Chegar a Casa é a nova série luso-espanhola da RTP que chega hoje, 8 de setembro, ao pequeno ecrã. Uma produção SPi e CTV para o canal público português e a Televisión de Galicia, esta “dramédia”, como o elenco a apelida, vai acompanhar os caminhos das várias personagens e levar o espectador a rever-se nas situações e histórias contadas.

Com um total de oito episódios, emitidos semanalmente às quartas-feiras, às 21h, Chegar a Casa divide-se entre Arcos de Valdevez e Santiago de Compostela para contar a história de Marta (Joana Seixas), uma mulher que se divorcia e regressa à sua terra, tendo de refazer a vida depois de um casamento de 15 anos se desmoronar. O ponto de partida para esta narrativa pode parecer banal e pouco original, contudo, ao ver-se o trailer, percebe-se que o ambiente em que esta ficção se desenrola é diferente do que se tem feito até então em Portugal.

“[Esta série] não está feita para provocar riso, está feita com muita sinceridade. Aquilo é vida. Acho que raramente vi uma série ser filmada de forma tão simples e tão moderna”, diz Anabela Moreira, em conversa com o Séries da TV. A atriz dá vida a Cátia, a melhor amiga de Marta, que a irá apoiar nesta fase da sua vida mais frágil. Ainda assim, o regresso da sua amiga de infância a Arcos de Valdevez vai causar turbulência no casamento muito feliz de Cátia, dona de uma bijuteria, com Luís, um médico bem-sucedido. “A minha personagem tem uma vida maravilhosa, é uma sortuda. Mas quando a Marta volta e a Cátia descobre que o marido deixou a amiga por uma miúda mais nova, começa uma série de processos mentais para fazer de tudo para não perder o Luís.”

rui melo e anabela moreira

Rui Melo e Anabela Moreira

De forma muito real, a dinâmica deste casal vai trazer alguns momentos cómicos aos episódios de Chegar a Casa, com os quais os espectadores em situações semelhantes se vão conseguir identificar. Rui Melo, que encarna o papel de Luís, refere que “a ideia neste tipo de ficção é sempre essa: que as pessoas se identifiquem com uma ou outra personagem, com um ou outro caso, com os dramas da Marta que se divorciou, com as paranoias da Cátia que acontecem a muita gente”. Uma vez que as atribulações vividas por este casal “estão todas na cabeça” da personagem interpretada por Anabela Moreira, essas situações dão “uma comicidade à coisa”, apesar de a essência da série não ser a comédia.

Não sendo esse o ponto fulcral da série, as cenas cómicas vão surgir de forma realista e naturalmente. “A situação já é cómica, não é preciso forçar. Foi uma coisa que o [realizador] Sérgio [Graciano] marcou desde o princípio”, salienta o ator espanhol Miguel Ángel Blanco, co-protagonista da série no papel de Cayetano. Também Joana Seixas reforça que esta “é uma história verdadeira que está a ser contada e que dá ênfase a muitas situações cómicas” que acontecem realmente. E a par da comédia estará também o drama da separação das personagens interpretadas pelos protagonistas, que irá afetar ainda as vidas dos dois filhos do casal. Duarte Melo interpreta Filipe e será “o elemento apaziguador da família neste choque”, ao mesmo tempo que “vive um dilema maior e que se sobrepõe ao dilema dos pais”. Pelo contrário, o irmão Xavier (Rodrigo Tomás) irá sofrer mais e ser mais reativo.

Duarte Melo

Duarte Melo

Gravada em Portugal e na Galiza, os diálogos de Chegar a Casa terão uma panóplia de diferentes características, incluindo o sotaque muito próprio de Arcos de Valdevez e a língua espanhola. Joana Seixas teve de incorporar ambos para dar vida a Marta e revela que o espanhol fluiu de forma muito natural. Miguel Ángel Blanco partilha da mesma opinião, referindo que “o espanhol lhe saiu de planchado“, que é como quem diz “saiu-lhe perfeitamente e muito certinho”. Para isso contribuiu muito “o trabalho com os atores espanhóis”, cuja ajuda foi crucial, acrescenta Duarte Melo. Já para o sotaque nortenho, os atores foram guiados por uma diretora de sotaque, natural de Arcos de Valdevez. “Não só nos ajudou em palavras-chave, que são importantes manter durante todo o discurso, como também nos disse que no Norte há muitos sotaques, logo para não ficarmos muito agarrados”, explica a protagonista.

joana seixas e miguel ángel blanco

Joana Seixas e Miguel Ángel Blanco

Uma coprodução internacional

Chegar a Casa é um dos projetos da RTP que sofreu com a pandemia. As gravações decorreram no último trimestre de 2020, mas só agora o produto final chega à televisão, fazendo parte de uma cooperação importante entre a produtora portuguesa SPi e a galega CTV. “Este trabalho de coprodução é decisivo para nós, é uma forma de conseguir mais financiamento para os projetos, de conseguir que as equipas tenham uma experiência internacional e que tenham a possibilidade de chegar a outros públicos”, afirma José Fragoso, diretor de Programas da RTP.

Também José Amaral, diretor executivo da SPi, salienta que esta produção “consolida a ligação de Portugal à Galiza”, sendo a “prova de um trabalho constante” que têm feito. “É nisto que a SPi está a apostar: encontrar histórias que nos permitam manter uma linha constante, que tenham histórias de alcance global, que tenham equipas de escrita e de realização que acompanhem esta tendência internacionalmente.”

Chegar a Casa conta com novos episódios todas as quartas-feiras, às 21h, na RTP e RTP Play, sendo emitida igualmente na Televisión de Galicia.

Beatriz Caetano