Classificação

7
Interpretação
6.5
Argumento
8
Realização
7.5
Banda Sonora

Contém Spoilers!!

Este terceiro episódio de Black Mirror segue a história de uma mulher que fazia entrevistas às memórias das pessoas e descobriu mais do que gostaria. Mais uma vez estamos perante um cenário distópico, num futuro em que a polícia e as empresas de seguros têm acesso a uma máquina que permite visualizar as memórias dos sujeitos que estão a ser entrevistados. Algo que correu muito bem neste episódio foi o conhecimento demonstrado e preciso sobre o funcionamento da nossa cognição social, mais concretamente a formação de memórias de curto prazo. Shazia andava a entrevistar todos as testemunhas de um acidente que envolvia uma carrinha de transporte de pizza que tinha atropelado um peão e o que estava por apurar era se a carrinha ia em excesso de velocidade.

Assim, Shazia percorre diversas testemunhas até chegar a Mia, que se encontrava hospedada num hotel na rua onde o acidente tinha acontecido e tinha visto o momento em questão. O problema é que Mia andava a sentir culpa; 15 antes antes tinha feito parte de um atropelamento mortal em que o condutor a convenceu a não dizerem nada devido a estarem embriagados. No entanto, passado este tempo todo, Rob queria admitir a culpa do que tinham feito e Mia, que entretanto tinha construído uma carreira respeitável e família, tinha tudo a perder. Assim, num momento de desespero, matou Rob para esconder o seu passado. Quando Shazia a questionou sobre o acidente, Mia não conseguiu evitar pensar no homicídio, o que a levou a ter que matar Shazia e o seu marido, uma vez que este sabia onde ela estava. Por fim, vê que estes tinham um filho e sabendo que a polícia podia recuperar as memórias dele matou-o também. Foi neste ponto que Black Mirror nos apresenta o plot twist deste episódio, o bébé era cego e portanto nunca poderia fornecer provas. Provas estas que foram arranjadas através de um hamster no quarto, quando Mia foi matar o filho de Shazia.

Destes três episódios desta temporada foi o que considerei mais fraco até agora. Apesar de ser bom, não me transmite uma crítica ou sátira da nossa realidade como já se tornou característico em Black Mirror, trata-se de uma história sobre o desespero e o quão longe alguém iria para manter um segredo. Ao contrário dos outros, a tecnologia criada para este episódio não apresenta um papel assim tão central, tirando no plot twist final, e acabamos com uma moral muito simples: não bebam e conduzam.

O que acharam de Crocodile?

Raul Araújo