Classificação

9.5
Interpretação
9
Argumento
9
Realização
8.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Com o aproximar do final desta temporada e depois do último episódio, devo dizer que as minhas expectativas estavam altas e estava à espera de um final digno das primeiras temporadas de Homeland e não posso dizer que tenha ficado desiludido, mas também não posso dizer que foi o melhor ou um dos melhores. Foi bom, com momentos surpreendentes e um dos melhores episódios desta sexta temporada.

Mas vamos ao episódio propriamente dito.

Dar tenta descobrir o que se passa nas suas costas, envolvendo a sua corja de conspiração (Brett, o General McClendon e os outros) e que incrimina Quinn na conspiração contra a Presidente-eleita.

Carrie continua no local da explosão e ao esclarecer a situação com Rob, percebe que o General McClendon de alguma forma conseguiu penetrar a segurança da Presidente-eleita, sendo agora um dos responsáveis pela investigação do ataque e do controlo do protesto contra Keane. Carrie sabe que McClendon está envolvido no ataque bombista e na conspiração contra a Presidente-eleita e, por isso, temendo pela segurança da mesma, segue com Quinn para o hotel onde ela se encontra, para a manter a par das suas descobertas. Enquanto Carrie entra no hotel para falar com ela, Quinn mantém-se no exterior, no local da manifestação, para tentar descobrir os militares envolvidos no ataque e sob as ordens de McClendon.

Carrie transmite as suas descobertas a Rob e ao responsável dos Serviços Secretos, mas neste momento são informados de uma ameaça de bomba no hotel, sendo necessário evacuar todas as pessoas, em especial a Presidente-eleita e o seu staff. Saul segue no primeiro carro, Rob no segundo e a Presidente-eleita no terceiro. Carrie. que devia acompanhar Saul, recebe um telefonema de Dar Adal no último segundo, que lhe conta toda a verdade sobre o envolvimento de McClendon e sobre o plano deste, que consiste em fazer a Presidente-eleita sair do hotel sob o pretexto da existência de uma bomba, para a poder matar quando esta sair do hotel e incriminar Quinn. Com esta informação, Carrie impede a saída do hotel do carro em que seguia a Presidente-eleita no último momento, não conseguindo no entanto impedir que uma bomba expluda no exterior do edifício, atingindo os dois primeiros carros, mas salva a vida da Presidente-eleita. Saul, apesar de seguir no primeiro carro, consegue sobreviver.

Com os seus planos a saírem furados, McClendon manda os seus homens procurarem e matarem a Presidente-eleita. Quinn percebe que os homens vão tentar matar a Presidente-eleita e segue-os, conseguindo salvar Carrie e a Presidente-eleita no preciso momento em que estas estão prestes a ser apanhadas pelos homens. Ao saírem do hotel de carro, todos os caminhos estão tapados, pois McClendon convenceu todos de que Quinn era o responsável pela bomba e, por isso, deve ser abatido.

Quinn dá literalmente o peito às balas e consegue tirar Carrie e Keane do local, mas não sem ser atingido duas vezes, acabando por não resistir aos ferimentos. Como é que mataram uma das melhores personagens? E um dos motores desta temporada! Quinn foi, para mim, a melhor personagem desta temporada sem qualquer tipo de dúvida! Mas morreu como um herói e salvou a mulher da sua vida!

O episódio devia ter acabado aqui! Até aqui foi um grande episódio, cheio de ação e tensão, como Homeland nos habituou! Estava muito satisfeito com o rumo que deram aos assuntos até aqui.

Mas, neste momento, a história avança seis semanas. Passamos pelo funeral de Quinn, pela tomada de posse de Keane (já não é Presidente-eleita, mas sim Presidente dos EUA), pela prisão de Dar Adal… Tudo se passou neste espaço de tempo. São alguns momentos que gostava de ter acompanhado e a que só vamos ter acesso por ouvir falar neles. Carrie entretanto é assessora da Presidente, comandando as reuniões com os serviços de inteligência americana. A estes ela assegura que não vão sofrer represálias pelas ações dos outros membros dos seus serviços envolvidos na conspiração contra a Presidente.

Saul visita Dar na prisão, que lhe confidencia que perdeu o controlo do seu próprio plano, mas continua convicto que está alguma coisa errada com a Presidente, alguma coisa não-americana.

Carrie consegue ainda recuperar a custódia de Franny. Ao mesmo tempo, parece que Carrie ainda não fez o luto por Quinn, mostrando-se forte, mas quando descobre uma foto sua no meio das coisas dele juntamente com as do seu filho, desmorona completamente.

Para finalizar, Saul (atual diretor da CIA) e todos os outros membros responsáveis pelos serviços de inteligência americanos, são detidos a mando da Presidente. Ao tentar confrontá-la, Carrie vê-se barrada pelo novo Chief of staff. A Presidente não quer falar com Carrie, que percebe que foi manipulada no meio de toda esta história.

Afinal a Presidente tem de facto alguma coisa de “un-American”. Terminamos com Carrie a olhar para a Casa Branca totalmente perplexa e sem saber muito bem como chegou a este ponto.

Um final em aberto, que permite uma continuação na próxima temporada e que pode levar a uma cruzada de Carrie para libertar Saul e os restantes e tentar mostrar a real Presidente Keane.

Em suma, um episódio que me satisfez muitíssimo até à sua metade, que me surpreendeu, porque não previa a morte de Quinn e não queria de todo que acontecesse. Acho que Quinn vai fazer falta à história e mais uma vez estão a abalar o mundo de Carrie, que perde mais uma pessoa essencial na sua vida. Fiquei triste! Gostava de Quinn! Tinha-se tornado a minha personagem preferida (acho que já tinha dado para perceber). Já a segunda metade do episódio não foi totalmente do meu agrado, acho que certos pontos podiam ter ficado melhor explicados e outros podiam ser abordados depois, mas percebo a intenção de deixar a história em suspenso e em aberto para poder ter onde pegar na próxima temporada.

No geral foi uma boa temporada, que teve os seus altos e baixos e que foi melhorando com o avançar dos acontecimentos. Rupert Friend foi soberbo, com prestações de se lhe tirar o chapéu e, para mim, o impulsionador dos melhores momentos de toda a temporada. Pena a sua personagem ter terminado assim, mas mostra bem quem era Quinn e quais eram os seus princípios e valores.

David Pereira