Classificação

7
Interpretação
7
Argumento
7.5
Realização

[Pode conter ligeiros spoilers]

Minissérie

Número de Episódios: 4

Estreou no canal AMC Portugal a minissérie Cheat, um thriller psicológico que acompanha os desentendimentos entre Leah (Katherine Kelly), uma professora universitária, e Rose (Molly Windsor), sua aluna. Estes desentendimentos dão-se depois da entrega de um trabalho que Leah acredita ter sido plagiado. Após confrontar Rose sobre o sucedido, as coisas entre elas começam a descambar e uma série de eventos começam a acontecer. Aquilo que ao início parecia uma pequena vingança pela acusação de plágio, logo se percebe que é muito mais que isso, estando envolvidos também segredos e mentiras passadas.

Apesar de ter gostado da série no geral, sendo que esta me conseguiu fazer sentir todas as coisas que Leah sentia, como receio, ansiedade, paranoia, tenho que vos confessar que me senti um pouco frustrada com as motivações apresentadas para tudo o que aconteceu. Dadas as situações que nos vão sendo mostradas, ao longo dos episódios, conseguimos perceber que estas não são somente motivadas pela acusação de plágio, pelo que começamos a criar bastantes expectativas relativamente aos verdadeiros motivos que levam Rose a fazer tudo aquilo. Porém, quando estas foram apresentadas, acabei por ficar bastante desapontada.

É verdade que a mente dos psicopatas consegue distorcer tão bem a realidade que as motivações, por mais fracas e sem sentido que pareçam para nós, para eles fazem todo o sentido. Contudo, estava à espera de mais. Estava à espera de motivações mais fortes. Já para não falar que estas se tornaram óbvias demasiado cedo, pelo menos para mim. Talvez tenha a ver com o facto de serem poucos episódios e como tal não houve tanta possibilidade de criar um grande mistério, mas mesmo assim considero que poderiam ter feito as coisas de outra forma.

Não quero com isto dizer que Cheat não é uma boa minissérie ou que não vale a pena ser vista. O thriller psicológico em si está bem feito (tirando um cliché ou outro), no entanto, do meu ponto de vista, o plot acaba por ficar um pouco aquém das expectativas. Se não fosse a questão das motivações, a meu ver, a minissérie tinha tudo para ser excelente: desde as situações criadas que nos conseguem deixar ansiosos por saber o que vai acontecer a seguir; à cinematografia, que ajuda particularmente na sensação de confusão e ansiedade; aos personagens, que, apesar de tudo, foram bastante bem criados e através deles conseguimos ter inúmeros sentimentos, tais como pena, raiva, desprezo e/ou ódio.

Posto isto, tirando esse pequeno aspeto do plot, considero que devem dar uma oportunidade à minissérie, nem que seja somente ao primeiro episódio (podem ler review deste aqui), pois acredito que irão acabar por gostar de alguma coisa e até podem, ao contrário de mim, nem considerar a questão das motivações algo tão relevante e dessa forma apreciar Cheat ainda mais.

Episódio de Destaque:

Episódio 3 – Tenho de vos confessar desde já que foi bastante difícil para mim escolher um dos episódios, não só porque considero que nenhum deles se destacou, mas também porque não houve nenhum do qual tenha gostado mais. No entanto, como tenho de escolher um, acabei por escolher o terceiro, pois é neste que as coisas começam a complicar-se bastante e aquilo que parecia ser uma simples vingança por causa de uma acusação de plágio, logo dá lugar a algo muito mais complexo e até mesmo perigoso. O que me surpreendeu mais foi o personagem Adam (Tom Goodman-Hill), que me conseguiu fazer detestá-lo tanto como detestei Rose, e não pensei que algo assim fosse acontecer. É verdade que já tínhamos tido um pequeno vislumbre do quão horrível ele era no segundo episódio, mas no início da série não me tinha passado pela cabeça que ele pudesse ser tão desprezível e o terceiro episódio conseguiu mostrar isso ainda mais.

Melhor Personagem:

Rose – Apesar de ter pensado em escolher também Leah ou o seu marido, Adam, a verdade é que lá no fundo não era possível escolher outra personagem que não Rose. Mesmo não gostando dela, e mesmo tendo sido ela a principal razão pela qual senti ansiedade durante a visualização dos episódios, e até mesmo raiva por todas as mentiras que ela contava e todas as situações que criava (ainda para mais quando Leah não tinha culpa absolutamente nenhuma), tenho que admitir que a personagem dela está muito bem construída e a atriz também foi muito bem escolhida. A dissimulação dela, a capacidade para criar todas aquelas situações desestabilizadoras, capazes de deixar quem quer que seja completamente maluco, e até mesmo a psicopatia dela, foram os pontos-chave da série, pelo que a minha escolha não poderia recair noutra personagem que não ela, ainda que por razões negativas.

Cármen Silva