Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
7
Realização
6
Banda Sonora

[Contém Spoilers]

Temporada: 1 (Parte 2)

Nº de episódios: 8

Leverage: Redemption volta para a sua segunda parte da 1.ª temporada. Depois da introdução às novas personagens na primeira parte, esta segunda metade traz-nos um conceito diferente que é em cada episódio eles usarem uma pessoa de fora no seu golpe, desde um ex espião que está adormecido, a antigos amigos que já vimos em Leverage, até à namorada de Elliot Spencer (Christian Kane). Seja quem for, uns melhores que outros, todos contribuíram para trazer algo diferente ao episódio.

A parte negativa disso é que não existe um foco tão grande na história como houve na primeira parte, ou como Leverage tinha antes. Focam-se em dar bons episódios, e conseguiram, mas não fui muito fã do duplo episódio final contra a R.I.Z.

À semelhança da primeira metade a essência de Leverage manteve-se e isso é o mais importante. Essa essência está assente nas personagens, na moralidade das missões que aceitam e no golpe em si que decidem usar. Claro que sentimos a falta de Harrison (Aldis Hodge) durante quase toda a temporada, mas o elenco continua bastante completo e gostei da adição de Mr. Wilson ao grupo.

Banda sonora e realização estão no ponto expectável sem serem notáveis, mas contribuindo de uma forma subtil para uma boa experiência. Quanto a desenvolvimento de personagens, há que destacar a jornada de Elliot ao assumir uma relação e abrir o seu coração a alguém, a dúvida se Sophie iria ficar ou não no grupo e, claro, de Harry Wilson, cuja jornada de redenção dá origem ao subtítulo da série. Isto leva-me a questionar se, em caso de segunda temporada ele irá regressar ou se será uma jornada de redenção de outra pessoa. Seja como for a segunda temporada ainda não está confirmada. Até porque no final o Harry cumpriu a sua jornada de redenção de uma forma muito arrumadinha, ficou tudo no seu lugar, ele tem um novo propósito, a sua filha já o respeita e conseguiu provar que o novo marido da ex-mulher não passa de um burlão. Fico contente que não o tenham posto numa relação com a Sophie, eles até têm química, mas poderia ser visto como tentar substituir o Nate (Timothy Hutton).

Em suma, Leverage é uma boa série de entretenimento, não é uma série que alguma vez vá ganhar um Emmy, ou que vá ser uma resposta comum quando perguntam a alguém sobre “qual é a tua série favorita?” mas cumpre bem o seu propósito, passar entretido durante um par de horas. Ainda tem o plus de abordar alguns temas importantes, mas fazendo-o de uma forma como o Robin Hood.

Melhor episódio:

The Golf Job (episódio 12) – Esta escolha foi muito difícil, porque os episódios foram todos muito balanceados, sabia que não iria escolher um dos dois finais, mas estava muito indeciso entre este e outros, como o do Jackal (episódio 11) ou o do Bucket (episódio 9). Acabei por escolher o Golf Job porque a interação entre Elliot, Harry e Hurley foi muito divertida, foi sem dúvida um convidado especial que trouxe uma grande lufada de ar fresco. Foi também um episódio onde senti alguma mudança em Harry, desde conseguir usar um pouco de cada habilidade, luta, teatro, bluff, roubar, até à própria conversa com a jovem advogada que no fundo representava uma versão mais jovem de quem ele tinha sido. Neste episódio o principal tema social abordado é o abuso de imigrantes ilegais que trabalham sobre condições extremas.

Personagem de destaque:

Harry Wilson (Noah Wyle) – Nem é suposto ser de outra forma certo? Quer dizer a Parker, o Elliot e a Sophie já vêm com uma bagagem de desenvolvimento da sua personagem de 5 temporadas, é normal que quem se destaque mais seja um dos novos (apesar de adorar a personagem da Parker). Harry nesta temporada é capaz de completar o seu arco de redenção. Adquiriu novas habilidades que irá pôr em prática no seu futuro, mas acima de tudo foi capaz de calibrar a sua bussola moral. Se me perguntarem se gostava que ele voltasse para uma segunda temporada? Sim gostava. Acho que seria necessário ele voltar? Não porque a maneira como acabou já é bonita em si e faz todo o sentido.

E vocês o que acharam?

Raul Araújo