The Shannara Chronicles – 02×09/02×10 – Wilderun/Blood
| 24 Nov, 2017

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[Contém spoilers]

“May the shades of your fathers watch over you”

Com a possibilidade de uma série de Lord of the Rings e com o novo filme da saga Star Wars a estrear em breve, o que melhor para entreter do que outra grande saga, The Shannara Chronicles, que tira inspiração destas duas lendas? A 2.ª temporada começou razoável/boazinha, mas foi ganhando ímpeto e terminou de maneira memorável.

Chegados ao episódio duplo que encerra a temporada, o que há para saber:

  • Lyria – a chave para Heaven’s Well, o envenenamento do poço com o sangue do Warlock Lord significa a corrupção de toda a magia na Terra.
  • Eretria – criança do Armageddon, metade humana/metade demónio, a vitória ou derrota na batalha final dependerá de ela conseguir ou não resistir à escuridão
  • Allanon – um dos maiores dos Druidas deve agora confiar o destino nas mãos da próxima geração. A falha em entrar no Sono dos Druidas custou-lhe a imortalidade e os seus dias estão contados a pouco mais que os dedos de uma mão
  • Mareth – em breve a última dos Druidas, também ela a herdeira ao trono de Abbadon após a morte do rei Ander. Tudo o que queria era encontrar o pai, mas o destino tinha coisas muito maiores reservadas para ela.
  • Wil – para o mundo ser salvo sempre foram precisas duas coisas essenciais: um druida e um Shannara. Agora com a espada de Shannara restaurada e com os poderes das pedras élficas, Wil tem literalmente o peso do mundo nos ombros pela segunda vez na vida.

Outros destaques neste final e na temporada em geral foram Cogline e Garet Jax. Jax deixou uma boa impressão logo na aparição e foi deixando a sua marca ao longo da temporada. Sem qualquer tipo de magia, é aquela personagem que dá valor aos verdadeiros guerreiros que têm de confiar no seu treino e nas suas capacidades para sobreviver. Já Cogline demonstrou também ele ser um autêntico badass. Nestes últimos episódios, a personagem dele evolui bastante e a conjugação que faz entre a magia e a ciência faz dele uma das personagens favoritas.

O season finale neste episódio duplo teve um ritmo alucinante, mas focado, que permitiu um bom encerrar da história, atando a maioria das pontas sem parecer apressado. A ação esteve bastante boa e não faltaram batalhas épicas, com destaque para Allanon e Cogline vs. Warlock Lord.

Apesar de tudo, ficou ainda bastante para explorar e alguns aspetos acabaram por ser desperdiçados. Principalmente no que diz respeito aos vilões; como já, referi Riga deveria ter sido muito mais aprofundado, assim como os Crimson no geral e o ambiente no reino dos elfos e o crescer do descontentamento da magia. Warlock Lord acaba por ser mais um grande mauzão que quer trazer a escuridão, mas ninguém sabe bem porquê. As suas motivações até podem ter sido analisadas nos livros, mas para quem só segue a série fica com a sensação de um vilão bastante vazio. Gostava ainda que as relações entre humanos e elfos, as suas políticas e esquemas e também a história das Four Lands tivessem sido mais bem esclarecidas, mas não se pode ter tudo.

Quanto ao final… basta uma gota de sangue para poluir todo um poço, mas para este depois ser limpo é preciso um grande sacrifício.

Poderá a morte de Allanon através do banimento para o Forbidding indicar que há a possibilidade de ele voltar? Onde será que Wil foi parar? Gostaram desta temporada? Querem uma terceira?

O que esperamos numa 3ª temporada:

– volta, Bandon! Quem é que não desejou diversas vezes ver Darth Vader a revoltar-se contra o Imperador e virar ele o mestre? (sim, porque se a Druid Order corresponde à Jedi Order, a regra dos dois Sith também se parece aplicar aos druidas negros). Mas isso só faria sentido após a bem estabelecida relação entre mestre e aprendiz. No caso de Bandon e Warlock Lord foi tudo extremamente apressado e perdeu assim o seu sentido. Depois do excelente crescimento de Bandon, caso haja uma 3.ª temporada, se ele não for incluído é o maior erro que os produtores da série poderiam cometer. Para mim ele seria perfeito para um futuro grande vilão;

– maior atenção ao casting para evitar que personagens como Lyria e Catania sejam imediatamente odiadas simplesmente devido às atrizes que lhes dão vida. Lyria então sendo uma personagem tão importante nunca houve oportunidade para simpatizar muito com ela;

– diálogos menos clichés, mais trabalhados e que sejam memoráveis;

– que explorem mais as Four Lands, as suas raças, o passado e o que levou a que a civilização ficasse assim. The Shannara Chronicles possui um universo tão vasto que não está a ser aproveitado na série. Vemos inúmeras vezes cenários que nos indicam que as personagens estão nos EUA, mas não sabemos como o mundo supostamente virou do que é agora para o que é na série. Terão sido os antepassados de Lyria a começar tudo isso?

– e no seguimento do ponto anterior vem o pedido talvez de uma temporada maior, não muito, para depois não sermos enchido com fillers, mas talvez passar de 10 para 13 episódios já nos daria a oportunidade de ver certos aspetos da história a serem explorados mais calmamente.

Tal como na 1.ª temporada, nota-se a persistência de alguns problemas na série, nomeadamente no que toca à representação fraca de alguns atores, diálogos com pouco conteúdo e um argumento que por vezes apresenta falhas. Apesar de tudo isto, destacam-se mais nitidamente as melhorias com evoluções impressionantes em personagens como Bandon, o drama mais teenager foi diluído e se por um lado houve um tempo demorado entre a 1.ª e a 2.ª temporada também se deve louvar o empreendimento de expandir o universo da saga dos livros.

Espero assim que isto não seja um adeus, mas apenas um até já e assim me despeço com o tema do dia: “Until We Go Down”, de Ruelle.

Nota final da temporada: 8,1

Emanuel Candeias

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