Classificação

8.3
Interpretação
6
Argumento
6.6
Realização
7
Banda-Sonora

Mr. Robot ganhou um carinho especial da minha pessoa assim que comecei a ver um exercício de televisão que aliava um argumento inteligente, personagens magníficas e planos técnicos do mais cinematográfico que existe. Isto é algo raro em televisão. Ao contrário de muitos fãs que começaram a perder o interesse com o arranque misterioso desta 2.ª temporada, continuava a ver muita riqueza visual e desenvolvimento invulgar de personagens. A insanidade de Elliot foi até agora um dos pontos mais desafiantes que vivi ao assistir a uma série de televisão, especialmente quando esta se engole em si mesma em twists absolutamente vertiginosos capazes de nos deixar boquiabertos.

Gostava de vos conseguir dar uma sinopse direta do que acontece no episódio, mas é tão difícil que nem sei bem por onde começar. “eps2.9_pyth0n-pt1.p7z” é o penúltimo episódio da temporada. Um que seria importante para o avanço narrativo, mas que, ainda assim, se continua a empatar a si mesmo. Angela é levada para um questionário do líder do Dark Army (um BD Wong que já dispensa apresentações) por um motivo desconhecido e para um fim igualmente desconhecido. Elliot adormece e vai repetindo constantemente “Mind awake. Body asleep.”, algo interessante para tentar projetar o episódio para algo que simplesmente não acontece. Não há sinal de Darlene ou de Cisco; apenas uma Dominique chateada porque não é feita a sua vontade. Phillip Price, líder da E Corp, planeia lançar uma nova forma de unidade monetária ambiciosa que não se coaduna nos planos do governo.

Se ficaram sem perceber, junto-me a vocês. As sequências esteticamente minuciosas começam a arrastar o argumento de forma penosa, em especial o interrogatório de Whiterose com Angela. Tanta frase bem dita sem qualquer objetivo ou sentido coerente. Sam Esmail procurou homenagear David Lynch com esta miscelânea de ideias dúbias que ninguém consegue discernir se serão reais ou produtos da imaginação ou loucura das personagens. O grande problema é que Lynch conjuga os elementos e conduz-nos a um ponto específico através do onírico, Esmail não chega a lado nenhum, deixando o penúltimo episódio da temporada numa “bagunça” tremenda de incoerências. (Peço desculpa pela linguagem).

O final foi ele mesmo desinteressante, confuso e pouco convincente. Será que, apesar de tanta criatividade, Mr. Robot estará a tentar ser demasiado rebuscado para impressionar o espectador? Ou está apenas a tentar enganar-nos para o season finale?

Sei que, independentemente dos planos e de toda a magnífica produção técnica, eps2.9_pyth0n-pt1.p7z é um dos piores capítulos da série até então.

Jorge Lestre