Mr. Robot – 02×07 – eps2.5_h4ndshake.sme
| 19 Ago, 2016

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Depois do cliffhanger da semana anterior, Mr. Robot regressa de forma genial ao seu esplendor, repleto de moralismos negros e de twists imprevisíveis. Angela consegue despistar a agente Dominique DiPierro – que está ciente que a jovem está envolvida com a fsociety – e hackear o FBI, ao passo que Elliot consegue fazer uma jogada de mestre e enviar Ray para a prisão. No entanto, os problemas estão longe de estarem resolvidos e o nosso herói debate-se agora com novos obstáculos.

Sem querer denunciar muito do enredo, vamos fazer uma análise introspetiva desta série tão rica em momentos inesquecíveis. Já não é novidade para ninguém que, mais do que um mestre dos planos, Sam Esmail é um contador de histórias bem sucedido. “H4ndshake” prova que o criador e argumentista de Mr. Robot é um autêntico fenómeno desta nova geração de cineastas que possui uma visão crítica do que o rodeia, utilizando mecanismos de excelência para desenvolver personagens enigmáticas e que são tão maravilhosas e realistas quanto exageradamente complexas. Mr. Robot não é uma série linear. É um exemplo de televisão que é ainda mais difícil de entender do que muitos exercícios de palavras cruzadas que saem na última página dos jornais num grau avançado. Não é propriamente uma série apelativa para o verão porque, no verão, os fãs querem estar na praia ou na piscina a descontrair e sem ter que puxar muito pelo “Tico e o Teco”. É precisamente uma série que, ao contrário do Pokémon Go que nos leva a sair de casa (e que não era um tema nada mal pensado de abordar numa futura temporada), força-nos a fecharmo-nos, não só em casa, como num mundo muito negro de uma personagem desequilibrada.

O que quero dizer com isto é que Mr. Robot não é uma série para qualquer um. Mas a culpa não é dos fãs. É precisamente porque a série não possui o tom alegre e “solarengo” para a estação do ano em que é exibida. Talvez o canal decida mudar isso eventualmente mas, para já, voltamos ao episódio.

Portia Doubleday está em destaque e a sua personagem tem crescido exponencialmente no desenvolvimento do plot. Nunca fui um fã propriamente dito da mesma, mas admiro a insistência e a integração dela na agenda da fsociety, conferindo-lhe um propósito mais claro e revelando a sua verdadeira faceta. Ainda que o segmento de história da organização de hackers tenha passado para segundo plano, é Rami Malek que continua a roubar todo o mérito. O ator é tão genial e tão perfeito para o papel que consegue tornar este “h4ndshake” num dos melhores episódios da série. Os twists disparam por todo o lado, a história desenvolve-se e, acima de tudo, mantém um registo único de televisão contemporânea que, embora não seja do agrado de todos, ninguém lhe consegue ficar indiferente.

Mais uma vez, a série prova que está apta a camuflar um gigantesco twist dentro de uma psicose profunda e que afeta constantemente o rumo da narrativa.

Sem mais nem menos, um novo aplauso a toda a equipa!

Jorge Lestre

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