Feel Good – Review da 2.ª Temporada
| 18 Jun, 2021

Publicidade

[Pode conter spoilers]

Temporada: 2

Episódios: 6

Para nossa felicidade, Mae Martin (Mae Martin), humorista e ex-toxicodependente de 30 anos, regressou no passado dia 4 de junho à Netflix para a 2.ª e última temporada de Feel Good. Como fanática de Friends e super fã da personagem Phoebe, vi a 1.ª temporada desta série assim que descobri que Lisa Kudrow estava no elenco no papel de Linda, mãe de Mae, mas acabei por me interessar rapidamente pelo enredo e não podia perder a nova temporada. Esta 2.ª temporada de Feel Good já não segue tanto a luta de Mae em relação ao vício da cocaína, centrando-se mais nos seus problemas psíquicos, lutas interiores e na sua relação com George (Charlotte Ritchie).

A personagem de Mae está muito bem estruturada. À medida que a temporada avança vamos entendendo cada vez melhor o que leva Mae a ter certos comportamentos que perturbam a vida das personagens ao seu redor. George, muito confusa no início da temporada, é arrastada pelo “furacão” Mae e todas as suas psicoses e nota-se que tenta manter-se forte como apoio, apesar de ficar cada vez mais afetada. Os pais, em constante preocupação, são incapazes de confiar em Mae. No meio de tudo isto, a personagem tenta também manter a sua carreira como humorista.

Um episódio de Feel Good traz temas importantes e até pesados como a toxicodependência, o trauma, os vícios, o amor, a dependência emocional e a sexualidade de uma forma descontraída e com humor, não deixando que se crie muita tensão junto do espectador.

Além da temática LGBTQ+, que se traduz sobretudo na relação entre Mae e George, esta série aborda o tema da saúde mental, que despertou o meu especial interesse. Vemos em Mae sintomas de Stresse Pós-Traumático, mas também de dependência emocional. Tem então dois problemas a trabalhar consigo e na minha opinião acaba por encontrar respostas e seguir caminhos pouco realistas, que não iriam resultar tão bem na vida real. Não me entendas mal, os problemas mentais de Mae e os sintomas estão representados de forma bastante realista, mas a forma de os resolver acabou por não o ser, devido a uma escolha da série em romantizar a ação. No entanto, acho fundamental que sejam representadas nas séries pessoas que se debatem com questões de saúde mental e que são, muitas vezes, incompreendidas, de forma a dar informação ao público sobre uma doença que não se vê e que não é fácil de explicar. Talvez assim acabe por se criar mais empatia.

Há ainda uma metáfora interessante: numa relação devemos sempre ir trocando de papéis entre ser o jardineiro e o bonsai, ou seja, ora cuidamos do outro quando ele está em baixo, ora o outro cuida de nós quando não estamos bem. Quando não há esta alternância, há um desequilíbrio e havendo dependência emocional de uma das partes, ela acaba por ter tendência para ser sempre o bonsai e esgotar a outra parte.

Tenho que confessar que esta temporada me surpreendeu pela positiva. Houve até momentos em que levei as mãos à cabeça de tão fortes que eram e de certas revelações que aconteceram ao longo da ação e que não esperava. À medida que avançava, só queria ver mais episódios. Esta temporada superou claramente as minhas expectativas e considero que está muito bem elaborada. Apesar de não ser tão realista em certos aspetos, o sofrimento de Mae é retratado de forma muito real e deparamo-nos com diálogos muito profundos e pesados que realmente mexem connosco. No entanto, logo a seguir vem uma cena mais descontraída e é este conjunto que confere à série uma vibe de certo modo tranquila no seu todo, auxiliada pela componente musical da série. Os episódios têm apenas 20-30 minutos, portanto são ideais para serem vistos em qualquer altura. Se és como eu e gostas sempre de aprender mais sobre doenças mentais, soltando uns risos pelo meio, esta 2.ª temporada de Feel Good é para ti. E se não viste a primeira, começa por aí, porque vale muito a pena.

Melhor Episódio:

Episódio 3 – É neste episódio que começamos a entender o que realmente se passa com Mae, que descreve o seu sofrimento afirmando: “Às vezes acontece algo insignificante e a minha reação é de loucos. O meu corpo fica rígido como uma tábua de madeira e só quero deitar-me debaixo da cama. E também gosto muito de drogas.” Vemos Mae em momentos de felicidade, mas também de desespero e pânico extremo, atingindo mesmo um ponto de rutura. Há também uma revelação inesperada no final do episódio que choca o espectador e marca um ponto de viragem a partir do qual Mae vai realmente ter que lidar com aquilo que a atormenta.

Personagem de Destaque:

Mae – A minha escolha deveu-se a todo o panorama de uma personagem que sofre e é incompreendida e além de eu me sentir solidária com a sua dor, acho que é incrivelmente interessante pela sua complexidade. Mae abana o mundo de quem está à sua volta enquanto tenta lidar com os seus problemas psicológicos, não deixando de os presentear com humor quase diariamente. É inteligente, uma pessoa impulsiva, instável, desequilibrada e apresenta certos sinais depressivos. Não se identifica como mulher, mas sim “como um Adam Driver ou um Ryan Gosling”.

Inês Rodrigues

Publicidade

Populares

calendário estreias posters maio 2024

apples never fall

Recomendamos