Classificação

8.5
Interpretação
5
Argumento
7
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers.]

Depois de esperarmos pelo regresso de This Is Us durante um mês e meio esperava um episódio mais impactante, Long Road Home acabou por ser bem mediano. Se por um lado concordo que houve certas cenas e momentos muito especiais neste episódio, houve certos aspetos menos bons que não consigo ignorar.

Comecemos pelos aspetos positivos que por sinal envolvem todos Kevin. Toda a discussão que ele e Madison têm é bastante relevante e sinceramente, não deixa de ser estranho que nunca tenha ocorrido – talvez ele deixar a casa pela primeira vez tenha feito uma luzinha acender-se na cabeça de ambos. Os dois assumem que deve haver um compromisso parte a parte, mas não parece que tenham encontrado o meio termo onde ambos possam ser felizes. Ainda assim, parece-me uma discussão pertinente que coloca em jogo toda a definição de prioridades e a questão de compromisso. Embora tenha gostado do paralelo que fizeram ao mostrar Randall a avisar Kevin para não ir para LA para ficar com Sophie em Nova Iorque, não considero que seja uma situação sequer parecida. É bom ver os irmãos voltados um para o outro em busca de conselhos e apoio, mas foi um paralelo bem forçado. O que me leva ao segundo aspeto positivo deste episódio: a conversa que Randall e Kevin têm ao telemóvel. Kevin liga para pedir ajuda, acaba por não receber o que procura, mas a meu ver, ambos recebem muito mais do que inicialmente o telefonema indicava. Parece haver luz finalmente para a relação dos irmãos.

Esta conversa leva-me a um ponto que foi dos que menos gostei no episódio: todo o impasse de Randall em relação à história da mãe e também algumas incoerências. Admito que quando Randall está com Beth a falar com Hai, é emocionante. Sinceramente, não se esperaria menos da representação brilhante e on point de Sterling K. Brown. Já tinha expressado que todo este enredo da sua mãe me parecia muito à telenovela e não à This Is Us. E lá vem este enredo trazer-nos problemas. Então do nada, o Randall começou a questionar se o seu aniversário seria de facto no mesmo dia do aniversário dos irmãos. Tudo para descobrirmos que ele nascera no dia anterior. O problema não está aqui, mas sim no flashback que mostraram neste episódio em que William lhe disse isso mesmo. Se o Randall, supostamente, já sabia que nascera na noite anterior, porquê ter uma crise de identidade em relação a isso do nada? Porque não passou a festejar o seu aniversário no verdadeiro dia? This Is Us sempre foi um drama familiar que se podia aproximar muito de uma novela, mas sempre se demarcou de todos as séries do estilo por toda a complexidade que envolve a sua escrita desde questões temporais às personagens. Sempre ficamos maravilhados em relação a como tudo se conectava na perfeição. Pois bem, esta temporada já começo a ver que talvez nem tudo esteja pensado desde o início.

A nível de situações forçadas, embora tenha gostado muito de termos acompanhado todo o processo de Kate a abortar, pois acho relevante aparecer em televisão, parece-me um tópico que não encaixa muito bem na história. Numa personagem que passou por tanta dificuldade em engravidar com Toby, penso que seria impossível ela nunca ter pensado no facto de já ter estado grávida antes. Com isto não quero dizer que ela tivesse desabafado com o marido, mas sim que nessa altura sim faria muito sentido alguns flashbacks do género. Sobre Kate e Toby, gosto do facto da série estar a apontar que eles são um Jack e uma Rebecca à maneira deles e não vejo o casamento deles a acabar, a não ser por razões superiores.

Espero que ao longo da temporada todas as novas informações que temos vindo a receber se tornem cada vez mais naturais à história e que não sejam sentidas como forçadas. Se bem que a incoerência relativamente à mãe de Randall ainda me deixa perplexa e ainda estou para ver se toda esta narrativa vale a pena ou não.

Ana Leandro