His Dark Materials – Review da 1.ª Temporada
| 28 Dez, 2019

Temporada: 1

Número de episódios: 8

[Pode conter vestígios de spoilers]

His Dark Materials revelou-se uma das estreias mais aguardadas de 2019 desde o momento em que anunciaram a produção da série, seguindo-se o entusiasmo com o elenco e, por fim, quando o primeiro trailer foi exibido. Não li os livros nem vi a tentativa de adaptação cinematográfica (The Golden Compass), mas posso afirmar com toda a certeza que a série coproduzida pela BBC e pela HBO correspondeu às elevadas expectativas que se criaram ao seu redor.

A série traz à vida uma história espetacular, cheia de mistério, fantasia, alguma tragédia e efeitos visuais soberbos. Em adição ao enredo aliciante, o que eleva His Dark Materials ao estatuto de uma das melhores séries de 2019 é a qualidade visual, desde as paisagens aos daemons. Dei por mim assoberbada com o realismo de todos os animais retratados, os seus movimentos e a sua pelagem. Lembro-me de ler algures online uma comparação entre os daemons e os dragões de Game of Thrones e em como os primeiros estão muito mais bem conseguidos. Apesar de não concordar com esta comparação, a verdade é que os mestres do CGI de His Dark Materials tiveram animais reais para estudar o seu comportamento e todos os pormenores dos seus seres. Dragões não existem, mas mesmo assim acho que o resultado foi fantástico.

Daquilo que li online esta é a adaptação que os fãs da obra literária de Philip Tullman tanto esperavam. Conseguir produzir uma série de fantasia com qualidade não é tarefa fácil, ainda para mais quando se trata de uma adaptação. Mas a verdade é que toda a equipa está de parabéns. Claro que, infelizmente, consigo apontar algumas falhas. Incomodou-me imenso o facto de Lyra não ter olhos azuis como os pais (sim, eu ligo muito a estas coisas); senti que o plot de Will Parry e dos seus pais (já agora, o seu pai é interpretado por Andrew Scott, de quem só tivemos um pequeno vislumbre e mal posso esperar por ver mais dele na 2.ª temporada) e o que quer o Magisterium deles poderia ter sido um pouco mais desvendado; achei estranha a luta entre Iorek e Iofur ter decorrido sem ambos terem as suas armaduras colocadas. Se eles são Armoured Bears faria todo o sentido que numa luta até à morte pelo trono as armaduras estivessem postas. Li em alguns comentários que, nos livros, as armaduras estão postas durante a luta, portanto não percebo o porquê de não as incluírem na série.

Como já referi, grande parte do sucesso de His Dark Materials deve-se ao desempenho fantástico do elenco escolhido. Os nomes de peso foram logo à partida um motivo de curiosidade e depois de se vê-los em ação não há como voltar atrás na visualização da série. De todos dou destaque a Ruth Wilson, cujo trabalho não conhecia, mas do qual já tinha ouvido falar coisas muito boas e tenho a dizer que não fiquei desiludida. A atriz faz um trabalho incrível no papel da controversa Marisa Coulter. Tão depressa conseguimos sentir compaixão como raiva para com ela. As suas mil emoções transparecem apenas através do olhar e das expressões faciais, o que diz muito do talento de um artista. E, claro, temos outros grandes nomes como James McAvoy, Lin-Manuel Miranda, James Cosmo e a jovem Dafne Keene, que não desapontou na sua performance. Não posso também deixar de referir as vozes dos daemons que, sem elas, estes companheiros dos humanos não seriam a mesma coisa.

Apesar de alguns pequenos lapsos, de forma geral a temporada chega ao fim numa nota bastante positiva. O espectador é deixado a ansiar pela próxima leva de episódios, teorizando sobre tudo o que ficou em aberto. Acho que não há melhor sentimento do que esse: ficar em suspenso durante pelo menos um ano até ser novamente engolido por estes mundos paralelos e obter algumas respostas. A receita desta série foi executada quase na perfeição, aliando um elenco de luxo a uma história rica e cheia de sub-plots a explorar, assim como a uma edição de imagem e efeitos visuais de deixar o queixo caído.

Fun fact: Will Keene, que deu vida ao Padre MacPhail, é o pai de Dafne Keene, a pequena protagonista da série, Lyra.

Personagem de Destaque:

Lyra Belacqua/Silvertongue (Dafne Keene) – A escolha é fácil e óbvia. Sem dúvida que Lyra é a personagem que se destaca. É ela a protagonista e a criança destinada a algo que ainda estamos por descobrir. Dafne Keene, com apenas 14 anos, dá provas do seu talento ao desempenhar este papel que de básico não tem nada. De certeza que as filmagens em CGI foram difíceis – contracenar com uma personagem que não está ali -, mas o resultado não podia ter sido melhor. As suas interações com Pan e Iorek são bastante reais e emotivas, havendo apenas alguns momentos em que se percebe que o nível do olhar não está alinhado.

Episódio de Destaque:

Episódio 6The Daemon-Cages representa o turning-point na história, diria mesmo que é o pico da temporada. É aqui que Lyra consegue libertar todas as crianças raptadas com a ajuda de Iorek e dos Gyptians numa grande sequência de lutas por aquele labirinto gelado. É também o episódio em que Lyra vê pelos próprios olhos as crueldades que a mãe tem feito, culminando naquela cena espetacular em que ambas gritam de lados opostos de uma porta de forma bastante semelhante.

Beatriz Caetano

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