Apples Never Fall – Crítica da minissérie
| 24 Mai, 2024
7.3

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Inspirada no romance com o mesmo nome da escritora Liane Moriarty, responsável pelo livro de Big Little Lies, por exemplo, chega-nos a adaptação televisiva, em formato de minissérie, de Apples Never Fall, já disponível na SkyShowtime em Portugal. A história conta o drama do desaparecimento de Joy Delaney que após ter ido dar uma volta de bicicleta, nunca mais foi vista deixando todos em alerta e com suspeitas de que um crime grave possa ter acontecido.

Eu adoro este tipo de enredos onde existe um mistério e a cada episódio vamos recebendo novas pistas. Cada episódio é dedicado a uma das personagens da trama, Joy, Stan e os seus quatro filhos. São sete episódios ao todo (o primeiro é dedicado ao mistério) e acabam sempre com uma revelação chocante. Com o desaparecimento de Joy, vamos descobrindo que aquela família perfeita não era assim tão perfeita e cada um dos elementos tinha segredos que escondiam uns os outros. Um dos pontos que gostei logo foi a decisão de edição de misturar as cenas do presente com o que aconteceu no passado e levou ao que estávamos a ver. É sempre uma decisão perigosa mas funcionou muito bem. Gostei da construção da personagem Savannah mas infelizmente o desfecho não foi o que esperava.

É precisamente este o meu problema com Apples Never Fall. A conclusão! Achei o conceito muito interessante. É muito no estilo Gone Girl, mas funciona bastante bem sendo uma série porque vamos montando o puzzle à medida que vemos os episódios. É realmente possível suspeitar de tudo e de todos. Desde a misteriosa Savannah que aparece do nada e entra no meio daquela família, dos filhos que claramente tinham todos os seus problemas e complicações e claro, Stan, que foi o suspeito óbvio, mas que depois pareceu inocente até dar a entender que realmente tinha sido ele a cometer o crime. Esse jogo de intrigas e especulações é muito interessante e durante seis episódios funciona bem. O problema é mesmo o último.

O sexto episódio de Apples Never Fall termina com a revelação de que Joy esta bem e está com Savannah. Por esta altura já sabíamos que Savannah era uma vigarista que enganava pessoas para ganhar dinheiro e sabíamos que Troy tinha pago a Savannah para ela deixar a casa dos pais dele. No entanto, é aqui que entramos no sétimo e último episódio, onde supostamente vamos descobrir a verdade sobre tudo o que aconteceu. Desde logo percebemos que Joy caiu da bicicleta e aleijou-se. Foi para casa a pé e depois saiu chateada com o marido. Custa-me a acreditar que durante o dia ninguém tenha visto Joy e dado que o caso foi bastante divulgado, seria normal que alguém a tivesse visto e dito à policia. Ora, Joy acaba por se encontrar com Savannah (que aparentemente tem muito dinheiro e uma casa) e decide passar uns dias com ela. Dois pontos nisto: primeiro é que, se a Savannah tem tanto dinheiro, porque é que ela é uma vigarista?; segundo, apesar de entender que Joy é dada como adquirida pelo marido e pelos filhos e que saiu sem dizer nada para lhes dar uma lição, passaram-se dias, repito, dias sem que ela tivesse a preocupação de dizer alguma coisa. Por mais desligados que os filhos e o marido possam ser, seria de esperar que ao fim de pelo menos dois dias sem noticias eles entrasse em pânico. A Joy não pensou nisso e, juntando ao facto de ela também ter cometido erros (como foi trair o marido), torna-se impossível torcer por ela.

O marido está preso, os filhos estão virados contra o pai e ela está a cantar num bar como se nada fosse. Outra razão que me deixou muito chateado foi a Savannah. Como disse antes, gostei da construção da personagem, mas no final a motivação por trás dela deixou-me baralhado. Ela queria vingar-se dos Delaney, porque eles tinham arruinado a vida dela quando era criança, mas depois ela passou a ver a Joy como a mãe que nunca teve. Ainda assim, ela ia raptar a Joy quando esta quis voltar para a família. Sim, era um pessoa mentalmente desequilibrada, mas não deixa de ser uma explicação dúbia.

Para terminar, no final, a Joy regressa e tudo está bem. Existe um pedido de desculpas meio forçado e todos ficam bem. O marido acabou de sair da prisão e os próprios filhos estavam convencidos de que ele tinha matado a mãe. Ela aparece e diz que desapareceu quase que só porque sim e acaba como se nada se tivesse passado. Confesso que foi um final muito desapontante.

Enfim, Apples Never Fall é uma minissérie que me deixou semanalmente à espera de um novo episódio, mas que teve um final dececionante. Não me arrependo de ter visto, mas certamente que esperava mais para a conclusão do mistério.

Melhor Episódio:

Espisódio 6: Para ser sincero, poderia por aqui qualquer um dos seis primeiros episódios mas escolho este porque se foca muito no Stan e a verdade é que os comportamentos estranhos dele fazem-nos questionar se poderá mesmo ter sido ele a fazer alguma coisa à mulher. Além disto, o episódio acaba com a revelação de que Joy está com Savannah e lança o que deveria ter sido um episódio final fantástico.

Personagem de destaque:

Stan – É o personagem com mais camadas da trama. Duvidamos dele e ao mesmo tempo sentimos que ele é inocente. As dores do passado refletem-se no personagem que é brilhantemente interpretado por Sam Neill. Aliás, aproveito para dizer que o cast é todo bastante bom.

Apples Never Fall - Crítica da minissérie
Temporada: 1
Nº Episódios: 7
7.3
8
Interpretação
6.5
Argumento
7.5
Realização
7
Banda Sonora

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