Aqui estamos para a 2.ª e última parte desta crónica onde recordamos alguns momentos memoráveis de Friday Night Lights. É inegável que as coisas nunca mais foram as mesmas quando o foco passou dos Panthers para os Lions, por isso as primeiras temporadas continuarão a ser sempre as nossas favoritas. No entanto, é impossível não termos vontade de rever a série do início ao fim, só para voltar a viver todas aquelas emoções fortes dos jogos, para acompanhar os dramas dos personagens e das suas relações. Esta crónica, tal como a da semana passada, acaba por ser uma pequena forma de revivermos tudo isso.

[Os vídeos das cenas em questão podem ser vistos através das hiperligações, mas atenção aos spoilers]

Tim e Matt treinam as raparigas para um jogo (01×15): Talvez uma das cenas que mais nos ficaram na cabeça, anos depois de vermos Friday Night Lights pela primeira vez, seja este treino que Tim e Matt (mas também Julie) fazem às raparigas do liceu. É uma cena brilhante por vários motivos. Primeiro, temos Tim, que está demasiado entusiasmado por assumir este papel de treinador e até se torna engraçado ver a motivação dele nesta posição. Segundo, Tyra a ser a girl boss que é e a berrar com Matt para pôr alguma ordem naquilo, se querem chegar a algum lado, e Matt a tentar controlá-la para ela não se atirar ao resto da equipa. Os dois a mostrar exatamente as suas personalidades divergentes, principalmente numa situação de stress. Por fim, temos a tensão entre Matt e Julie, que estavam num momento complicado da relação, forçando-os a falar e acabando por levar Julie a tomar a posição de treinadora de forma incrível (tem a quem sair, certo?). É uma cena que consegue não só ser um momento cómico, como força os personagens a interagir e a lutar por um objetivo comum, que em termos de escrita de guião funciona sempre bem!

Jason, Tim, Matt e Smash passam tempo juntos (01×19): Cenas como esta são mesmo o coração de Friday Night Lights, não são? A união destes amigos é o que sempre nos fez torcer pela série e quando temos momentos destes, em que os vemos simplesmente a conviver, a partilhar um pouco da vida e a treinar novos passes de futebol americano, não conseguimos deixar de sorrir. Esta cena é especialmente emotiva porque Jason se sente novamente integrado na equipa e no grupo. Além de ser uma conversa informal, que nada tem a ver com a sua condição física, ainda consegue dar umas dicas de futebol a Matt, o seu sucessor na posição de quarterback. É tão bom ver que a equipa ainda o respeita e tenta que ele seja outra vez parte do grupo.

Tami conta a Eric que está grávida (01×22): Não há a necessidade de nos pormos com rodeios: Tami e Eric são, sem qualquer sombra de dúvida, o melhor casal de Friday Night Lights. Mais, são um dos melhores casais, de sempre, do mundo das séries. Têm aquele equilíbrio bom de serem bastante fofos, mas sem serem muito lamechas. A interpretação de Connie Britton e Kyle Chandler nesta cena é tão boa! Não apenas nesta, mas… É tão genuína, tão pura! A forma como ela dá a notícia da gravidez, a maneira como o rosto sério dele se abre num sorriso… E Tami poderia estar grávida de outra coisa que não um bebé? Não, mas Eric tem necessidade de fazer a pergunta, como se a ganhar tempo até irradiar de felicidade. É um momento a que não se pode assistir sem um sorriso nos lábios. Tami e Eric são relationship goals, ponto final.

Os Panthers ganham o campeonato estadual (01×22): O maravilhoso e emocionante final da 1.ª temporada! Depois do acidente de Jason, estava praticamente decidido, na cabeça de toda a gente, que o campeonato estadual estava perdido e arrumado. Durante a temporada, com o desenvolvimento de Matt como quarterback e com um aumento de confiança por parte da equipa, até se começava a acreditar numa réstia de esperança. Depois, chega o jogo final, uma autêntica montanha-russa de emoções. Quando Smash se lesiona, o coração da cidade cai e fica tudo novamente à espera do pior. Quando a vitória chega, é como uma explosão de emoções para todos: para a equipa, para o treinador, para a cidade e para os espectadores da série! Nunca pensámos torcer tanto por uma equipa de futebol americano, muito menos fictícia, mas estas emoções foram uma constante durante todas as temporadas e este episódio marca o início desta jornada.

Matt enterra o pai (04×05): Já quase nos tínhamos esquecido do quanto Friday Night Lights conseguia brilhar em termos de banda sonora, mas esta música da banda Great Northern, Driveway, é verdadeiramente fantástica e a prova viva de que a escolha musical certa pode tornar uma cena perfeita. Não que o momento só por si não seja suficientemente poderoso, mas a música torna-o ainda mais comovente. A sério, Matt é uma daquelas pessoas de coração de ouro que só merecia coisas boas na vida, mas não teve muita sorte, e por isso é difícil vê-lo, novamente, a lidar com uma situação tão difícil. As pessoas da vida dele despedem-se depois do funeral do pai (e, nada a ver, mas chamada de atenção importante para aquela troca de olhares entre Lyla e Tim!) e ficam só ele e Julie. Matt parece quase sem reação, mas na verdade, se olharmos bem, ele está apenas a tentar aguentar-se. Zach Gilford merece todo o reconhecimento pela sua interpretação. O que resta da cena é de partir completamente o coração, com Matt a levantar-se, a pegar numa pá e a ajudar a enterrar o pai. O pai que esteve tão pouco presente nos momentos em que ele mais precisava, o pai que ele sentiu que odiava mesmo que detestasse odiar pessoas. Se pensarmos que ele é apenas um miúdo ainda é pior. Desafio: tentar ver esta cena sem ceder à emoção ou sem colocar Driveway a tocar até mais não. A impotência de Julie perante o sofrimento de Matt também merece destaque, porque realmente não há nada que ela pudesse fazer, a não ser estar ali, não permitindo que o namorado ficasse sozinho. É daquelas cenas em que não é preciso dizer-se nada para dizer muito.

O treinador Taylor faz um discurso para motivar os Lions (04×13): Há uma certa satisfação em torcer pelos underdogs, por aqueles que têm menos hipóteses. Para as equipas fortes, com nome feito, as vitórias são um dado adquirido. Equipas como os Lions têm que batalhar muito para provar o seu valor, mas se há coisa que Friday Night Lights nos ensinou é que o espírito de união, de companheirismo, o empenho, a alma que se coloca num jogo são muito importantes para vencer. “Clear eyes, full hearts, can’t lose”, right? Não importa se se trata dos Panthers ou dos Lions, essa máxima faz sentido e é uma herança muito importante que a série nos deu. Os Lions não têm a equipa nem a experiência dos Panthers e não vão jogar em casa, mas têm as suas qualidades e nem a mais forte das equipas é isenta de fraquezas. Em qualquer jogo, há sempre uma hipótese de vencer! E, nesta altura da série, há uma coisa muito importante que os Lions têm e os Panthers não: Eric Taylor como treinador. Independentemente da equipa que estiver a treinar, ele é alguém que sabe motivar os seus jogadores, que sabe tirar partido das suas qualidades. Ele acredita naqueles rapazes e por isso é muito mais fácil que a equipa acredite também que é capaz. Resultou, porque os Lions venceram mesmo!

Também ficaste com saudades da série? Partilha aqui os momentos memoráveis de Friday Night Lights que mais te marcaram!

Ana Oliveira e Diana Sampaio