.5
Interpretação
9.3
Argumento
7.5
Realização
7.5
Banda Sonora

Contém Spoilers!!

Depois de um percalço com Metalheads, Black Mirror acaba novamente em grande com Black Museum. Neste episódio, mais uma vez num mundo futurista, uma mulher tinha algum tempo de sobra enquanto deixava o carro a carregar com luz solar e decide visitar um museu, intitulado Black Museum. Logo à partida, o dono e organizador, Rolo, parece um pouco diferente, transmite a ideia de que alguma coisa nele não é boa. O museu, criado pelo mesmo, possui vários artefactos, todos utilizados ou envolvidos em crimes horríveis, sendo que no final da visita há uma surpresa por detrás da cortina.

Este episódio faz-me lembrar um pouco o White Christmas, uma vez que cada artefacto tem a sua própria história, mas todas levam a um elo em comum, Rolo e o facto de ele não ser boa pessoa. A primeira história é sobre um dispositivo que permite a transmissão de informação sensorial neurologicamente, isto é, alguém punha um capacete com elétrodos e as suas sensações eram enviadas para outra pessoa com o recetor. Claro que isto tinha o seu potencial médico, nada como o próprio médico perceber o que estava a acontecer ao paciente para o conseguir curar. A primeira e última cobaia foi um médico do hospital localizado no mesmo sítio onde Rolo trabalhava e correu bastante bem até, depois de ficar ligado enquanto um paciente morria, ficar viciado em dor e medo. Começou a procurar estas emoções constantemente, culminando na morte de um sem abrigo às mãos do próprio para sentir novamente a morte.

A segunda história é sobre um homem, Jack (Aldis Hodge), que conhece Carrie e têm um filho chamada Parker. Será que foi uma coincidência ou um pequeno Easter Egg para os fãs de Leverage, série protagonizada por Aldis Hodge, onde também havia uma Parker, com quem ele acabou por ter uma relação? A mulher tem um acidente e fica em coma, até que Rolo lhe sugere um método inovador e gratuito, uma transferência de consciência para dentro de outra pessoa. Carrie viveria e sentiria tudo o que Jack sentisse e conseguiria comunicar com este. Durante os primeiros tempos foi ótimo, mas, como seria de esperar, ter outra pessoa a viver dentro de nós é bastante frustrante, não há qualquer privacidade. Assim, Rolo introduziu uma nova possibilidade, pôr Carrie em pausa, algo que Jack aproveitou logo durante oito semanas. Estava novamente a correr bem até Jack conhecer uma nova mulher e foi aí que Rolo ofereceu a possibilidade de pôr a consciência de Carrie num macaco de peluche que só conseguia dizer duas frases: “Amo-te” e “preciso de um abraço”. Inicialmente, Parker adorou o macaco, mas acabou por crescer e esquecê-lo e, com uma nova lei que só permitia a transferência de consciência para coisas que permitissem a expressão de pelo menos cinco emoções, o novo corpo de Carrie transformou-se num objeto de um crime e ficou guardado no museu.

A última história é a que está por detrás da cortina, sobre um holograma de um homem. Este tinha sido condenado à morte e aceitou ser guardado num holograma, a troco de dinheiro para a sua família, e transformou-se na grande atração do museu. As pessoas podiam dar-lhe a cadeira elétrica e vê-lo a morrer como se fosse real e depois levavam para casa um pêndulo com um pequeno clipe do momento da morte. Giro, não é? O problema foi quando um homem racista pagou a Rolo para poder ultrapassar a corrente permitida, o que levou a que o próprio holograma ficasse num estado vegetativo e as pessoas começassem a perder o interesse. Mas a história não fica por aqui, isto é só o que Rolo conhece. Aqui entra o já antecipado twist do episódio, a mulher que estava a fazer a visita, Nish, era filha desse homem e quando a sua mãe viu o estado dele neste museu suicidou-se. Assim, Nish decidiu vingar-se e tinha envenenado Rolo durante a visita, ransferindo a sua consciência para dentro da do holograma, matando-o uma segunda vez e libertando a recordação do seu pai. Descobrimos também que a mãe de Nish tinha transferido a sua consciência para dentro da sua filha.

O que faz deste episódio tão bom é que cada uma das histórias dos artefactos são boas por si só e quando descobrimos a ligação de Nish à última história passa a ser genial. Cada uma destas histórias mostra o que Black Mirror já nos habituou, a relação dúbia do ser humano com a tecnologia… Será que o mundo seria um lugar melhor se pudermos andar a fazer estas trocas de consciência ou de sensações? Seja como for, espero que Black Mirror continue em força e que venha uma 5.ª temporada tão boa como estas têm sido.

O que acharam?

Raul Araújo