Classificação

9.8
Interpretação
9.5
Argumento
9.7
Realização
9
Banda-Sonora

Há séries boas; séries capazes de nos fazerem viajar por mundos inexplorados; séries que transformam o nosso dia-a-dia numa jornada introspetiva dos defeitos humanos e da megalomania do nosso ego; séries que procuram transpor a realidade mais negra da sociedade que nos rodeia e séries que se tornam de culto sem caírem em clichés. E depois há Mr. Robot. Mr. Robot é todo o conjunto destas características. Um exercício bom que nos faz viajar pelos limites da psique humana; um que transforma o nosso quotidiano numa viagem introspetiva pelos nossos defeitos mais obscuros à nossa própria perceção; um que despe a sociedade e que se torna um importante marco histórico das artes televisivas contemporâneas sem cair em qualquer cliché.

Mr. Robot está de volta e Elliot está encurralado em si próprio. A sua rotina transforma-se num loop contínuo que vai desafiando a loucura do nosso herói enquanto se debate com o seu alter-ego. Angela encontra conforto no seu novo trabalho para a E(vil) Corp e Darlene inicia um novo passo para a fsociety. Tyrell continua desaparecido, mas é procurado pelas autoridades pelo homicídio de Sharon Knowles, enquanto a sua esposa Joanna vai criando o seu bebé. A E Corp planeia um novo esquema de combate à fsociety e a revolução continua nas ruas e a inundar os noticiários.

Depois de um ano de espera, Sam Esmail volta a entregar precisamente um brilhante exemplo de como a televisão consegue romper as barreiras mais fortes do controlo. A filmagem deste regresso continua a primar pelos planos desconcertantes e a banda-sonora mantém o clima de suspense no ar, bem como assistimos ao regresso de Rami Malek e Christian Slater em todo o seu esplendor. O mundo de Elliot não é o mesmo que conhecemos da temporada passada. Aqui, ele arca com as consequências da sua insanidade; coloca de parte o dever moral para com a sociedade para se dedicar a si próprio, desmascarar-se a si mesmo, a encontrar conforto dentro da sua rotina. As perturbadoras visões que partilha ao lado de Mr. Robot são de uma homenagem sentida a Fight Club (que vão ficando cada vez mais evidentes e mais sombrias) e, acima de tudo, a série prepara-se para lançar um mote com novas personagens que se mostram bem interessantes a longo prazo. Grace Gummer, Craig Robinson e Sandrine Holt são alguns dos novos rostos que irão dificultar (ainda mais) a vida de Elliot, mas pouco sabemos sobre eles ainda. Mas primeiro Esmail foca-se engenhosamente na dupla protagonista e neste seu desenvolvimento antagónico e problemático. Mais do que qualquer personagem secundária, é do nosso querido herói defeituoso que as saudades mais apertam e, nunca faltando uma boa dose de sabedoria, “unm4sk” é uma autêntica montanha-russa de emoções dividida em duas partes que, não só projeta a temporada para um bom caminho, como estuda ainda mais a fundo as suas personagens principais.

Se o vosso verão vive do sol e da praia, o meu ganha ainda mais vida com o regresso de Elliot e da fsociety, da destreza mental do argumento, até à banda-sonora sinistra que vai acompanhando cada momento. É caso para dizer que Mr. Robot está de volta e continua tão bom como da última vez.

Jorge Lestre