O protagonista é aquela pessoa que dá a ‘cara’, seja por uma série, um filme, um livro… Afinal, é nos protagonistas que a história se centra, mesmo que haja muitos outros enredos, mais ou menos secundários. Muitas vezes assume o papel de herói ou então encontra-se precisamente do lado oposto.

No entanto, há protagonistas que ficavam bem relegados para segundo plano porque representam o que de menos bom existe nas respetivas séries. Haveria certamente mais, mas Grey’s Anatomy, Orange Is the New Black, Queer as Folk (versão americana), Sex and the City e The Walking Dead são as cinco séries que me vêm imediatamente à cabeça quando penso em maus protagonistas.

O problema de Meredith Grey é um pouco diferente dos protagonistas das outras séries mencionadas. É certo que Meredith, ao longo do tempo, se veio a tornar uma personagem menos likeable a quem, metade do tempo, dá vontade de bater, mas o pior deve-se às fracas capacidades de Ellen Pompeo no campo da representação. A atriz não é convincente, principalmente nos momentos mais dramáticos e emotivos (que são muitos!) da série. Torna-se difícil para mim emocionar-me com Meredith porque o sofrimento dela parece sempre falso. É mau que tenhamos uma atriz menos capaz à frente de um elenco onde nomes brilhantes como Sara Ramirez e Chandra Wilson são apenas secundários. Aliás, Meredith Grey não é o único problema da Shondaland! Nunca acompanhei regularmente Scandal, mas já tenho visto episódios soltos ou certas cenas a passar na televisão e Kerry Washington também me parece estar longe de ser uma boa atriz.

Já Orange Is the New Black peca muito pela constante mudança de personalidade de Piper Chapman. Odiei-a na primeira temporada, adorei-a na segunda, voltei a detestá-la na terceira e vamos ver os meus sentimentos em relação a ela este ano (e é já para a semana que temos nova temporada). Piper é muito inconstante, como se tivesse uma série de personalidades diferentes que usa a cada temporada. Para quem entrou na prisão muito assustada, agora age como se fosse a rainha de Litchfield e está mesmo a pedir que lhe dêem uma lição. Os on and off com Alex não ajudam, mas se Piper acusava Alex de a usar, bem, não é isso que ela faz com Alex também? Esta relação de amor/ódio entre as duas ajuda a apimentar a série, mas a constante presença de Piper no ecrã começa a tirar-me seriamente a vontade de ver a série.

Se Piper Chapman é inconstante, o mesmo não posso dizer de Brian Kinney. O protagonista de Queer as Folk é consistentemente detestável e foi um dos motivos para eu me ter cansado da série quando não ia sequer a meio. É incrivelmente vaidoso, sempre preocupado com o facto de que não será sempre jovem e bonito. Não vou dizer que não há nada de bom em Brian (até porque ele não é tão mau quanto faz os outros pensar), mas é incrivelmente egoísta e, muitas das vezes, parece ser completamente destituído de moralidade. A forma como tratou Justin durante muito tempo é igualmente merecedora de crítica. É daqueles personagens de quem não sou capaz de gostar e no seu grupo de amigos é, sem dúvida, aquele com quem é mais difícil de me identificar.

Carrie Bradshaw representa tudo aquilo que não consigo suportar numa personagem e o facto de Sarah Jessica Parker ser tão plástica não ajuda em nada! Em Sex and the City, Samantha conquista pela forma desprendida como encara as suas relações com os homens, Charlotte aproveita a sua doçura de menina bem comportada para arrancar gargalhadas e Miranda é pragmática, a mais equilibrada, de certa forma. O que traz Carrie à série? Uma coleção de sapatos, uma imensidão de roupas que as pessoas pareciam considerar na moda e um sem fim de relações fracassadas enquanto continuava a fingir que Big não era quem ela queria. Carrie é mimada, excessivamente teatral e indecisa, uma mulher que se considera muito independente, mas que, no final de contas, depende de um homem para ser feliz. Para uma série que, na altura, pretendeu ser revolucionária, foi um falhanço abismal a escolha de Carrie para protagonista.

Aqui certamente muitos irão discordar de mim, mas não consigo deixar de imaginar que The Walking Dead poderia ser uma série muito melhor se não tivesse decidido fazer de Rick Grimes o herói. Nunca fui muito fã da personagem, mas à medida que as temporadas foram avançando fui gostando cada vez menos dele. Sem dúvida que Rick sabe o que fazer para sobreviver, mas conseguiu-o, muitas das vezes, a custo da sua própria humanidade. Não o vamos comparar a vilões da série como o Governador ou Negan porque, ao menos, Rick tem alguma moralidade e certos limites, mas está longe de ser um líder justo. Na dúvida, ele agora entra a matar, nem vale a pena fazer perguntas. A vida na estrada e as perdas endureceram-no, mas há uma linha ténue a separá-lo dos vilões que tem vindo a eliminar. Acima de tudo, acho que não faz sentido que o vejam como um herói, a não ser que queiram colocar na palavra o prefixo anti.

Quem são, para ti, os protagonistas que trazem algo de menos positivo às séries que acompanhas?