Classificação

8.8
Interpretação
7.8
Argumento
8.6
Realização
8.4
Banda Sonora

Que a Speed Force esteja convosco, ela está no meio de nós!

Começamos com um metapocalipse que, tal como o cliffhanger no episódio anterior, prometia ser lendário. Vilões contra polícia, carros em fogo, meta-humanos a voar e a lançar raios de energia… cenas transpostas das tiras de banda desenhada e uma delícia para qualquer fã.

O problema foi que passado esses minutos iniciais se perdeu em muito a sensação de uma cidade sob cerco. De um ponto de vista da história central, este foi só mais um episódio, igual a tantos outros. Mas graças a uns pormenores aqui e acolá, no geral, o episódio foi agradável de se ver.

Depois do seu encontro com a Speed Force, Barry vê as coisas de maneira diferente. É como se tivesse encontrado Deus e acreditando que tem uma entidade dessas a apoiá-lo nada o pode parar. Bem, é nada menos do que normal uma pessoa ficar entusiasmada e confiante depois de ter uma experiência dessas. O problema de Barry foi o de não parar na recuperação da confiança, mas ter ficado um pouco a fugir para a arrogância. Também foi demasiado maçador todas as personagens a chamarem-lhe a atenção para isso e claramente se estar a adivinhar que esta falta de cuidado de Barry ia ter consequências. Gostei da conversa entre ele e o pai e acho que teria sido o bastante.

Este foi um episódio forte para Henry e a relação entre pai e filho interpretada por Grant Gustin e John Wesley Shipp sempre transmitiu ao longo da série um sentimento de carinho e amor incondicional. Saltando já para o final, como referi na review da semana passada, parecia-me que Henry não ia sobreviver a Zoom. No entanto, a forma como acabou o episódio e foi cortada a cena, tenho de perguntar: será que ele morreu mesmo? Será que depois de Barry finalmente ter feito pazes com a morte da mãe merece perder já de seguida o pai? Sabemos bem que a vida de herói não é uma vida grata e como consequência do salvamento do resto das pessoas na maior parte das vezes perdem tudo aquilo que lhes é próximo. A cena final de Henry foi um momento tocante e muito forte com ele a despedir-se do filho e a realçar que tanto a mãe como ele sempre o amaram e a culpa da morte deles não é de Barry. Irritou-me o facto de Zoom ter entrado tão facilmente pela festa adentro e ter raptado Henry. Se ele estava fugido não seria lógico terem tomado algumas medidas de precaução? E esta coisa da super-velocidade é um bocado falaciosa, então Barry não devia ter visto Zoom entrar e ter tido tempo de reagir? Fica ainda a questão de se não voltaremos a ver Henry Allen por detrás do Homem da Máscara de Ferro. Kevin Smith, realizador do episódio anterior, após lhe ser revelado quem era a pessoa por detrás da máscara, apenas comentou: “A revelação vai-vos fazer chorar.” Quem é ele? E que impacto terá no futuro e na próxima temporada?

O arco de Cisco foi enigmático e brutal. Desde as visões misteriosas com pássaros a morrer que apenas no fim percebemos que são o futuro da destruição da Terra-2, ao aparelho inventado para parar de uma só vez todos os meta-humanos da T-2 e acabando na sua t-shirt espetacular da versão da Última Ceia com um dinossauro e um meteorito ao fundo.

Barry, logo no início, a fazer desaparecer aquela meia dúzia de meta-humanos foi completamente sem sentido. Se consegue derrotar tão facilmente os vilões não sei porque andamos episódios inteiros a vê-lo combater um vilão de cada vez. E não estava bem a ver como iam derrotar tantos meta-humanos em apenas um episódio, porém a solução sob a forma do “dimensional tuning fork” foi, não só perfeita, como tirada dos comics Crisis on Infinite Earths (embora nesse caso tenha sido o Monitor a construí-lo, mas com um objecivo muito semelhante).

Cisco brilhou ainda no plano para enganar e empatar Black Siren. Carlos Valdes e Danielle Panabaker estiveram radiantes na sua interpretação de Cisco e Caitlin a fingir que eram Reverb e Killer Frost – com tantos papéis cruzados não é fácil acertar naquilo que se quer transmitir. E quem é que não gritou “woo hoo” quando Vibe usou os seus poderes de vibração para a ofensiva? Quero ver mais disso!

Caitlin teve o seu foco também devido ao transtorno de stress pós-traumático provocado pelo cativeiro com Zoom. Foi bastante interessante a maneira como os produtores decidiram não tornar Caitlin uma vítima dessa situação, mas sim lutar contra ela e continuar a ser uma mais valia para a equipa.

Quem teve a oportunidade de se pôr na pele de uma outra versão de Laurel Lance foi Katie Cassidy com a sua versão de Black Siren (Black Siren apareceu pela primeira vez na 1.ª temporada da série animada Justice League, em 2002). Para quem não segue Arrow (spoiler alert!), a Laurel Lance da T-1, a.k.a. Black Canary, foi morta recentemente. Apesar de Black Canary ainda estar muito presente na memória, foi bom ver o seu doppelganger. E o pessoal da T-2 deve andar a tomar adubo! Os poderes das versões de lá estão sempre uns quanto níveis mais à frente das nossas personagens conhecidas. Que poder que Black Siren tinha!! Aquilo sim era um verdadeiro grito capaz de mandar arranha-céus abaixo, pena nunca termos visto a Black Canary a esse nível, foi uma terrífica demonstração de superioridade.

Falando ainda de Wally e Jesse. É bom ver que os produtores não estão a apressar a transformação destes dois novos speedsters e, levando o seu tempo, vemos as personagens a evoluir em caminhos diferentes, mas com o objetivo comum de quererem ajudar as outras pessoas. Este caminho de Wally faz em muito lembrar o caminho percorrido por Roy Harper em Arrow. Se conseguirem ser bem sucedidos, Wally virará em breve uma adição imprescindível para a Team Flash.

Para além de tudo isto, surge-me ainda uma pergunta: onde está Hartley? Estão sempre a falar nele, mas nunca o vemos… Porque não está a ajudar a Team Flash? Espero mesmo que tenha uma boa desculpa!

Factos nerd e interessantes:

  • Esta versão da T-2 parece-se muito mais com a versão da T-3 dos comics em que para cada versão de um herói existe um vilão. Aliás, na T-2, de todos os meta-humanos que vimos, ainda está para aparecer o primeiro herói. Será que veremos no futuro uma versão da T-2 mais próxima dos comics com um Jay Garrick como um verdadeiro super-herói?
  • Quando Iris se refere ao metapocalipse como “the blackest of nights” está claramente a evocar um famoso juramento do universo da DC: “”In brightest day, in blackest night, no evil shall escape my sight”, assim o diz o Green Latern, por exemplo, no filme com o mesmo nome de 2011
  • O casal interpretado por Amanda Pays e John Wesley Shipp foi visto pela primeira vez na série do The Flash dos anos 90, sendo esta pequena chama que vemos entre os dois neste episódio uma recordação de tempos passados

Em suma, “Invincible” foi um bom episódio, mas estava à espera de mais. O cliffhanger do último episódio e toda a construção até aqui deixaram-me com as expectativas demasiado altas e, chegando aqui, os produtores não conseguiram cumprir. Será “The Race of His Life”, o último episódio da temporada, a masterpiece de que estamos à espera? Já viram as imagens libertadas de Zoom e Flash prontos para a corrida? Ficamos a aguardar por esta corrida épica. Até lá, boas corridas.

Emanuel Candeias