Classificação

7
Interpretação
4
Argumento
6
Realização
6
Banda Sonora

[Pode conter spoilers]

Temporada: 4

Número de episódios: 16

A comédia dramática da NBC, Good Girls, chega (por fim) à sua 4.ª e última temporada. Como já deves ter percebido pelo meu parêntese na frase anterior e pela pontuação, foi uma temporada que ficou aquém das expectativas, pelo que talvez o cancelamento tenha sido um mal menor.

Esta 4.ª temporada de Good Girls traz pela última vez o trio de amigas, Beth (Christina Hendricks), Ruby (Retta) e Annie (Mae Whitman), três mães dos subúrbios que se veem forçadas a assaltar uma loja de conveniência e entram assim no mundo do crime. Nesta temporada, Beth continua a tentar ultrapassar Rio na liderança do esquema criminal, Annie lida com a adolescência de Ben e com mais interesses amorosos, enquanto Ruby tenta conjugar a sua vida com Stan e com os contratempos dos seus dois filhos.

Good Girls tem vindo a sofrer de um problema a que todos estamos habituados no panorama televisivo: a repetição de arcos narrativos quando os escritores não sabem o que fazer aos personagens. Já tem vindo a acontecer desde o fim da 2.ª temporada, mas nesta 4.ª este problema foi particularmente irritante. Se voltarmos um pouco atrás, a razão pela qual comecei a ver a série deveu-se à originalidade da premissa: é difícil não querer descobrir o desfecho de três mães que se veem envolvidas num esquema de crime. A partir daí, não faltaram oportunidades para os escritores continuarem esta storyline. O rumo mais evidente, e que é sugerido em diversas ocasiões, seria as personagens principais chegarem ao topo do mundo do crime, coordenando todo o esquema de contrafação e distribuição de dinheiro. Em vez disso, as personagens andam em círculos e nunca chegam realmente a lado nenhum. Beth tenta enganar Rio e acaba no mesmo sítio, Annie tenta ser uma pessoa mais madura e volta a relações tóxicas, Ruby é completamente colocada de lado, estando só envolvida nos esquemas de Stan e deixando mesmo de ter histórias próprias. 

Além das personagens ficarem estagnadas, também diversas storylines foram introduzidas para rapidamente serem abandonadas. Por exemplo, os dois polícias que aparentavam apresentar uma verdadeira ameaça para o trio acabaram por ir embora, sem uma razão forte que o justificasse; o assassino contratado também desaparece numa questão de episódios; Dean sai em liberdade como se nada fosse… enfim, percebes o que quero dizer!

Em relação às personagens, como referi, a evolução não foi de todo o que se pretendia, começando por Beth, que após tantas temporadas continua a fazer tudo o que Rio quer. Pessoalmente, nunca fui a maior apoiante desta relação, que sei que é tão adorada pelos fãs da série. Era interessante se Rio tivesse realmente morrido na temporada anterior e esse momento fosse usado como pretexto para uma troca de poderes, colocando Beth no topo da máfia. Em vez disso, a relação ficou exatamente igual. Sim, é verdade que há uma reviravolta no último episódio, mas como não foi um progresso ao longo da temporada, acaba por parecer rápido e conveniente.

Annie é capaz de ser das personagens mais massacradas desta série. Até começou bem a temporada, com um foco na relação com Ben e os problemas com a escola privada. Foi dada uma oportunidade a Annie de ser mais madura e colocar o filho à frente dos seus problemas, algo que a audiência já desejava há algum tempo. No entanto, a personagem acaba com mais um interesse amoroso completamente desnecessário que traz todo o progresso de Annie à estaca zero.

Por fim, Ruby foi colocada completamente de parte nestes últimos episódios da série. Apesar de ter começado com alguns dramas relacionados com Stan e os filhos, a verdade é que a personagem não teve direito a quase nenhuma storyline sua, sendo sempre a pessoa que acompanha as aventuras de Beth ou apenas parte da equipa.

Como nem tudo é mau, a série conseguiu trazer-nos ainda alguns momentos ternos e divertidos entre o grupo, que continuam a ser o elemento central da série. Tenho pena que Good Girls não tenha aproveitado o seu potencial e se tenha perdido neste ciclo de repetição, mas vou sempre recordar as temporadas iniciais com carinho, isto porque nunca deixei de gostar das três protagonistas.

A 4.ª temporada de Good Girls estreará na Netflix a 31 de agosto.

Melhor episódio: 

Episódio 12 – Family First  Sem dúvida alguma, um dos episódios mais divertidos da temporada. Quando a série quer ser cómica consegue realmente criar momentos hilariantes e este foi um episódio que passou a correr. Dada a minha tendência para adormecer nesta temporada, este é o maior dos elogios. Além da comédia, foi um episódio importante para as irmãs, Annie e Beth, que têm direito a momentos afetuosos que elevam a sua relação.

Personagem de destaque:

Annie Marks – Apesar de todos os defeitos e da tendência de voltar aos seus hábitos antigos, não consigo deixar de gostar de Annie. É impossível não torcer pela personagem quando está com Ben e pela forma como consegue colocar todas as emoções de lado de forma a dar ao seu filho tudo o que ele merece. Os problemas surgem quando Annie se envolve em relações que não a favorecem e quem me dera que a série a tivesse deixado ficar solteira! De qualquer forma, Annie é sempre uma fonte de otimismo e diversão na série.

Ana Oliveira