Classificação

7.7
Interpretação
7
Argumento
7.5
Realização
7.4
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Let your Light shine bright

Cast out the Darkness

Previoulsy on  Outcast… Kyle Barnes é um homem atormentado por demónios. Na sua infância estes seres possuíram a sua mãe e enquanto todos desviaram o olhar do que parecia ser um caso de violência doméstica, Kyle descobriu que possui um toque tóxico para as criaturas negras, libertando a sua mãe da possessão, mas deixando-a catatónica. Depois de ser adotado, a vida parece voltar a sorrir-lhe, primeiro com o apoio da sua nova irmã, Megan, e depois com o amor da sua mulher, Allison, e da sua filha Amber.

No entanto, a escuridão volta a perseguir Kyle e desta vez é a sua mulher que é possuída e ataca Amber. Kyle protege a filha, mas quando a polícia chega, o que vê é um homem que agrediu a sua mulher e filha. Kyle perde a família e isola-se, de volta à sua casa de infância na cidade de Rome. Quando os casos de possessão em Rome começam a aumentar inexplicavelmente e aparece um homem misterioso vestido de preto que parece ser o próprio Diabo em pessoa, cabe ao Reverendo Anderson e a Kyle Barnes descobrirem o que se está a passar e como podem levar a cabo a missão de Deus e proteger a sua família, respetivamente.

Agora que acabou a 7.ª temporada de The Walking Dead, chega a altura de brilhar a outra grande criação de Robert Kirkman. Depois de uma 1.ª temporada crescente em termos tanto de qualidade como em envolvência, em que tivemos um season finale surpreendente e de cortar a respiração, o regresso de Outcast nesta première da 2.ª temporada fica marcado por um ritmo confuso e pouco marcante. De todo o modo, o episódio trouxe de volta o desespero vivido em Rome, os exorcismos violentos e o mistério que estamos desejosos que continue a ser desvendado. Por isso, peguem nos crucifixos, na Bíblia e na água benta e repitam comigo: Livrai-nos do mal!

Para quem segue as bandas desenhadas, a cena inicial em que se vê no carro o pai de Kyle deixa a esperança de também vermos na série, no futuro, este personagem que tem um misto de ser tanto misterioso como um verdadeiro badass.

Uma das mudanças que parece existir nesta temporada em comparação com a outra é a atitude de Kyle. Ele sempre esteve mais na defensiva e optou por fugir quando possível e evitar o conflito, pondo a segurança da família acima do resto, mas vendo que fugir de Rome não é possível, ele começa a pensar que se calhar a melhor defesa é mesmo o ataque. Numa sintonia semelhante está o chefe da polícia, Giles, que tem as mãos cheias entre arranjar maneira de cobrir o assassinato de Mark, perceber quantas pessoas afinal estão possuídas e, para além de tudo isso, tem agora que lidar com a aparente morte de Aaron, da qual Anderson vem confessar que foi o culpado e que quer pagar por isso.

Será que é mesmo o corpo queimado de Aaron que está nos destroços da casa de Sydney? Se for, como é que Anderson poderá algum dia superar esse pecado mortal?

Anderson está completamente perdido e é no fundo do poço que descobre uma “seita” enigmática. Onde é que este novo culto irá encaixar nos restantes acontecimentos que estão a acontecer em Rome e de que lado é que eles estão ainda é uma incógnita, mas não faria mal nenhum enviar Kyle para apertar a mão àquelas pessoas.

A cena alta do episódio foi o confronto entre Kyle e Ogden. Ogden é uma personagem desprezível, mas que nos dá pena pois foi levado a fazer coisas terríveis com base no seu amor pela mulher. O facto de a mulher estar possuída por um demónio e o recrutar para raptar pessoas parece que passou um pouco ao lado de Ogden, que só decide pôr as mãos na consciência quando percebe que tudo o que fez não impediu Rose de o deixar e ir com Sydney.

Um destaque neste primeiro episódio da 2.ª temporada é o loop que parece ter dado em relação ao piloto do ano passado. No passado vimos Kyle perdido e o Reverendo a estender-lhe a mão, a pedir ajuda, mas ao mesmo tempo a oferecer-lhe salvação, e no presente vemos exatamente o oposto. Em ambos os casos, a jornada começa em casa de Joshua, apesar de o exorcismo ter sido muito mais intenso na primeira vez. De todo o modo, os produtores deixam o dilema a pairar do que fazer às pessoas que estão além da salvação de Kyle. Será que Giles terá que disparar sobre todos aquele que Kyle não conseguir salvar? E não estará o chefe da polícia a atravessar uma linha quando deixa uma criança inocente ser levada por um demónio só para os poder seguir e descobrir onde Sydney está escondido?

Foi ainda interessante ver a reação de Holly e a sua perceção de que a culpa do pai, Mark, estar morto ser de Amber. Deixando-se levar por esta confusão e estes sentimentos de rancor, Holly pode estar a pôr-se na fila para ser o próximo membro da família de Kyle a ser alvo de possessão demoníaca. Já Megan esteve compreensivelmente sem reação o episódio quase todo e só quando ouve a mulher de Giles e Kyle falarem sobre fabricarem a história de Mark ter cometido suicídio é que esta consegue ganhar forças para reagir. Será que Megan conseguirá aceitar a realidade de um mundo com demónios?

Mesmo antes de o episódio terminar ainda nos é apresentado outro mistério: a mãe de Kyle, Sarah, está a morrer. Mas porquê agora? O que mudou? Depois de a vermos ter alguma reação em episódios anteriores, guardava a esperança de que de alguma maneira ela ainda pudesse ser salva.

Outcast voltou à Fox Portugal nesta passada 2.ª feira, 10 de abril, e agora poderemos acompanhar os exorcistas mais disfuncionais da televisão todas as semanas. No próximo episódio, Anderson irá ter que lidar com a morte que provocou e Kyle irá tentar explicar a Megan o que lhe aconteceu. Até lá, cuidado com os sítios escuros!

Emanuel Candeias