Classificação

8.8
Interpretação
8.5
Argumento
8
Realização
8
Banda Sonora

[Contém Spoilers]

“I’m guessing that this isn’t where you thought you’d be when you woke up this morning.”

Jessica Biel está de volta aos ecrãs (e, em grande, a sua prestação está de se tirar o chapéu!) como protagonista do novo drama da USA Network, baseado no livro com o mesmo nome.

Biel é Cora Tanneti, uma mulher e mãe, que trabalha na empresa da família. Tem uma vida completamente normal e tranquila e que gira em volta da família. A sua vida passa por viver ao lado dos sogros, ter de jantar com eles todas as noites e qualquer decisão entre ela e o marido tem que ser aprovada pela sogra. Cora sente-se sufocada, mas o marido, Mason (Christopher Abbott), não parece querer viver de outra forma.

Num sábado normal, Cora e Mason levam o filho até à praia. Cora entra na água e nada para longe, tentando afogar-se, mas desiste da tentativa. De volta à areia, enquanto alimenta o filho, observa um casal a namorar ali perto enquanto ouvem música. Sem nada o fazer prever, Cora levanta-se com a faca com que cortava a fruta para o filho e esfaqueia repetidamente o rapaz, Frank, no pescoço, no peito, num total de sete facadas.

Nada fazia prever isto! A cena foi arrepiante! A performance de Biel, realmente transtornada, violenta e num mundo só dela, as sua pequenas expressões, a veracidade do ataque, fazem-nos agarrar ao ecrã!

Cora é detida e segue para interrogatório. É questionada pelos detetives Harry Ambrose (Bill Pullman) e Dan Leroy (Dohn Norwood). Ambrose, que tem uma fixação qualquer por árvores e flores e é um pouco masoquista, infligindo dor a si mesmo, é quem mais se conecta com o crime e com o porquê de este ter acontecido, já que Cora confessa o crime (também não pode negar, há inúmeras testemunhas), mas não consegue explicar o porquê.

Durante o interrogatório, por pequenos momentos, Cora parecia alheada da realidade, num qualquer espaço paralelo e só dela. Cora tem ainda flashbacks do passado, do pai, da mãe, da irmã doente, da culpa que a mãe lhe atribuía pela doença da irmã e do fanatismo pela religião que os seus pais lhe incutiam.

Já na sua cela, Cora não consegue dormir e ouve constantemente na sua cabeça a música que o rapaz ouvia na praia na altura em que ela o matou.

Ambrose interroga então outras pessoas presentes na praia, incluindo o marido e os amigos do rapaz morto. Mason conta-lhe que Cora na altura do assassinato parecia outra pessoa, dizendo coisas sem sentido para a namorada do rapaz, como se a estivesse a salvar. Já um amigo do rapaz, Patrick, diz-lhe que acha que Frank conhecia Cora e deixou que ela o matasse, porque não a impediu e simplesmente deixou que ela continuasse a esfaqueá-lo, mesmo sendo mais forte que ela.

Claramente, Cora tem algum distúrbio mental que a fez ter esta atitude de violência. A pressão em casa, o sufoco causado pela família do marido, os problemas com a mãe durante a sua infância… Inúmeras razões que podem ter desencadeado esta atitude. O que realmente se passa na cabeça de Cora? O que leva uma mulher de família a cometer tal atrocidade? O porquê dela ter simplesmente morto um aparente desconhecido? E porque não ter-se suicidado (já que momentos antes o tinha tentado) em vez de assassinar uma pessoa? Questões que estão no centro de todo o drama e que irão ser deslindadas ao longo dos próximos sete episódios.

A interpretação de todo o elenco é bastante competente, mas a de Biel está muito bem conseguida e ela por si só consegue cativar-nos e levar-nos consigo para um mundo alheado da realidade, o que nos faz, ao mesmo tempo, sofrer e torcer com e por ela. A banda sonora agrada, particularmente a escolha no momento do ataque de Cora.

A acompanhar, definitivamente!

David Pereira